sábado, 3 de agosto de 2013

Monoglotismo político

Notícias recentes, a confirmar, dão conta das mais do que duvidosas qualificações linguísticas de um certo membro do governo, com responsabilidades na área externa. Nada que já não tenha ocorrido no passado, convém lembrar. A serem verdadeiros tais rumores, logo que atravessada a fronteira do Caia o nosso governante entrará num irrecuperável estado de incompreensão perante os seus eventuais interlocutores, o que introduzirá alguma singularidade na nossa ação diplomática, se bem que, de forma implícita e com patriótica soberba, dê conta da prioridade que atribuímos à lusofonia. Porém, há quem não dramatize tanto esta falha ao lembrar que, no caso do político em questão, ela pode ser compensada, numa certa escala, pela facilidade semiótica de recurso ao léxico gestual simbólico que é próprio de certos ritos universais a que o nosso homem regularmente se aventala.

Qual poderá ter sido a racionalidade subjacente a esta escolha? Tenho uma explicação, que vale o que vale. 

Em tempos em que a discricionariedade e o arbítrio, senão mesmo algum nepotismo, comandavam a administração da diplomacia portuguesa, dizia-se que havia sempre uma explicação para que alguém aparecesse destinado para a embaixada em Londres: ou porque, bem educado, sabia falar muito bem inglês, ou ia trabalhar para escritório de Belgrave square porque o ministério, num acesso de generosidade pedagógica, havia decidido proporcionar-lhe um ensejo para se aprimorar na língua de Shakespeare.

Se esta espécie de "estágios" se aplicavam aos diplomatas, por maioria hierárquica de razão devem ser extensíveis a políticos que os titulem. 

21 comentários:

Mônica disse...

Senhor Francisco
Ando atarefada por isso nao tenho estado por aqui. Mas voces meus amigos continuam morando no meu coraçao.
Como o Papa que parece vê na multidao um conhecido e se alegra em ve lo. Eu tambem me alegro quando leio apaesar de com o tempo parecer mais facil suas licoes politicas, mas ao mesmo tempo eu ainda nao consigo compreende las de verdade.
Por isso, continuo a dizer como o Papa Francisco. Bom dia! Tenha um abençoado sabado.
Com o mesmo carinho de sempre Monica

Helena Oneto disse...

Excelente!!!

ignatz disse...

deve ser este
http://www.youtube.com/watch?v=EnfwyMwQJsM

Anónimo disse...

Ou seja, no MNE está-se entre o 8 e o 80. Um Secretário de Estado (S.E) que não fala línguas e um Ministro que é poliglota. Em compensação, o S.E não tem rabos de palha, mas tem o Ministro...de sobra.
A Lei das Compensações a funcionar.
a)Claustros

Anónimo disse...

Finalmente, um português de lei! Alguém que não se limita a defender a necessidade de falar "patrioticamente mal" as línguas estrangeiras, como formulava magistralmente o nosso Eça, mas que vai ainda mais longe no seu patriotismo e se recusa mesmo a falar ou entender qualquer dessas línguas. Enfim, alguém que não se verga aos interesses dos estrangeiros, não se rebaixando a praticar os seus arrogantes idiomas. Não sei quem é o patriota, mas desde já lhe manifesto a minha inquebrantável solidariedade e se não posso imitá-lo no feito (infelizmente falo francês e inglês, meus pais a isso me obrigaram), emulo-o ao menos na alma. Emulo, sim senhor. E emulo quantas vezes quiser!

a) Henrique de Menezes Vasconcellos (Vinhais)

São disse...

A sua hipótese é muito razoável, mas eu proponho ainda outra.

Dado que o senhor só fala português ( e não tenho a certeza se bem) terá que ter um intérprete e, portanto, isso será mais uma medida contra o drama do desemprego.

E se a coerência ainda valer alguma coisa , deverá ser contratado um especialista acabado de sair da Universidade ou dentro da faixa etária dos vinte anos.

Bom final de semana

Anónimo disse...

Cá no Golungo ficámos curiosos e eu disse logo à Senhora Engenheira : "o Embaixador nunca nos dirá quem é o marau, não se vai descoser, temos que pedir ao Pepetela que nos empreste o agente Jaime Bunda para descobrir quem é o gajo". E a Senhora Engenheira não parava de rir. Olhe, não entendi...

a) Feliciano da Mata, politólogo a domicílio

iseixas disse...

Este país vai bonito, vai...
In FSC

Anónimo disse...

Uma velha tia avó minha nunca falou línguas. “Para quê?” exclamava. “Se cá vierem (a casa dela), ou me entendem, ou ficam a falar sózinhos. Eu é não me vou dar ao trabalho de os entender!”. Era assim. A única palavra “estrangeira”, como dizia, que sabia dizer era “bonjour”. “Porque lhe soava bem”, explicava. E já era um pau!
Se calhar esse governante, às tantas, ainda é meu parente em 3º grau. Querem lá ver?

Carlos Fonseca disse...

Presumo que não será o "velho" do folheto, que é homem muito batido em línguas - e não só (como se dizia muito nos idos de Abril).
Por isso, ou é o "rapaz", ou é o "burro".

Acertei?

Helena Sacadura Cabral disse...

O Senhor Dom Henrique de Menezes e Vasconcellos é um português de têmpera!
A D. Angela e o François que aprendam português. Nem mais!

Anónimo disse...

Não sabe é o Secretário de estado da Cooperação, Campos Ferreira, homem de muita cultura, também conhecido do Trio O Homem, o Rapaz e o Burro e por Secretário de Estado do Supositório num Video do Youtub.
Procure e encontrará, é de rir...

Anónimo disse...

e o senhor questao nao pertence as amizades do relvas?


bh

Anónimo disse...

O Senhor Embaixador é capaz de estar enganado. Esse membro do Governo deve ser como o Senhor Gromyko, o saudoso MNE da saudosa URSS ( o Mundo era muito mais seguro na altura) que falava perfeitamente inglês mas fingia o contrário, pois desde modo tinha mais tempo para pensar enquanto o intérprete fazia o seu trabalho.

Anónimo disse...

Não sei se me engano mas, tivemos e ainda temos um político importante deste regime que nunca falou inglês. Apenas francês e.... com um sotaque interessante.

Anónimo disse...

O que eu já me ri hoje! Bom domingo, Senhor Embaixador.

Anónimo disse...

Já estou por tudo quanto ao estado da Nação... mas pior que isso é falar e escrever mal a nossa própria língua ou roubar o erário público e ficar impune.

Preferia um governo composto por governantes sérios e que só falassem português compreensível do que sermos governados por crianças, a brincar aos adultos, que não têm pudor de qualquer espécie. Isto é válido para os últimos governos.

Isabel BP

Gil disse...

A mim, bastava-me que a maioria dos membros do Governo falasse português. Mas isso, provavelmente, é pedir muito.

patricio branco disse...

não sei de quem se trata, não interessa, presumo o cargo ministerial, não só este mas tambem outros, é apenas pretexto para que um sujeito possa estar dentro do clube, da sociedade lda, do grupo,não interessam para nada os conhecimentos de linguas estrangeiras que tenha ou das materias de que tratam, isto são pormenores actualmente sem valor, alem de que politica externa verdadeiramente abrangente e activa, estruturada,temos?
portanto, igual dá, nem foi lá posto para aprender com certeza.
o que a pessoa necessita saber já o domina, presumo igualmente...
e assim vamos indo, etc etc etc

Anónimo disse...

Será a desculpa para agora todos dizerem que não faziam ideia do que eram swaps?

Anónimo disse...

Excelente post!
Mas vejo que as biografias oficiais continuam férteis em criatividade. O novo ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, por exemplo, aparece como tendo sido, e cito, "Foi, entre 2009 e 2012, diretor da área de Economia da Energia e das Alterações Climáticas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em Nova Iorque." Não seria interessar perguntar ao PNUD se tal corresponde à realidade? Ou não terá antes sido apenas consultor na área do ambiente e da energia, sem sequer ter sido funcionário da casa?