segunda-feira, 1 de julho de 2013

Juventude

Estou num aeroporto, a aguardar um voo para a Tunísia, onde o Centro Norte-Sul organiza uma "universidade" dedicada à juventude europeia e magrebina, sobre cidadania global. Há muitas mais coisas úteis a serem feitas, por esse mundo fora, com vista a favorecer o diálogo entre pessoas com origens culturais diferentes do que se pode presumir.

É muito curiosa esta sensação de trabalhar, no dia-a-dia, com gente muito mais nova do que nós. Às vezes, interrogo-me sobre se a experiência que transmito não estará datada, se não tendemos a valorizar em excesso o que aprendemos nos tempos em que o tempo corria mais devagar. E, com alguma diversão interior, fico a imaginar o que realmente pensa de nós quem nos ouve, por detrás da educada paciência com que atentam nas ideias que lhes transmitimos.

Teremos nós a capacidade para entender o mundo novo à nossa volta? E, quando aceitamos esses estímulos que não resultam necessariamente da nossa época, não estaremos a assumir algum artificialismo no comportamento? Estaremos a tolerar o "jeunisme" ou apenas a ser paternalistas?

Há meses, um grande empresário português, homem bem mais velho que eu, a quem a idade física não atenua a estamina, fazia-me um curioso comentário: "Eu faço um esforço permanente para aceitar o novo, para tomar riscos e decisões como se tivesse 30 anos. Mas, às vezes, pergunto-me se todo este meu voluntarismo não estará a privilegiar uma busca obsessiva da novidade, em detrimento de algum ponderado bom-senso".

Fiquei a pensar nisto.

7 comentários:

jj.amarante disse...

Todos e cada um fazem falta numa sociedade, a idade é fonte de diversidade, não existem idades perfeitas.

margarida disse...

Um grande senhor, nascido em Setembro de 1934?
O seu 'receio' é de quem procura equilíbrio e justeza e não se tem dado mal.
Sempre existiram esses 'sobressaltos' ponderativos; sempre existirão: fazem parte do fluir do tempo e da evolução dos hábitos.
Se o que se aprendemos, valorizamos e pretendemos transmitir for válido na sua essência, o demais acomodar-se-á 'aos tempos'.
Não há que recear.
Às vezes sorrimos nós do que dizemos, outras, eles, do que ouvem.
É mesmo assim.
Boa viagem.

Anónimo disse...

Giovinezza giovinezza
Primavera di bellezza!


a) Henrique de Menezes Vasconcellos (Vinhais)

Portugalredecouvertes disse...


Acho que se os jovens falarem para si, quer dizer que também o ouvem...

Helena Oneto disse...

Nem "jeunismo" nem paternalismo. Por enquanto, ainda prevalece o bom-senso! Dieu merci! Mau mau é quando não ha dialogo possivel.

Isabel Seixas disse...

"Privilegiar uma busca obsessiva da novidade, em detrimento de algum ponderado bom-senso".
Citação de FSC

É um debate interessantissimo onde nem me atrevo a tomar partido, partilho do sentir da Helena Oneto, das fases de desenvolvimento ao longo da vida por exemplo as preconizadas por Jean Piaget, não podendo sequer
abstrair-me da influência marcante do meio ambiente.

Depois o que é bom senso?
Só se adquire com a progressão na idade cronológica?Veste-se de robe e chinelos a partir da hora do jantar? Neutraliza a libido?

Tenho de ir trabalhar, mas deixo um dos grandes amores da minha vida que não conheci infelizmente, mas que condiciona a minha linha de conduta mesmo a profissional,no meu conceito de bom senso...
não encontrei o texto em português

Freire also suggests that a deep reciprocity be inserted into our notions of teacher and student; he comes close to suggesting that the teacher-student dichotomy be completely abolished, instead promoting the roles of the participants in the classroom as the teacher-student (a teacher who learns) and the student-teacher (a learner who teaches).

Julia Macias-Valet disse...

Uma palavra está muito na moda : Intergeracional