sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Desapontamentos

O governo britânico ficou desapontado com o facto do parlamento se ter oposto à participação do país numa ação militar contra a Síria, mesmo se os peritos das Nações Unidas vierem a confirmar que o respetivo regime utilizou armas químicas na guerra civil.
 
O governo português manifestou o seu desagrado pelo facto do Tribunal constitucional, respondendo a dúvidas suscitadas pelo presidente da República, ter rejeitado a constitucionalidade da lei que flexibilizava regras laborais na função pública.
 
É humano que os executivos reajam à derrota das suas propostas. Porém, um democrata mede-se pelo modo como respeita, em qualquer circunstância, as decisões das instituições que lhe não são favoráveis. Ponto.

18 comentários:

ignatz disse...

claro, este governo só tem reacções humanas perante a democracia.

Bmonteiro disse...

Tudo dito,
se passado com gente adulta.
S/mais comentários.

Joaquim De Freitas disse...

No primeiro caso, que a "Mae dos Parlamentos", o Parlamento Britânico, se oponha a uma guerra onde todos os componentes eventuais apresentam perigos imensos para a paz mundial, honora-o.
De certeza que os parlamentares britânicos tiveram presente no espirito a grande mentira de Blair sobre as AMD de Hussein, que ...nao existiam, mas que custou dezenas de mortes de soldados britânicos...e centenas de milhares de mortos iraquianos , para nada!

Por outro lado, Cameron queria fazer esquecer ,com uma decisao de politica exterior, o péssimo resultado da gestao conservadora da politica interior. Nada melhor que os outros parceiros da UE, apesar de dispor duma moeda propria e dum banco central independente.
O facto também que Obama nao esteja là muito interessado em acompanhar os Franceses e os Britânicos na aventura, pesou de certeza na decisao parlamentar. E a opiniao publica também.

Quanto ao segundo caso, o da decisao do Tribunal Constitucional Português de desaprovar a lei que o governo queria impôr, sob ëxigência da troïka, isso prova que os politicos e neste caso os governantes têm uma ideia muito vesga da democracia, que querem utilizar so quando esta lhes convém para defender os seus interesses particulares ou os dos seus mandantes. Navegam à vista!

No fundo sao democratas mas so de nome.

Anónimo disse...

De acordo, mas, o que pode ser feito para parar a monstruosidade do que esta a suceder na Siria?

Anónimo disse...

O juramento que é feito para cumprir e fazer cumprir a Constituição, está incompleto... Deveriam acrescentar: “De acordo com as circunstâncias de momento”…

Anónimo disse...

Quanto ao segungo caso:
Vamos ver como vão reagir os nossos credores e se nos fecham a torneira.
Fica tudo em aberto.
Pode ser mesmo que nos expulsem da EU. Veremos...

Francisco Seixas da Costa disse...

Ê impressionante o grau induzido de culpabilidade e medo
que hoje marca o imaginário português face ao processo de ajustamento. Há que reconhecer a eficácia do processo de "spin", ou de "apsic", como se dizia no meu tempo.

Anónimo disse...

Hoje no Diário Económico online:

Traders apontam decisão do TC para justificar subida das taxas de juro nacionais no mercado de dívida.

"Era uma medida [mobilidade no Estado] através da qual se conseguiria alguma poupança, pelo que [a decisão do TC] tem um impacto negativo" sobre a dívida portuguesa, referia um ‘trader' à Reuters.

A taxa de juro implícita das obrigações do Tesouro a 10 anos subia 15 pontos base para 6,82%, de acordo com dados da Reuters. No prazo mais curto, a dois anos, o agravamento do risco era mais intenso, com a ‘yield' nesta maturidade a crescer 21 pontos até 5,44%.

Nas últimas semanas, e depois da crise política de Julho, as ‘yields' nacionais negociavam com alguma estabilidade.

A percepção de risco para com as dívidas italiana e espanhola também aumenta nesta última sessão de Agosto, mas de forma menos expressiva.

A pressão sobre Portugal é ainda visível no mercado accionista, com o PSI 20 a cair agora 1,2% para 5.830,97 pontos, um dos piores desempenhos na Europa.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Anónimo das 11.54: o mercado secundário é relsativamente irrelevante. O que o mercado pune é a flagrante ausência de estratégia.

Anónimo disse...

Sei não.

Anónimo disse...

Como é confortável a análise sobre o ajustamento por quem vê de fora do “spin” ou está mais à vontade!
Como dizia o nosso saudoso conterrâneo Carlos Fernandes: pimenta no … dos outros é refresco…
Quanto à Síria é reveladora a diferença entre o que se passa no RU ou em Portugal: DC está com uma crise em cima por ter hesitado na solução óbvia (lição histórica) para o conflito, aprovada no parlamento – diplomacia e diálogo. Cá o TC chumba, chumba, chumba, mas tudo vai durando, durando, durando…

Joaquim De Freitas disse...

Ao anonimo das 12:15 : " DC està com uma crise por ter hesitado na soluçao obvia ? . Liçao historica ? " Qual liçao ? A do Afganistao, ou a do Iraque, ou a da Libia?

Quando o ocidente nao quiz intervir na guerra civil russa nem na espanhola, hà dezenas de anos, como serà possivel intervir na Siria com um jogo muito mais complicado pela presença de duas grandes potências mundiais - Russia e China - face ao ocidente, com arsenais muito mais dissuasivos que a brigada vermelha moscovita?

Quanto a Portugal, a margem de manobra é minima, porque Portugal nao é mais um Estado soberano. Nao tem politica estrangeira e nao pesa nada no jogo actual. Nao é com a GNR no campo de batalha, como no Kosovo ( na rectaguarda do campo de batalha)que a presença ou nao de Portugal tem alguma importância.

Portugam so pode implorar as boas graças da UE para o ajudar a sair da situaçao de perigo actual, dando provas de solidariedade com nao importa qual politica decidida pelos mandoes extriores.

Nicles disse...

Estratégia é o que os "especuladores" fizeram em todos os perdócios que obrigaram o contribuinte português a pagar as mais-valias, até hoje não criminalizadas, dos nossos conterrâneos em empreendimentos: BPN, BPP, etc. Quem não tem independência, não pode escolher entre estratégias, obedece toda a vida (vi ontem isso na série que está a ser emitida na RTP2, relacionada com o processo dos Távoras). Todo o mundo é confuso, blá, blá, blá, blá,....

Anónimo disse...

@ Joaquim De Freitas:
Não se esqueça da nossa localização estratégica, a qual nos tem valido de muito ao longo da nossa História.

Joaquim De Freitas disse...

Anonimo das 16:37:

A posiçao estratégica de Portugal, entre a Europa e a América
nao tem o mesmo valor que nas guerras do passado, agora que os misseis transcontinentais podem levar cargas destruidoras a milhares de kms de distância, a partir de bases no solo ou de submarinos nucleares.

Esta é a razao que levou os Americanos a instalarem misseis de intercepçao nos paises na Europa ocidental, em vez de esperar pelos lançamentos inimigos e de os ver passar por cima de Nova York.

Joaquim De Freitas disse...

Ao anonimo das 09:15:

Claro que para alguns, a soluçao seria de fazer mais uma guerra "humanitària" ( sabe, aquela onde as bombas so matam os maus !).
No fundo, parece mais fàcil para os paises ricos fazer a guerra que combater o desemprego, ou aplicar taxas sobre as transacçoes financeiras,ou de lutar contra os paraisos fiscais, ou, ou, ou, -lista demasiado longa!

Para fazer a guerra, encontra-se sempre o dinheiro necessàrio,o tempo , a determinaçao e a energia necessària.

Imaginemos que os mesmos paises ricos do ocidente se decidissem de utilizar os mesmos meios , o tempo e a energia para estudar os problemas que desde hà muitos anos envenenam o ar da regiao! Tanto mais que estes paises foram antigos protectorados franceses e ingleses !

A Siria, o Libano, a Palestina, Israel fazem parte do mesmo problema, no qual a interferência dos EUA é primordial, além do Irao e do Iraque.

Acho que é simplesmente hipocrita da parte das chancelarias ocidentais de constatar o afluxo de refugiados palestinos, iraquianos, chiitas e sunitas na Siria, e de se admirar que esta situaçao possa criar problemas étnicos, religosos e nacionalistas que destabilizam a Siria.

E qualquer que seja a ponta que se lhe pega, encontra-se aqui sempre o problema de Israel e das relaçoes preferenciais com os EUA .

Isabel Seixas disse...

Credo...
Mesmo valendo-nos o 25 de Abril
O
"Em qualquer circunstância"...

é tão radical(...)

Dá que pensar,e eu a pensar que era democrata por inteiro, com essa escala de medida!!!...

vou mas é fazer o almoço e estender a roupa...

Anónimo disse...

É totalmente separável e compatível a atitude de "respeito pelas decisões do Parlamento ou do Tribunal Constitucional" com a possibilidade de não concordància com as ditas decisões! Seria fantástico que se tivesse que concordar e calar só porque os outros não tem a mesma opinião que nós!
João Vieira