segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Amistoso


Faltava menos de um mês para eu encerrar a minha missão no Brasil. A seleção portuguesa de futebol fora convidada para a inauguração do "Bezerrão", um novo estádio de futebol construído no Gama, nos arredores de Brasília. Ia cheia de vedetas, o que, por antecipação, fazia vibrar de entusiasmo a comunidade portuguesa local. Alguns diziam-me: "que sorte, embaixador, poder ter por aqui a nossa seleção, logo no fecho da sua estada no Brasil!". Eu, sempre nada fã das soluções de Carlos Queirós, tinha um mau pressentimento. Mas, pronto!, lá fui para o estádio, cachecol ao pescoço, com a embaixada em peso de verde-e-vermelho e as bancadas cheias de compatriotas ansiosos de bandeira em punho.

Os alunos de uma escola primária, para crianças desfavorecidas, que a embaixada apoiava, entraram em campo pela mão dos nossos jogadores, radiantes! Depois, foi o que se viu. Uma equipa displicente e mal dirigida, que parecia estar a fazer um frete, que não corria, que não se empenhava e, muito em especial, que não percebia que um jogo "amigável" (ou "amistoso", como se diz no Brasil) tem uma importância muito grande para a comunidade portuguesa expatriada ou descendente. Para os jogadores aquilo era um jogo-treino, para os portugueses era o orgulho nacional que estava também em jogo. Para o senhor Queirós, que se entretinha em substituições para "fazer" internacionais, aquilo era, aparentemente, pouco mais que um jogo-entre-solteiros-e-casados.

Perdemos por uns imensos 6-2. Uns dias depois, em Nova Iorque, o colega que me ia substituir em Brasília, o embaixador João Salgueiro, deu de caras com Pelé, num restaurante. E apresentou-se, como futuro representante diplomático português no Brasil. Pelé retorquiu: "vai substituir aquele embaixador de cabelos brancos, que eu conheci, muito triste!, em Brasília, na noite em que Portugal perdeu por 6-2 conosco?". O meu colega confirmou. Eu estava, de facto, bastante triste e isso não deve ter escapado a Pelé. O que ele não sabia é que tê-lo conhecido terá sido a minha única alegria daquela noite.

Boa sorte para esta madrugada!

Em tempo: afinal, foi o que se viu. Com toda a tranquilidade...

3 comentários:

Mônica disse...

Senhor embaixador Francisco!
Eu gosto demais quando cita algo sobre o Brasil;
Minha irma vai fazer 50 naos de vida e 25 de casadas e escolheu Portugal pra conhecer. Uma pena eu nao poder ir!
Mas estou feliz por eles!
com carinho MOnica
Ha! Ainda bem que faz tempo! Hoje é capaz de Portugal empatar né com o Brasil.

Anónimo disse...

Nem precisa de empatar né. Por mim, pode ser só a um.

Anónimo disse...

Aqui pratica-se a hipocrisia tuga.