domingo, 15 de setembro de 2013

Ainda a Europa

A reflexão que a fundação Francisco Manuel dos Santos promoveu, durante dois dias, sobre o papel de Portugal na Europa, ouvindo algumas vozes estrangeiras autorizadas e auscultando o parecer de personalidades portuguesas ligadas ao tema, constituiu um exercício muito interessante e, acima de tudo, extremamente construtivo. Salvo casos desgarrados, os intervenientes dentre os cerca de 1300 participantes colocaram questões muito pertinentes e deram voz concreta a muitas das preocupações que, sobre o projeto europeu, hoje atravessam a sociedade portuguesa.

A questão do euro - dos seus efeitos, do seu futuro e do papel de Portugal no seu seio - esteve sempre presente, de uma forma muitas vezes angustiada, ao longo do debate. Como o estiveram as indecisões em torno da situação europeia, as dúvidas sobre a "vontade" alemã para lhes fazer face e, em todo esse contexto, a atitude que Portugal pode ou deve assumir no plano externo.

Gostei, francamente, de me sentir algo "isolado" na conferência. Descontando alguns nomes mais conhecidos, notou-se que o debate europeu em Portugal mudou já de mãos, para uma nova geração, sem tabus, disposta a confontar ideias feitas, talvez já menos idealista mas bastante mais pragmática e objetiva nas suas escolhas e opções de futuro. Foram poucas as pessoas conhecidas que cruzei no auditório, o que é uma realidade magnífica, porque dá conta de que um outro país começa a apropriar-se desta discussão ou a interessar-se por ela. E foi muito bom testemunhar a qualidade por detrás de muitos comentários e questões colocadas, por vezes num excelente inglês, com observações francas e uma fundamentação sólida.

Não posso deixar de registar, por fim, uma nota de admiração e apreço ao trabalho excelente de Marina Costa Lobo, que orientou o "desenho" de todo o exercício, bem como à equipa logística que fez o "milagre" de conseguir respeitar a pontualidade e a observância estrita da agenda. Também por aqui se prova a "integração" europeia de Portugal.

Em tempo: logo que possível, farei por aqui um link para o teor da minha (pelos vistos, tida como polémica) intervenção neste debate.

6 comentários:

Anónimo disse...

Como sou da mesma geração do embaixador e também já não conheço ninguém, tive um enorme gosto em ler este post porque julgo a minha geração um verdadeiro desastre e tenho muita esperança na das minhas filhas.
João Vieira

Anónimo disse...

Eu li as declarações do Senhor Embaixador, transcritas noutro sítio, e concordo com elas. O que se passou em Bruxelas na negociação sobre os próximos Fundos europeus foi uma verdadeira traição à Pátria. Muito do dinheiro que poderia ter vindo vai agora ser substituído pelo aumento dos nossos impostos ou poderia ter evitado os aumentos já ocorridos. Entretanto, vende-se património do Estado, como Embaixadas ou Consulados, que são "peanuts", se comparados com o dinheiro que perdemos pela incompetência, a desenvoltura e a ignorância dos nossos governantes. É claro que vender é mais fácil do que negociar. Uma autêntica vergonha!

Anónimo disse...

O Pingo Doce "atento" à Europa! Mesmo a 30 euros por participante, seguramente que teve lucro. Tudo espremido o que é que se aproveita?
Gazed

Anónimo disse...

qual e a diferenca entre ter sido o pingo doce ou a mercearia silva?

Anónimo disse...

Já não era sem tempo que uma nova geração de pessoas mais pragmáticas e menos idealistas começassem a entrevir na vida política deste país. Espero que sejam as novas gerações que nos façam continuar na E.U.

Anónimo disse...

Lamento dizer, mas pagar 30,00€ só quem pode. Os outros, ainda que tenham algo a dizer, ficam excluídos. Sempre mais do mesmo. O Dr. Barreto, os senhores da Av. de D. Carlos,as personalidades a quem 30,00€ não fazem falta, podem não ser os mais inteligentes, mas são os que peroram. Nunca mais saímos disto. O dinheiro paga cargos e titularidades, e os parolos vão atrás para o Pedro Nunes, para verem e serem vistos. O problema do país é este.Uns passam entre a chuva, outros passam entre as benesses. E dizem que reflectem sobre o país. Assim, também eu. Por onde anda a consciência patriótica e reflexiva deste país? Um prato de lentilhas paga tudo. Mesmo os que, televisamente, se arrogam serem a consciência do país, genevianamente (genebrianamente) ou douramente. O pessoal começa a estar farto. E por que é que continuam a ter sempre tempo de antena, em horário nobre? São sempre os mesmos na Fundação Francisco Mabuel dos Santos, na Fundação Gulbenkian, em Serralves, etc., etc. Que lhes faça bom proveito!!!