terça-feira, 18 de junho de 2013

Virgin

A notícia não era inesperada, mas, como detentor do cartão Virgin, acabo de receber a necessária confirmação. O Virgin Store, dos Champs Elysées, de Paris, vai fechar. Da paisagem da avenida vai desaparecer uma das lojas que, desde há um quarto de século, bastante marcaram a cidade.

Agora que já saí de Paris, mais evidente fica para mim que uma visita à Virgin era uma das poucas razões que, nos tempos mais recentes, me levavam aos Champs Elysées. A artéria - talvez a mais bela avenida do mundo - transformou-se, há muito, num polo essencialmente turístico, onde os parisienses pouco vão, exceto para uns cinemas ou para uma noite mais requintada no Fouquet's. Lojas e mais lojas, restaurantes quase sempre sofríveis (embora um almoço de fim-de-semana no primeiro andar do Ladurée não fosse uma má ideia) e um trânsito pouco convidativo, em especial aos fins de semana, transformaram os Champs Elysées de hoje num lugar menos convidativo para quem vive regularmente na cidade.

A Virgin era, contudo, um pouso seguro onde quase sempre se encontrava o CD ou o DVD que há muito procurávamos. Na cave, tinha uma livraria muito bem arrumada, com uma excelente seleção de obras de referência e uma magnífica área de guias de turismo. Curiosamente, dou-me conta que passava por lá com mais regularidade quando visitava Paris do que quando por lá vivi - altura em que me abastecia de livralhada bastante mais na zona de St. Michel - na L'Écume des Pages ou na La Une -, na zona da Rivoli - na Galignani ou na WH Smith - ou na zona mais perto de casa - na Lamartine ou na Fontaine.

Vai-se o Virgin Store de Paris. É a vida!   

5 comentários:

Anónimo disse...

O tempo não está para virgens

Joaquim De Freitas disse...

Creio que não é verdadeiramente a vida, mas um sinal dos tempos que correm! Como a noticia dos 5.000 postos de trabalho "executados" hoje pela Commerz Bank, na Alemanha, ou a notícia dos 55.000 residentes que deixaram Portugal no ano passado pelas razoes que se sabe!

Ou ainda a revolta dos brasileiros contra a estupidez dos 15 000 milhões que vão ser gastos com os Jogos do Rio, enquanto que as escolas não têm dinheiro para comprar cadernos para os alunos, e os brasileiros não tem dinheiro para comprar os tickets do autobus! A sua amiga Mônica já se queixava há dias do preço dos tomates no Brasil !

Enfim é a vida! Eu ligo todos estes acontecimentos, que nos chegam agora diariamente, para me questionar, porque é que , face a tantas desigualdades, de desonestidade da parte das empresas, de brutalidade e corrupção política, nos contentamos de grunhir um pouco, de fazer umas manifestações "bon enfant", bem ordenadas, acompanhadas de sandwichs bio e de "poussettes" ?

Porque é que continuamos a nos deixar embobinar com JO inúteis, enquanto que a sociedade arde de impaciência!
Mas talvez a vida seja assim, realmente!

Creio que o fundador da Virgin, Sir Branson, é escocês. Dá-me vontade de assinalar que na Escócia do 21° século, um numero crescente de bancos alimentares foram criados. Milhares de pessoas que não sabem como se alimentar e alimentar os filhos, e o governo escocês informou na semana passad que 150 000 crianças viviam na miséria.

Entretanto, Virgin, como Vodafone, Google, Rangers FC e centenas de outras grandes empresas foram autorizadas a privar o tesouro publico de milhares de milhões de receitas fiscais, o governo de Westminster restando concentrado sobre o que os conservadores sabem fazer de melhor : penalizar os pobres.

Os empregados da Virgin, vão agora engrossar as filas daqueles que vão buscar as latas de conservas e os pacotes de spagetis aos bancos alimentares, sem que sejam os junkies-alcoolos "fainéants" que descreve a mitologia popular da direita.

Pois, é a vida, Sr. Embaixador

Joaquim De Freitas disse...

Nesta marmita sobre o lume do Brasil, onde nao so o preço do "bonde" està em causa, mas a corrupçao e a vida cara, pensei que este texto seria de actualidade!

Reparem quem escreveu o texto.

Luis Fernando Veríssimo, filho do Erico.

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Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e o levaram para a delegacia.

D - Delegado
L - Ladrão

D - Que vida mansa, hein, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!

L - Não era para mim não. Era para vender.

D - Pior, venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!

L - Mas eu vendia mais caro.

D - Mais caro?

L - Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas galinhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.

D - Mas eram as mesmas galinhas, safado.

L - Os ovos das minhas eu pintava.

D - Que grande pilantra... (mas já havia um certo respeito no tom do delegado...)

D - Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...

L - Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiros a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio..

D - E o que você faz com o lucro do seu negócio?

L - Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.

O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:

D - Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?

L - Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.

D - E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?

L - Às vezes. Sabe como é.

D - Não sei não, Excelência. Me explique.

L - É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora fui preso, finalmente vou para a cadeia. É uma experiência nova.

D - O que é isso, Excelência? O senhor não vai ser preso não.

L - Mas fui pegado em flagrante pulando a cerca do galinheiro!

D - Sim. Mas primário, e com esses antecedentes... e respectivas equivalências ... Prof. DOUTOR ... preso ???... Nem pensar!!


Luís Fernando Veríssimo

São disse...

Para a próxima reencarnação serei embaixadora( é o termo, não é?), para não cometer o pecado tão feio da inveja e que é o desporto ibérico por excelência, rrrss

Os meus respeitos

patricio branco disse...

no fundo são sempre a corrupção, as desigualdades e as injustiças que estragam este mundo, o viver em sociedade, a maioria dos governos retrai se quando é hora de combater os corruptos, tem medo de queimar os dedos.
o brasil tem hoje uma importante classe média, numerosa, o que é bom. e fortunas fabulosas na classe alta. mas há uma classe pobre que é extensa, ontem, depois da sua entrevista e comentários na tv, passaram no mesmo ou noutro canal uma reportagem sobre zonas enormes duma cidade onde a electricidade não havia chegado às casas, tinham um gerador pessoal, carissimo, que abriam 2 horas por dia para algumas necessidades, lavar roupa, ver a novela amada, o filho ver facebook, etc
mas nada a fazer, quem manda no mundo financeiramente, esse directorio, continuará a fazer o mwesmo indiferente ao sofrimento dos milhões de escravos que o servem.
grande humorista, lfv...antes escrevia para o expresso, não sei se ainda, divertia-me a lê lo...