segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Lisboa

Menos de 24 horas em Lisboa

1. As pessoas estão tristes. Pior: a cidade está triste. Às tantas, é mesmo o país que está triste. Logo verei.

2. É impressão minha ou os taxistas estão mais simpáticos? E passam fatura sem a pedirmos: estamos (estão) a chegar à Europa!

3. Os hotéis estão baratos, mas tenho a sensação de que, um destes dias, vamos passar a pagar pela utilização dos elevadores.

4. Os pratos de alguns restaurantes mantêm preços razoáveis, mas a avalanche dos "petiscos" das entradas (não solicitados) torna-se quase assediante.

5. Foi preciso uma crise para a livraria do Apolo 70 fechar à hora de almoço, coisa que não acontecia há muitas décadas. Acabei por ir à Bertrand do Campo Pequeno: o empregado tinha judiciosas interpretações sobre a colonização portuguesa no Brasil e o modo como os brasileiros lidam com isso. Notável!

6. É lamentável, mas compreensível, a extrema rarefação do atendimento nas lojas.

7. Magníficas, as castanhas assadas pela rua.

8. O que pensará um estrangeiro a quem alguém traduza que o autocarro 736 vai para o "Senhor Roubado"? O mesmo, com certeza, que o espantará (ou, então, não, o que é pior) ao verificar que dois dos maiores palácios de Lisboa sejam o da "Ajuda" e das "Necessidades". E há tantos anos que se chamam assim...

9. Temos de dar a volta a isto. À tristeza, claro. Antes que ela nos dê a volta a nós. Já faltou menos.

Em tempo: leiam o comentário (assustador!) de Isabel BP, que eu gostaria de ter escrito: é isso mesmo!

22 comentários:

Fernando disse...

Voltamos a ser um pais triste e cinzento.

Anónimo disse...

Pois é..... Lisboa... de há um tempo a esta parte parece a cidade de uma população em quinta-feira depois de quarta-feira de cinzas, ainda de ressaca da euforia artificial[carnaval] destes últimos trinta anos. Veremos como saírá desta postura. Eu ainda não sei

Anónimo disse...


Alguma vez deixámos de ser tristes e cinzentos ?
Não me parece .
Um triste e cinzento não deixa de o ser só porque se ri e fala muito em momentos mais aprazíveis .

Há que dar a volta , de facto , mas isso não é fácil quando o "vai-se andando ..." e o "seja o que Deus quiser" são as demonstrações mais vulgares dos estados de alma e dos projectos de futuro .

RMG

Anónimo disse...

Até a habitual "algazarra" lisboeta se desvaneceu e deixou de haver aquele barulho de fundo tão característico da cidade.

Isabel BP

Portugalenphotos disse...


Sr. Embaixador
contamos com o senhor para trazer boas energias positivas de França, que tanto são precisas para as "Necessidades" da "Ajuda" ou vice- versa, e
e por favor não seja dos que estão sempre a pensar sobre o que dirão os estrangeiros de nós, ou disto ou daquilo!
é que a malta de cá já tem opiniões mais que suficientes
obrigada
Angela

Defreitas disse...

Senhor Embaixador:

Um país que milhares dos seus filhos foram forçados de abandonar, uns para procurar a liberdade e outros para viver decentemente, durante décadas, e continuam hoje, nunca foi um país muito brilhante. Já era cinzento para muitos e continua hoje. O sol só brilhava para uma casta de privilegiados. Só a nostalgia, ou a "saudade" bem portuguesa, fazia que aqueles que partiam sonhavam no regresso . Era a "Portugalidade" dos humildes, que não podiam esquecer o adro da velha igreja, que era mais forte que o desprezo que durante anos aqueles que "sabiam" e podiam" lá na terra lhes concediam com um sorriso! As divisas que traziam e o surto de negócio que elas procuravam àqueles que ficaram, era a melhor carta de visita desses "aveques" que misturavam a língua materna com a do país da grande aventura.
A melhor desforra foram os filhos que foram para a escola e se integraram num país onde eram respeitados e trabalhavam. E eram considerados.
E a grande tristeza é de ver hoje tantos filhos da mesma Pátria serem obrigados a abandoná-la pela mesma razão. E de saber que na origem de tal desastre, se encontram as mesmas deficiências de toda a ordem de sempre, entre as quais, as da classe política dirigente desde décadas e o flagelo da corrupção na economia e na finança. Disse cinzento, Senhor Embaixador?

Carlos Fonseca disse...

Não é impressão sua. Há uma nova geração de taxistas, com uma formação que vai alterando a imagem que tínhamos, ainda há poucos anos. A crise talvez tenha ajudado a esta renovação, porque na situação de desemprego há que tenha sido "despromovido" de outras profissões para a de taxista. E, pelo menos em dois casos que conheço de perto, nem pensam agora em mudar.

Quanto às entradas nos restaurantes, quando vêm com mãos e braços ajoujados com pratinhos, vou avisando que os levem de volta, que eu escolherei o que quero, se quiser.

Mas, sim, o "país" está triste e deprimido.

P.S. - Parabéns! Acabo de ler no Económico on-line, mais uma ocupação para preencher o seu tempo depois da aposentação. Trabalho não lhe vai faltar.

Anónimo disse...

E... o Cemitério dos Prazeres então... não é facil de traduzir nem de explicar....

Anónimo disse...

Senhor Roubado.

Necessidades.

Ajuda.

Que bela alegoria.

Mas, Praça da Alegria.

EGR disse...

Senhor Embaixador: quando V. Exa tiver opurtunidade de viajar em transportes públicos,por ex.o metro,receio bem que essa impressão de tristeza,ou abatimento,seja reforçada.
Pelo menos cá para o norte é que me parece acontecer.
P.S. permita-me anotar aqui que a nomeação do Senhor Embaixador que substituirá V. Exa.foi hoje publicada no D.R.

Anónimo disse...

A auto-estima é diariamente destruída pelos media.
O país em dez anos que estive fora melhorou imenso: tecnologias, mais qualidade de vida, mais oferta cultural, mais gente moderna, mais gente bonita.
Mas falta-nos agora um desígnio qui nous rassemble e um ímpeto para alimentar a alma. Mas não trocava Portugal por nada. Mesmo sem dinheiro no bolso.

Helena Sacadura Cabral disse...

Vamos rir-nos um pouco. E a Pontinha ou a Porcalhota?!

Anónimo disse...

Caro Anónimo das 22:42,

É verdade! Depois da "Ajuda" e das "Necessidades" em vida, como se explica o "Cemitério dos Prazeres" depois da vida... :)))

Isabel BP

Helena Oneto disse...

Esta é a segunda ou a terceira vez que o Senhor volta de "24 horas em Lisboa" com uma "Crónica de una muerte anunciada"...Desejo-lhe muita coragem para o regresso, nem que seja pelas castanhas assadas!

Anónimo disse...

Não se percebe o último ponto, Senhor Embaixador. Já faltou menos para dar a volta à tristeza ou para dar a volta a isto?

Isabel Seixas disse...

Lisboa
não sejas tristeza
com toda a certeza
vais ser Portugal

Lisboa,chegou a altura de seres
cemitério dos desmancha prazeres
Divorcia-Te "DO" de Vila Real

Lisboa, tens cá(ex. em Chaves) apaixonados
Que se dizem, abandonados
Com as almas Sós
Lisboa, não sejas tristeza
Tu és portuguesa
Capital de todos nós

Não te deixes dominar
Menina, Lisboa,
Vê bem quem te quer subjugar
trepar como o urubu magoa


Tens aí presentes,
mancebos competentes
profetas da graça da vida,
Vá,livra-te das más sementes

Menina orgulhosa "mas" aguerrida...



Anónimo disse...

Subscrevo o que Defreitas escreveu. E confirmo que além de Lisboa triste, também no Norte que visitei, além da tristeza, li um sentimento de medo: medo de ver o desemprego prolongar-se, medo de perder a casa, medo de não poderem assegurar a educação e proteção dos filhos...
Também senti alguns foros de revolta e esperança de que o medo possa mudar de campo...
José Barros

Anónimo disse...

Sou de um país que precisa de quatro dias de folia para espantar a tristeza, e pensam que somos felizes. Mulheres, praia, futebol e cerveja. Apenas isso. Os filhos de Portugal saem em busca de trabalho, por aqui entram nas filas das bolsas, cidades inteiras do nordeste já não trabalham mais, vivem das esmolas de compra de voto instituídas pelo governo.
Portugal queixa-se com motivos, mais são passageiros e há luz no fim do túnel.

FORÇA LUSITANOS!

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Tem toda a razão Senhor Embaixador, estamos todos tristissimos e cheios de problemas. Uma depressão colectiva.

patricio branco disse...

1. sim
2. assim, assim
3. sim e não
4. sim
5. não sei
6. não
7. sim?
8. ri
9. sim, sim

Anónimo disse...

Há realmente uma nova vaga de mororistas de táxi. Alguns têm uma formação interessante e uma maneira de nos "levarem" sem aquela "ronha", que quem como eu não conduz tinha de "apanhar" quase todos os dias com ela.

Mônica disse...

Senhor embaixador.
Fomos em Lisboa com mamae e minhas duas irmas . Ela fez 79 anos em Fatima. Foi uma delicia o passeio. Me apaixonei por Portugal nestes dias que passamos por lá. Eu admirei tudo em Lisboa. os taxis,os restaurantes, as duas casas de fados que fomos,o bondinho, as casas lindas. As igrejas. Pena que estava fechado o museu de santo antonio de Padua que é o mesmo de Lisboa e é nosso padroeiro.
E o povo alegre nao os achei triste. Acho que fomos em abril de 2011.
com carinho Monica