domingo, 29 de setembro de 2013

Com o devido respeito

O senhor presidente da República considera - e muito bem! - que a legislação que enquadra o modelo de cobertura mediática das eleições autárquicas está desadequado da realidade e deve ser revisto. Com o devido respeito, e como se diz na minha terra, "até aí chegou o Neves!". Já toda a gente tinha constatado isso e é com imensa pena que vejo o chefe de Estado português a proferir, na solenidade da noite que antecede o ato eleitoral, uma banalidade que as últimas semanas transformaram numa verdade de La Palice.

Se o senhor presidente, que tem um batalhão de conselheiros a assessorá-lo para as suas tomadas públicas de posição, e que está no cargo há bem mais de seis anos, tivesse, a tempo e horas, dito aos partidos o que ontem disse, talvez as eleições autárquicas que hoje se disputam tivessem decorrido num melhor ambiente de informação democrática. Do mesmo modo que, também há muito tempo, com a sua autoridade institucional, poderia ter espoletado uma clarificação da lei dos mandatos, que acabou por transformar estas eleições num triste espetáculo de ambiguidade e cobardia legislativa.

Só podemos esperar que o senhor Presidente da República, na comunicação que fará ao país na véspera das próximas eleições legislativas, não venha a surgir nos écrans televisivos a lamentar, dessa vez, que os partidos políticos não tenham entretanto empreendido uma revisão da lei eleitoral para a Assembleia da República, encurtando os ridículos longos prazos, a montante e a juzante do ato eleitoral, que, pelo menos de quatro em quatro anos, contribuem para atrasar a normalidade da vida política, económica e social do país. Nessa que irá ser a sua derradeira intervenção num contexto similar, seria desejável que o chefe do Estado pudesse colocar a crédito de uma sua atempada intervenção a fixação de um quadro legislativo com calendários mais céleres e menos burocráticos.

24 comentários:

Alfredo Caiano Silvestre disse...

Com o devido respeito, sugiro que altere "tivesse despoletado" para "tivesse espoletado".

Anónimo disse...

Caro Francisco,
Já há algum tempo que não "navego" por estas "águas". Pois bem, valeu a pena o "mergulho". Grande Post! Corajoso q.b. "Chapeau"!
Nem mais! Ora bem!
P.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Alfredo Caiano Silvestre: tem toda a razão!

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro P: começo a não ter paciência para meias-verdades. Um abraço

Isabel Seixas disse...

"até aí chegou o Neves!".

Oh, como concordo .
O óbvio não está sempre ao alcance de todos.

Jose Martins disse...

Senhor Embaixador,
Fui um felizardo! Não ouvi, ontem, o senhor Presidente da República. Ventos fortes fizeram mudar a posição do prato satélite da varanda de minha casa e fiquei sem televisão e só na segunda-feira será reparado. Já chega de o ouvir há 28 anos!
Saudações de Banguecoque

ignatz disse...

o sr. silva enche xóriços e o sr. costa crítica o tempo de cura do fumeiro. na minha terra, o neves chama quinquilharia a estas conversas sobre obviedade mórbida.

Anónimo disse...

Esse Senhor está nesta reforma dourada desde há mais de sete anos e meio, ou seja desde Março de 2006. Com os poderes que a Constituição lhe deu desde o primeiro dia do seu mandato, não restam dúvidas de que é o principal responsável pela crise que o país atravessa desde 2010. Que fique bem claro: Foi antes de tudo a absoluta incompetência de Cavaco que nos colocou na situação em que estamos. A História registará que ele planou sobre os nossos problemas. Nunca agiu e, quando reagiu, reagiu da pior maneira. Um mandato e meio absolutamente lamentável, só comparável ao de Américo Thomaz, nos últimos cem anos. Este mostrava aquilo que era: um fantoche fascista, nas mãos de Salazar e,depois, dos ultras do regime. Cavaco, está nas mãos dos seus amigos do banco do seu PPD (vulgo BPN) e nas de D. Maria. E nas suas próprias e limitadas mãos. Quem se lixará por muitos anos é, como de costume, o povo português.

patricio branco disse...

sem duvida, este é o presidente da ambiguidade, faz uma coisa dentro dos gabinetes de belem, ou não faz essa coisa, e depois vem falar em publico que discorda, que não pode ser assim, que a populaça, e é assim que no fundo somos considerados, não aguenta mais, que a lei não presta, que os partidos isto e aquilo, que está um dum e não um da, etc
no ranking dos presidentes, da sua actuação, terá o seu lugar assegurado, etc etc
optimo post, por mim recuso-me a vê lo e escutá lo, mas escutar tambem é necessario para depois se comentar, claro.
já agora, para que serve esta mensagem ao povo, da noite anterior, tem utilidade?

Anónimo disse...

Já não ouço o Presidente da República, assim como as declaração de circunstância de qualquer politico, que são praticamente todas.
Mas é preciso não estarmos sempre a bater no ceguinho! Todos falam disto desde sempre e ninguém faz nada. SÃO TODOS IGUAIS! (com o devido respeito…)
Bem vou votar!...
António pa

opjj disse...

V.Exª deve perguntar; o que andaram a fazer tantos deputados durante estes anos? Se não resolveram foi porque não quiseram, e como se não bastasse culparem o Presidente!V.Exª tem memória e sabe que há bem pouco tempo os partidos andaram a enlamear para o enfraquecer o nome do Presidente.E conseguiram.Foi preciso o Dr.Vital Moreira, com elegância, algumas vezes pôr água na fogueira.

BH

Anónimo disse...

Nem mais!

Nas próximas eleições volta a fazer o mesmo discurso...

Isabel BP

Anónimo disse...

O problema é que o Neves sabe isso e muito mais, não faz nenhum, e quando as consequências se manifestam ainda por cima barafusta contra os que tornam a chamar a atenção!
João Vieira

Guerra disse...

Se esse senhor nos desse o prazer da sua ausência, seriamos um povo com sorte.
Cumprimentos á da Bila

São disse...

Com o devido respeito, o Exº Sr. Professor Dr. Cavaco Siva é uma nulidade!

Desejo-lhe sucesso neste domingo.

Os meus cumprimentos !

Anónimo disse...

Ninguém pode ser reconhecido como moralmente honesto enquanto continuar escravo das suas paixões e das suas crenças,cego pelo "fulgor" das ideias "jacobinas" e dependente da sociedade mundana !


Alexandre

Anónimo disse...

Este senhor anda sempre atrasado nas suas decisões. Com montes de "conselheiros" a ganhar montes de euros, é caso para dizer: vão para casa e deixem este país governar-se por si. Ficará na História como o presidente "0 à esquerda"

Carlos Fonseca disse...

Com o respeito que é devido ao cargo, na minha terra, ao que o dr. Cavaco disse, chama-se "conversa do Manel das vacas" ou "estar a estrumar para abóboras".

Mas alguma vez, ao longo da sua vida política. ele deixou de adubar as abóboras?

Anónimo disse...

Anónimo disse

Eu cá quando soube quem era, mudei logo para o Panda.
Tomar decisões? isso é que era bom!
Um engonhado, arrevesado e abominável Senhor Embaixador.

Anónimo disse...

Acho que o P.R. está muito bem assim. Ele é finalmente o espelho da nação e só o é porque votaram nele.

Anónimo disse...

Caro Caiano e caro embaixador:
Quanto ao despoletar/espoletar, discordo da vossa opção pelo espoletar. Na minha opinião, apoiada pelo Houaiss, é despoletar. Poderia ter despoletado uma clarificação = poderia ter desencadeado uma clarificação. O Dicionário da Academia, nem vale a pena consultá-lo, dado que navega no reino da omissão.Para não entrarmos em ginástica linguística e para salvar a honra do convento, usem a que quiserem

Anónimo disse...

Com a devida vénia, transcrevo, do dicionário_Priberam-online

«despoletar [Definição]

Que palavra deve substituir despoletar no sentido de "no encadeamento de uma acção, surge uma outra sequência". Basicamente, uma tradução capaz para o termo trigger em inglês no domínio da informática.
Nuno Ferreira (Portugal)

A palavra despoletar encontra-se registada no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa e noutros dicionários de português, como o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa / Editorial Verbo, 2001), o Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa (Lisboa: Círculo de Leitores, 2002) ou o Grande Dicionário Língua Portuguesa (Porto: Porto Editora, 2004), com os significados i) "tirar a espoleta, impossibilitando a explosão" (ex.: despoletar uma granada), ii) "anular, travar" (ex.: despoletar um movimento de contestação) e iii) "fazer surgir ou desencadear" (ex.: despoletar comportamentos preventivos).

Este último uso é bastante generalizado, mas contestado por alguns autores, que alegam tratar-se de um emprego contrário ao sentido original da palavra. Uma vez que a espoleta é peça que desencadeia a explosão, removê-la implica impossibilitar a explosão, como indicam os sentidos i) e ii) de despoletar acima.

Poderá tratar-se de uma acepção em que o prefico des- tem um valor protético, isto é, não acrescenta nenhum valor semântico à palavra a que se apõe.

Se preferir contornar a controvérsia, pode utilizar neste caso, e com o mesmo sentido de iii), os verbos deflagrar ou desencadear.»

Alfredo Caiano Silvestre disse...

Se despoleto, retiro a espoleta. Ora nunca vi uma explosão com uma arma despoletada.

Ou seja para que haja deflagração é necessário que seja espoletada.

Passe bem.

Anónimo disse...

Sobre o despoletar/espoletar, podem recorrer a uma senhora que se diz Edite Estrela, que agora já estará disponível para esclarecer, dado que já não tem de andar colada em lugar bem visível ao Dr. António Costa, ao Dr. Seguro, ao Dr. Sócrates (está em todas quando lhe cheira a penacho), nem instalar-se em primeira linha no cadeirame do Hotel Altis, nem a perorar na Universidade de Verão em Évora (deu azar ao candidato do partido dela).Será que ela tem grude? Que se passa com o seu fácies que já não consegue rir, apenas sorrir, monalisando? Ela é tida como ex(s)perta em questões de língua. desde que a presentearam, em tempos idos, com um programa na TV. Ela poderá despoletar-nos/espoletar-nos tamanha questão.