quarta-feira, 27 de março de 2013

Da escrita

Com a benevolência própria desse estatuto, amigos fazem-me discretamente notar que, não poucas vezes, nos textos que por aqui publico aparecem palavras repetidas e surgem algumas gralhas. Alguém cuida mesmo em me alertar para esses pecadilhos - e fico sempre muito grato por isso. Mas algumas falhas sempre escapam. Outros conhecidos queixam-se de que a crescente extensão dos textos pode limitar a paciência para a respetiva leitura.

Tenho consciência de ambas as coisas.

Os posts deste blogue são produto de uma escrita rápida, de lembranças de ocasião, às vezes cavalgando a oportunidade de um facto, outras vezes o vir à baila de uma história que, "como as cerejas", me leva a outras realidades. E a pressa não ajuda à precisão. Talvez não devesse revelar isto, mas muitas das coisas que por aqui deixo, particularmente ligadas à minha vida pessoal, acabam por ser escritas mais "para mim" do que para os eventuais leitores, porque constituem uma forma de organizar, por escrito, memórias que me marcaram. E, por isso, têm um estilo de "produção" apressado, de bloco-notas, sendo uma espécie de inventário afetivo de lembranças.

Assim, e porque tenho muitas outras coisas que fazer na vida, o estilo destes posts sofre, e continuará a sofrer, destas limitações. Escrever numa sala de aeroporto ou com a televisão à frente, como regularmente acontece, não pode deixar de ter consequências. Mas convém que fique claro: mesmo que fossem burilados com muito mais cuidado, estes textos não se afastariam muito daquilo que agora aqui surge publicado. Como já expressei no passado, e sem falsa modéstia, acho que atingi já o meu "princípio de Peter" em matéria de escrita. Nem estou preocupado com isso, nem tenho como objetivo melhorar muito neste domínio. Quanto à extensão dos posts, como sabe quem escreve regularmente, é muito mais difícil "fazer curto" do que "estender" as laudas ou, como alguém um dia disse, "não tenho tempo para ser breve". Pelo menos por ora, nesta singular "reforma" em que me meti...

Se, mesmo assim, tiverem paciência para me continuar a ler, "muit'agradecido", como se diz na minha terra.

26 comentários:

Anónimo disse...

Fica literalmente proibido de se reformar.
O Sr. está aposentado, não está reformado.
Os "conteúdos" do seu blogue são essenciais.
Quanto à "forma", deixemos essa exegese para os parnasianos.

Com respeitosas e renovadas saudações.

Guilherme.






Anónimo disse...

Mon cher Ambassadeur, mais vous écrivez très bien! Votre problème c'est plutôt d'être trop concis: regardez mon exemple et faites comme moi. Je trouve vos pièces bien construites, mais courtes, fallait bien les développer. Un conseil ami. Je suis trop bref dans ce commentaire, car la marquise de Noisiel m'attend pour me présenter à un gentilhomme portugais de grande nobilité, M. Ronaldo de Azenha. Bien à vous

a) Marcel Proust, Paris

Defreitas disse...

Paciência ilimitada desde já concedida! Mesmo se a escrita é "apressada", a leitura é muito agradável e os temas, variados, muito interessantes. Para alguém como eu, que regressou ao uso do Português há poucos meses, após 50 anos de "ausência", este "blog" é um bom exercício, além de me permitir de exprimir as minhas idéias E também tenho que aprender a escrever mais curto, mas o vocabulário reduzido obriga-me à dar umas voltas para chegar lá ... Muitas desculpas!

J; de Freitas

Anónimo disse...

Já disse aqui que, perante um post ou um comentário “longo”, quase sempre penso: “se escrevesse menos lia-se mais”.
E disse, também, que tenho como uma das poucas (e boas) exceções o Sr. Embaixador.
Quanto aos puristas da língua, a mim causam-me uma certa irritação. É como lá em casa, sempre que falo, nunca ligam ao que estou a dizer mas como estou a dizer. Irritante…

Anónimo disse...

Gralhas são uma coisa natural mas... a insistência no "homoSexual" e no "vilaRealense" já é bizarra.

António Pedro Pereira disse...

Caro Senhor Embaixador:
Por mim, seu fiel leitor neste blog mas parco comentador, valorizo muito mais o conteúdo do que o contentor.
E sei distinguir quem se sabe expressar bem, mas que possa escrever um pouco à pressa e por isso gralhar o texto ou escolher uma ou outra palavra menos feliz, de um qualquer emproado que se limita a escrevinhar, cometendo todos os pecados da moda na escrita (e na fala).
Muitas dos seus textos são deliciosos, carregados de afectos, histórias de vida.
Obrigado.

patricio branco disse...

na verdade não vejo uma má escrita neste blogue, aliás as entradas estão correctamente escritas, repetições ocasionais não incomodam, uma letra trocada que escapou não incomoda, o estilo dum blogue como este é a comunicação pratica e diaria de historias ou opiniões, a variedade, o apontamento etc.
tambem me parece, assim gosto, de ver entradas umas curtas, outras extensas, narrativas, outras médias, é isso que faz a variedade.
dito isto, pessoalmente noto que com frequencia (em relação à anterior fase) o texto não vem acompanhado de ilustração, ora isso faz falta, dá decoração, digamos, texto e imagem vão juntos...
e gostaria que o subtitulo fosse notas pouco diárias dum antigo ou ex embaixador em paris ou algo assim...

Isto e aquilo disse...

O seu blog é interessantíssimo e as "gralhas" que encontramos no seu e em muitos outros, são um efeito da pressa que não lhe(s) retira valor nem interesse, pois como tão bem me fez notar o meu querido amigo Paulo Abreu e Lima, isso são "minudências". E eu tenho que concordar com ele...

Como diz António Pedro Pereira, os seus posts são "deliciosas histórias de vida", escritas com humor e inteligência. Eu gosto muito!

Isabel Mouzinho

José disse...

Apesar de leitor fiel e assiduo jamais deixei um comentário e se o faço agora é porque este seu texto assim me obriga. É um raro prazer poder desfrutar das memórias de alguem com o seu percurso de vida. Por favor não pare. A forma pouco vale perante tal conteúdo.

Anónimo disse...

"duas ou três coisas"
Para mim é como a oração da manhã!

Anónimo disse...

Oh Sr embaixador, este seu Post não tem fundamento. Ponto final.
José Barros

Defreitas disse...

Pois que o Sr.Marcel Proust" est parmi nous",segundo o comentário que li mais acima, permita que lhe lembre que Madame de Noisiel gostava muito das "Madeleines" ! , que era a guloseima preferida de Proust. Uma das minhas praias preferidas de França é Saint Malo . E quando lá vou, nunca deixo de encomendar algumas na melhor pastelaria que, segundo parece, já existia no tempo do autor de "A la recherche du temps perdu" !, que não perdia tempo, desde que lá chegava, para ir comprar as suas Madeleines!

Estas Madeleines têm uma historia interessante. A receita de origem data de 1755, aquando duma festa oferecida pelo rei da Polónia, Stanislas Lesczynsski, no seu Château de Commercy. O festim, comprometido na cozinha por uma altercação, foi salvado in extremis por uma jovem demoiselle chamada Madeleine, que, para a sobremesa, confeccionou um bolo tradicional de Commercy, duma forma original, dourado e fofinho. O rei Stanislas, muito satisfeito, deu o nome da jovem ao bolo . Não é como os pasteis de Belém, mas é talvez menos perigoso para o colesterol !.


J. de Freitas

Helena Sacadura Cabral disse...

Este "nosso" Marcel Proust é uma delícia. Mes compliments à Madame la Marquise qui connait um gentilhomme portugais de grande nobilité!

Anónimo disse...

Que quer mais, Senhor Embaixador, se me revejo nos comentários antes de mim "postados"?! Uma leitora ávida dos seus registos, do seu "Eu" para "Si mesmo", de memórias familiares ou de amigos seus, que com gosto acompanhamos no colectivo, pelo estilo que o caracteriza. As suas "literaturas" são boas. Continue assim, que vai bem. Quem escreve nos corredores do aeroporto não está reformado. Reforma pela Europa foi o movimento religioso e político que, nos princípios do séc. XVI, subtraiu metade da Europa central e setentrional à obediência dos Papas... Com tudo isto quero dizer que iremos precisar de si para a Reforma dos países do Sul da Europa. Continue a descamisar os seus pensamentos. Não se escuse de nos acompanhar. Muitos da sua geração já o fizeram... Dealbaram-se. Desses não se fará história!

Anónimo disse...

Cher Ami

J'ai rencontré Monsieur d'Azenha, qui m'a produit une forte impression. Quel bel homme! Il m'a rappelé mon ancien chauffeur...

Et quelle imagination poétique! Il m'a dit quelque chose comme "vous vous prenez pour un maquereau de course", qu'on m'a expliqué être une originale expression idiomatique portugaise. Ah, que vous êtes pervers, vous les Portugais! J'éspère rencontrer bientôt de nouveau Monsieur d'Azenha.

Bien à vous

a) Marcel Proust, Paris

Anónimo disse...

Estes blogs não existem para se exercer escritas de estilo mas sim para fazer circular as ideias mais rapidamente. Há na net até alguma forma de escrita específica em que as palavras não estão completas e a nível internacional ninguém se queixa. O que é preciso é fazer circular o conteúdo sem grandes preocupações de estilo. E tem dado optimos rsultados. Tudo o resto são apenas especulações vazias.

Anónimo disse...

Leio todos os dias os seus post ,jà aprendi muito com o Sr Embaixador;continue por favor com o mesmo estilo,acessivel a todos os seus leitores .Alexandra

Defreitas disse...

Cher Marcel Proust : Lorsque vous rencontrerez à nouveau Monsieur d'Azenha, il serait peut-être convenable de le détromper : Les maquereaux , à l'exception peut-être de ceux de la Place de Clichy, ne font pas la course! Mais il existe bien la Course aux Maquereaux! Le mois de juillet, a Piriac- sur- Mer , vers la Turbale, c'est une course très suivie. Il faut dire que les maquereaux, bien accommodés, grillés de préférence, sont savoureux! Et en plus, sont un excellent rempart contre les maladies cardio vasculaires!
Mais peut-être que vous risquez de perdre votre nobilité, de parler de la sorte à Monsieur d'Azenha d'un poisson aussi populaire et très mal vu!
Bien à vous

J. de Freitas

Anónimo disse...

Não é um problema de "arregaçar as mangas" mas de saber o que se esconde na manga. Também não é um problema do desempenho do novo lugar depender do juízo dos outros que "já o conhecem" (sic). Nem ser um bom Cônsul-Geral depende de boas provas de aptidão para a estiva, nem representar Portugal ailleurs é um problema de ego. Representa-se o País não o eu. Vai longe - foi ontem - o general Rocha Vieira que tinha senioridade suficiente para se poder permitir ter um achaque de egocentrismo. A Oriente.

Isabel Seixas disse...

O todo é bem escrito com um cunho pessoal e singular, bem agradável, não acho nada cansativo pelo contrário.Eu gosto imenso e as gralhas se é que existem são esporádicas, irrelevantes e sem qualquer significado estatístico.

gherkin disse...


Certamente, meu caro! A inspiração brota. É momentânea. O trabalhado, o elaborado não fica tão bem. Se é problema, que não creio, ambos sofremos dele!
Um grande abraço e.."pra frentex"!, como se dizia há bem pouco tempo, mas parece ter passado de moda!
Gilberto

Guilherme Sanches disse...

Em relação às gralhas e palavras repetidas, claro que também há amigos que as entendem como fazendo parte desta forma de comunicar e não as reclamam nem sequer citam.
Já relativamente à extensão do texto, eu diria como o dono daquele cafezinho duma aldeia lá para os meus lados, em tempo de campanha eleitoral - a comitiva entrou e quando pediram uns cafés, o candidato a autarca acrescentou:
- para mim é curto!
Estranhando o rigor, o homem da tasquinha respondeu:
- curto? Eu boto-lho cheio, o senhor bebe o que quiser...
Um abraço

Anónimo disse...

"Ê cá pro mim" o "muit'agradecido", sou eu.
Que se saiba nenhum de nós é obrigado a ler tudo nem até só metade.
Cumprimewntos e, uma vez mais, muito obrigado.
Francisco F. Teixeira

Anónimo disse...

Continuarei a ler com um imenso prazer.
Paulo Santos

Anónimo disse...

As suas crónicas ou reflexões são sempre "bem-vindas". É uma marca da sua exixtência.
E como diz o José: " ... A forma pouco vale perante tal conteúdo".
Um bem haja pelo seu blog.
Com os melhores cumprimentos
C. Falcao

cjt disse...

é isto...
abraço.