segunda-feira, 1 de julho de 2013

Portugal...

Faz hoje precisamente cinco meses, passei a dirigir, em Lisboa, o Centro Norte-Sul do Conselho da Europa.

No dia em que assumi funções, dei-me conta de que, em frente do edifício, havia dois lugares de estacionamento, sob uma placa com a sigla "CPLP". Metros adiante, existia uma outra zona privativa de estacionamento, com uma placa que dizia "Conselho da Europa". A placa "CPLP" dizia respeito ao antigo ocupante das instalações, o Secretariado Executivo da CPLP, que dali se mudara há mais de meio ano, para outro local. A placa "Conselho da Europa" era a nossa.

Porque era injusto estar a obrigar a vizinhança, numa zona já de si com fortes dificuldades de estacionamento, a respeitar um espaço livre para uma instituição que já por ali não existia, dei instruções para se fazerem, de imediato, diligências para retirar a placa. Bastavam-nos os lugares atribuídos ao Conselho da Europa.

Começou a "saga". Falou-se com a CPLP, contactou-se o serviço do Protocolo do MNE, ligou-se à Câmara Municipal de Lisboa, informou-se a PSP. Meteram-se mesmo algumas "cunhas"! Cheguei a receber um "mas por que raio você se preocupa com isso? e um "mas isso prejudica-vos alguma coisa?"

Ao final da tarde de domingo, ao sair do Centro, olhei em frente: lá continua a placa "CPLP".

Portugal tem mesmo de continuar a ser assim? Ou sou eu que sou um "chato"?

16 comentários:

EGR disse...

Senhor Embaixador: o tipo de coisas semelhantes as que hoje relata são na verdade o espelho de um certa forma de funcionamento(?)de um certo Portugal.
Irritante ! Por isso V. Exa não é um "chato"

Isabel Seixas disse...

Pelo contrário promotor dos deveres de cidadania.
Agora aquando em auto gestão execute-se a bem da população.

margarida disse...

Para o sistema tão típica e incontornavelmente nosso, V.Exa. é um chato dos antigos!
Mas quem é que, no seu 'perfeito' juízo, se rala com o bem-estar dos outros?!
Querer mudar este estado de coisas, mais do que bafiento e calaceiro, é, no mínimo, ouvir o que ouviu.
E não ouvir o que não quiseram que ouvisse.
Continue, porém. "Água mole em pedra dura,tanto dá até que fura".
Se mais ninguém, a sua consciência agradecer-lhe-á.
Isso basta.

Isabel Seixas disse...

Agora, no exercício de funções aí pelo mundo fora, só O "vi" fazer démarches para colocar placas...

Mas não tenho nada contra as mudanças, muito menos no conteúdo funcional...

Anónimo disse...

Por essas e por outras é que continuarei um emigrante orgulhoso das coisas boas de Portugal. Voltar não volto...o meu chip já não funciona na terrinha....

Anónimo disse...

A história da placa de estacionamento recorda-me aquela frase de Coluche: "circulez y a rien a voir..."
José Barros

São disse...

Para um sistema como o português infelizmente continua a ser, é mais que "chato" é picuinhas.

E não ficarei surpreendida se sofrer multa alguém que lá estacione.

Boa semana

Anónimo disse...

creio que, com esta estória, o embaixador prova como está estrangeirado, porque se fosse português dos quatro costados teria mandado o sr. X do Centro Norte Sul tirar "dali a porcaria da placa" e mandá-la para o lixo!
João Vieira

PS só um alemão, ou suíço, é que faria as diligências e se preocuparia por elas não serem executadas!

Anónimo disse...

continue homem

se para tirar uma plaquita de nada é preciso um esforço daqueles... que até me doem as costas

nem quero imaginar o que estado em que nao deve estar o estado portugues...


faça como disse um comentador peça ao sr. X para ir tirar a placa, vai ver que ninguém diz nada..

e caso diga bastara o tal sr.X dizer mas isto vem da parte do sr.embaixador, para o policia autoridade dizer "a muito bem" e por-se a milhas porque nao quer problemas...

o que certamente explicara muitas outras coisas...









Francisco Seixas da Costa disse...

Para os comentadores mais afoitos: na realidade, trata-se de duas placas, no início e no fim do estacionamento, solidamente implantadas no solo. Se eu as mandasse arrancar, tenho a certeza que "caía o Carmo e a Trindade" e ainda acabava em tribunal... Mexer com a inércia, neste país, é crime!

Anónimo disse...

Essa é uma mentalidade tacanha de quem recebe todas as benesses do governo e o resto que se lixe.

Anónimo disse...

Mas em Portugal, tudo o que seria fácil de resolver, é como o processo de Kafka... Bem atual é sobre o pagamento do IUC. Passou do milhão os contribuintes em falta, entupindo repartições e fazendo perder dias de trabalho aos faltosos. Mas tudo isto, na grande maioria, por um caso muito simples: Compra-se um carro novo ou velho. Quando já tinha um registado em seu nome, o stand que faz o negócio, habitualmente adquire o do cliente juntamente com os documentos. O objetivo é, posteriormente, vende-lo a um outro cliente, mas o novo dono, para não gastar dinheiro, circula com os documentos do antigo proprietário. Acidentes e multas e outras responsabilidades vão sempre chegar à residência do antigo proprietário. Mas isto era tão fácil resolver! Bastava que, ao entregar os documentos do carro, isso só fosse possível quando inscrito na Conservatória com os dados do novo dono. Eu até gostava de saber como isso se faz em países como França, Inglaterra, etc.. Muitas coisas, bastava aos nossos governantes copiarem, mas nem isso eles fazer...

Anónimo disse...

""Trinta oliveiras custaram 60 mil euros".

Esta noticia do CM, não deve ter utilzado, o seu correcto método de resolver o assunto da remoção da placa!

Alexandre

Portugalredecouvertes disse...


Sr. Embaixador
penso que neste caso seria útil o trabalho de um sucateiro

ié-ié disse...

Livro de Reclamações de cada uma das entidades, já!

LPA

Albino M. disse...

Também eu tive em tempos um serviço com espaço reservado para estacionamento (3 lugs).
Logo que pude, cuidei que assinalassem a limitação temporal de tal privilégio (9-18horas).
Mas levou algum tempo e... perplexidade!