sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Arquiteturas

Abri ontem o "Le Monde" e dei de caras com um título: "Lisboa, sim! Mas não para a Trienal de Arquitetura". O jornal francês lançava um forte ataque ao evento em curso na capital portuguesa, cujos organizadores são acusados de "preguiça maximalista e lúdica", da qual terá resultado uma mostra "pretensiosa e naïf". Tomei nota, mas não tenho a menor opinião sobre se o "Le Monde" tem ou não razão.

O artigo não deixa de notar que Portugal continua a ser um dos raros países do mundo que tem dois arquitetos a quem foi atribuído o equivalente ao prémio Nobel da Arquitetura, o prémio Pritzker: Siza Vieira e Souto Moura. (Por curiosa coincidência, vou participar hoje num almoço de trabalho destinado a lançar uma iniciativa que tem como objetivo reforçar o reconhecimento internacional da nossa arquitetura).

Voltando ao texto do "Le Monde", registe-se o retrato cruel, mas infelizmente verdadeiro, que o jornalista produz sobre a Lisboa de hoje: "uma multidão de sem-abrigo, uma miríade de estabelecimentos comerciais fechados, obras suspensas ou quase um pouco por todo o lado e uma impressionante série de imóveis com janelas fechados ou quebradas, deixadas ao abandono, arruinadas". Não obstante, o jornalista estimula a que se visite Lisboa, dando sinais de clara solidariedade com um país em crise. Só faltou falar deste sol magnífico, que nem a crise nos tira!

12 comentários:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Também li - e fiquei envergonhadíssimo.

O homem até tem razão. E vem o Paulinho das Panelas dizer que "a economia portuguesa já saiu do fundo e que a questão agora é saber a que ritmo vai crescer, de forma a garantir riqueza e emprego."

Falta de vergonha, de decência, de honestidade; falta de tudo. O que num primeiro-min...digo, num vice-primeiro ministro é grave...

Anónimo disse...

Eu sei que há crise e grave. Mas a situação deplorável da cidade é anterior à crise e não noto que o Dr. António Costa tenha feito alguma coisa para reverter a situação do estado de abandono da cidade, com excepção da reabilitação do Terreiro do Paço.

Anónimo disse...

Admito estar errado, mas estou convencido de que ter prémios Nobel de arquitetura tem “prejudicado” a própria arquitetura portuguesa.
Enquanto os avanços técnicos podem facilmente (e devem) ser seguidos, para seguir a arte é necessário também ser muito bom (ou até melhor) no ofício. Na maioria dos casos dá asneira da grossa!
Opinião de um engenheiro.

Anónimo disse...

ate parece que em franca nao ha sem abrigos...
e a mim parece-me que sao tratados como se fossem lixo...
os nossos sao-o mas e pelo governoe e pelos politicos da tanga que temos...

ah e é verdade ha 500 000 habitacoes vazias em portugal...





Anónimo disse...

Ao anónimo das 9:24
Arquitetos e engenheiros nunca se entenderam. Melhor seria que a sua tese fosse no sentido da Lisboa degradada, que a todos nós desgosta.

Anónimo disse...

Na foto que ilustra, aparece uma mulher "sem abrigo", que é certamente dos países de leste, conclusão minha pela sua vestimenta. Mas em Paris também há "resmas" deles/as...

Catinga disse...

E não se consegue que o jornalista escreva corretamente os nomes dos arquitetos? Ou faltam acentos nos teclados franceses?

Anónimo disse...


O guardian também dedicou em 17 de Setembro um longo artigo à trienal, aliás bem mneos cáustico do que o do Le Monde. Por outroa lado, não tenho visto nos media portugueses a atenção ao evento que,pelos vistos, merece de dois dos maiores jornais do mundo.

Anónimo disse...

Este "blog"está cada vez mais interessante.
Não só pelos "posts" do escriba como também pelos comentários dos leitores, onde se nota com muita clareza aqueles que ainda teem uma vizão de esquerda dos anos 70/80 e aqueles que já entenderam que a vida não é uma utopia. Vamos ver até onde isto vai estremar e provocar a explosão social.

Anónimo disse...

Sim, Catinga, faltam acentos no teclado francês! E no inglês não existe nenhum... E tambem jà estamos mais que fartos das (vossas) lições d'ortografia...

Catinga disse...

Nada disso, anónimo totó, no teclado francês não faltam acentos (o que só acentua a sua falta de estilo).

Já agora, escreve no plural porquê? Representa um par de neurónios?

Portugalredecouvertes disse...

Eu acho que os portugueses são bons construtores/e/ou arquitectos
basta ver a quantidade de sítios, cidades e monumentos espalhados pelo mundo, declarados património da humanidade pela Unesco

Macau, Goa, tantas outras no Brasil, em Portugal também, etc. tudo da arte do pedreiro!
também penso que os espaços deveriam ser mais cuidados em Lisboa, o que aliás acontece por todo o país,
não terá a ver com a arquitectura