segunda-feira, 15 de julho de 2013

Comidas

A delegação portuguesa, chefiada por um jovem governante que, pela primeira vez, se deslocava a Bruxelas, saía do edifício comunitário e encaminhava-se já para os carros quando o mais graduado dos técnicos presentes se aproximou do político e lhe sugeriu:

- Não alinha em comer uma "moules"? Conheço um sítio excelente, onde as há magníficas!

O governante (que nada tinha a ver com os Negócios Estrangeiros, note-se), um pouco embaraçado, respondeu:

- Sinto-me tentado! Mas o que é que fazemos com a nossas mulheres?...

Com maior ou menor rigor, garanto a veracidade desta história.

20 comentários:

Um Jeito Manso disse...

Sr. Embaixador,

É o que eu digo... antes de irem para certos cargos deveriam ser submetidos a testes de aptidão (antigamente chamados psicotécnicos e agora designados por assessment). Claro está que deveriam ser uns testes abrangentes, a saber:

- Saber estar à mesa
- Saber que o plural de qualquer não é quaisqueres
- Saber que moules não é o mesmo que mulas
- Saber que uma pessoa bem educada não chama mulas a mulheres, seja qual a sua ocupação
- etc, etc, etc

Assim, sem testes de aferição, dá no que dá: entra para cargos de governação tudo o que é cão e gato (sem desprimor para estes, claro, que são bichos de muita estimação).

Uma boa semana!

Isabel Seixas disse...

Do ponto de vista gastronómico o post é interessantíssimo, digno de Master Chefe...

Do ponto de vista sociológico como pano de fundo a democracia, a liberdade e a responsabilidade não arrisco sem painel de experts...

Além disso,
subscrevendo Um Jeito Manso,presumindo que na sequência da entrevista final de recrutamento dos Nossos representantes e na tal continuidade da prova de cultura geral se prossegue com literacia de prevenção de enfartamento por contágio e agora com Todo o rigor, conheço senhores que à posteriori a degustação da gastronomia diversificada e esquecendo o cholipin, a barreira dos sais de fruto o ENO e a umbrella não resistindo à tentação craving da sobremesa, importam para o leito conjugal síndromes de imuno deficiência adquirida... É É É a vida...

É por isso que nas ações de educação para a saúde se deve incluir que é preciso ter muito cuidado com "Embaixadores"pelo menos com alguns que denotem suscetibilidade a "intoxicação alimentar"...Não vá o diabo tecê-las...Embora pronto há sempre aqueles vulgares fatos de proteção astronauticos...

Agora morro de curiosidade de ver a ilustração deste post.

patricio branco disse...

desde que lhe dessem a solução...

Anónimo disse...

Estou a pensar que o governante “descaiu”, com certeza, face às “oportunidades” “elencadas” pelos seus predecessores na posição de “serviço pátrio” que iria assumir, com toda a dignidade. Diga-se… Os casos multiplicam-se e, para o “repasto” imaginado por este governante, já ouvi que nem sequer é necessário sair do hotel da reunião… basta subir uns “étages”… (atenção estou a contar o que OUVI e acho que, apesar da desgraça nacional, acompanho o Embaixador no divertimento).
A propósito: um conhecido escolhe os jogos do Benfica para se “desfazer” das mulheres…

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Esta é das melhores que tenho lido Senhor Embaixador. Soltei uma enorme gargalhada logo de manhã

Anónimo disse...

“Mula”, ou “Montada” (ter uma “montada”) eram termos que, lá para o Norte se usavam, de forma tosco-machista, nos idos de 50 e 60, para designar o “biscate” de momento. Aquele Portugal do Norte era assim. Possivelmente, a figura, esse ex-político, deveria ter raízes ali e ter ouvido os seus ascendentes referirem-se, em surdina, às suas amantes daquela forma. É uma especulação possível.
Nos anos de carreira que já levo, no MNE, deparou-se-me um ou outro Ministro e Secretário de Estado que se faziam acompanhar pelas suas “amantes”, embora disfarçadas com um determinado estatuto, ou cargo, no seio dos seus Gabinetes. Uma ocasião, um deles falhou uma reunião, no país que visitava oficialmente, “por estar ocupado”, com uma sua “assessora”, no quarto. E nada o demoveu.
Já lá vão umas 2 décadas. Ainda outro dia, o figurão perorava na TV, a propósito desta crise, dando o seu avisado conselho.


Joaquim De Freitas disse...

As "moules", marinières ou " à la sauce poulette", podem, em certos casos ser mortais para os homens! Passear no pais das "moules" comporta portanto certos perigos! As intoxicações não são raras! Sobretudo quando elas estão fechadas !
Assim, por exemplo, a esperança de vida dos homens no departamento do Norte-Pas-de-Calais, é só de 73 anos, enquanto as mulheres vivem mais 7 anos.

Mas as "moules" restam essenciais para manter uma boa saúde! Claro, não estão elas cheiinhas de omèga-3 ? Precursores de mensageiros químicos que favorecem o bom funcionamento dos sistemas imunitários, ( a imunidade diplomática " essencial em pais hostil !), circulatório ( liberdade de ir e vir!) e hormonal! Cá estamos : a "moule" é a vida !
O resto, são divagações "de l'après midi d'un faune" !

TesteOuteiro disse...

Eu, um comum mortal que comi mexilhões na Bélgica e não gostei, muito aprendo neste blogue.

Nomeadamente nos comentários!

Assessoras e massagens no quarto é para "gente fina".

Com o Benfica não me safava, se eu "fosse ver" o Benfica ela punha logo o cachecol vermelho do glorioso e acompanhava-me!

Anónimo disse...

OH Sr. Embaixador! Aquela sua anotação é geral e vincula todo o MNE? Não me diga!... Estas referências têm sempre um caracter ocasional! Não é? Costuma-se dizer: por acaso até nem tinha a ver com…! foi o que pensei. Agora “Todo o MNE?” Austrais? Todos?
Acho que quando fizer um safari no Botswana não vou encontrar espécies tão exóticas!...

Anónimo disse...

Mas o nosso governante até que estava certo. Na verdade "moules", tem algo de erótico, daí a associação...

João Andaluz disse...

Senhor Embaixador
Os meus melhores cumprimentos.
Acabei de ler o post, achei imensa graça e, acredite, não fiquei nada surpreendido.
Como diria meu Pai (q.D.g.) o que poderemos esperar dos filhos e dos netos das nossas sopeiras?
Renovo os meus cumprimentos.
João de Mariz Sarmento Macieira

Anónimo disse...

Os Jotas têm falta de educação no e do mundo, falta-lhes "tempo"de sociedade !!!!


Alexandre




Anónimo disse...

Pois é, como é que um texto seguramente escrito com a mais sã das intenções e revelador de esmerada educação e respeito do jovem governante, associados a um delicado perfil gastronómico, consegue perverter por completo uma tão libertina assembleia de comentadores.

É um facto que há mulheres, digamos senhoras (e até mesmo, digamos, homens) que não têm nas suas preferências gastronómicos, carne de ruminantes, também designada por carne de vaca ou mesmo de "cerastoderma edule", bivalve mais conhecido por berbigão.

Da mesma forma, é natural que outras não gostem, e mesmo que não suportem as referidas "moules", mesmo em língua estrangeira, e permitam-me que pergunte, que mal ou que estranho haverá nisso? Nenhum, penso eu.

Ora o citado missionário, provavelmente conhecedor das preferências gastronómicas das acompanhantes, terá tido aquele delicado comentário, com o qual seguramente mais não pretendia do que alternar uma seleção mais ao gosto das senhoras da comitiva, pois saberia do que estavam a propor-lhe.

Não consigo subentender que outro qualquer sentido possa ter, e por isso só o respeito me impede de praquejar - "honi soit qui mal y pense"

É por essa e por outras que este país não anda pá frente!

Um abraço, senhor Embaixador

Carlos Fonseca disse...

Uma história deliciosa, com um título soberbo.

JPA disse...

É por estas e por outras que "quem se lixa é o mexilhão".

Atenciosamente
JPA

Helena Oneto disse...

Este interregno chegou mesmo a calhar!
Subscrevo o comentador Carlos Fonseca! O titulo é o máximo:)!!!

Isabel Seixas disse...


Ainda as Moules que sem dúvida são bem boas...

Só para "descansar" o comentador Joaquim De Freitas

"Diz-se também que não há problema nenhum com os mexilhões que depois de cozidos continuam fechados – não estão estragados: apenas têm os músculos da concha mais fortes."

Isabel Seixas disse...

Gostei tanto da imunidade diplomática...

Anónimo disse...

Respondendo ao comentário de Isabel Seixas: mas também é por isso que os cozinheiros/as, quando eles não abrem, os deitam para o lixo...

ana v. disse...

Deliciosa história, já me fez soltar uma bela gargalhada.
(o pior é a vergonha de me saber representada por comedores de "moules" deste calibre...)

Boa semana, Senhor Embaixador.