sábado, 12 de janeiro de 2013

Delphine Seyrig

Não sei qual é data da colocação da placa, mas tinha grande vontade de estar discretamente presente na inauguração da estação Delphine Seyrig, num percurso de transportes coletivos no XIXème arrondissement. Li a notícia ontem, no "Libération". 

Pena é que a maioria de quantos vierem a utilizar essa estação nem sequer saibam que esse nome está ligado a um dos mais fascinantes olhares do cinema francês, a uma delicadeza, ao mesmo tempo serena e agitada, de uma figura para sempre recortada pelas câmaras na soleira de uma grande aventura. Resnais, Buñuel, Truffaut, Losey, Demy e outros perceberam bem essa riqueza, que a França perdeu em 1990, aos 58 anos.

Ter saudades de Delphine Seyrig é saber ser fiel a uma certa geração. E mais não digo, porque muitos poderiam não entender, nestes tempos em que, como dizia Simone Signoret, "la nostalgie n'est plus ce qu'elle était".  

13 comentários:

Helena Sacadura Cabral disse...

Que curioso, meu amigo, ela parecia uma mulher fria. Mas com Jacques Demi virou outra mulher.
Pena que fosse tão frágil!

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Helena: nunca mais haverá fadas como a "fée des Lilas". Tem razão: Demy deu-lhe vida.

patricio branco disse...

o francês falado de delphine seyrig era duma enorme beleza, elegancia, pureza, musicalidade.
a sua perfeita dicção, a pronuncia, o timbre da voz, a entoação, o ritmo, as pausas, etc,aliadas à sua representação ou actuação, faziam dela uma esplendida actriz de teatro e cinema.
de delphine seyrig recordo pois o seu francês, o timbre da voz, era musica ouvi-la, embora tambem o seu olhar, o meio sorriso, o rosto perfeito.
o culto da voz no actor sobretudo de teatro é algo muito importante na escola inglesa, d s conseguia o mesmo em frança.
sim, é de ir assistir à inauguração da estação, claro que é.

Mônica disse...

Senhor Francisco
Que pena que nao sei falar nem escrever em frances. Sabe que na minha época no quarto ano primario e na quinta serie . Com dez anos de idade fui para um Colegio d e freiras que nos ensinava frances. O dia de prova a mamae ficava o dia inteiro me ajudando. Era um tormento.
Mamae tinha estudado frances e sabia rezar ave maria em frances. Sabe ate hoje. Com 81 anos.
Eu gosto de ouvir musicas em frances. Acho a pronuncia linda!
Mas esta atriz como sempre nao sei nada dela.
Hoje a gente ve falar mais das atrizes que sao candidatas ao oscar.
Minha irma colocou de uma forma que nao tem como nao encontra-lo mais.
Um grande abraço com carinho Monica

patricio branco disse...

bonito comentário o da monica, não posso deixar de dizer...

Gil disse...

O fogo sob o gelo.
Dra. Helena Sacadura Cabral, não creio que fosse frágil. Lembro- me da militante política e social, da firmeza na defesa de causas.
Das personagens no cinema, prefiro às de Demy ou de Resnais, a de Truffaud, nos "Baisers Volés" e a cena se amor com o "Antoine Doinel".
"Que reste-t-il..."

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro Gil
Não me referia no comentário à força interior. Apenas a uma espécie de fragilidade física que a tornava um pouco etérea, parecendo que quase não pisava o chão. E eu aprecio mais as chamadas "mulheres fortes, guerreiras". Nem sequer sei explicar-lhe porquê. Sem ponta de comparação penso numa Simone Veil cuja presença irradia uma força que me comove.
A cena de amor com Antoine Doinel é, de facto, antológica. Mas continuo fiel a Demy.
Este tema - sensualidade/ erotismo - dava para longa conversa. Mas não poderia ser em canal aberto e, sobretudo, neste espaço do nosso querido Dr. Seixas da Costa.
Nem sequer lá no meu Fio de prumo, onde arriscaria, mais do que a minha cabeça, a minha alma...

Helena Sacadura Cabral disse...

Mônica nossa querida amiga, que bom ter reaparecido. E um bom 2013 para si, para sua Família e para essa adorável mamãe, de 81 anos!

Gil disse...

Mas há uma comparação possível entre Simone Veil e Delphine Seyrig: ambas lutaram pela IVG, Veil como autora da respectiva lei, Seyrig como militante e signatária do Manifesto da 123 (com, entre outras, outra Simone, a Beauvoir, e a Deneuve, que "partilhou" com ela o filme de Demy, o "Peau d'Ane".
Mas concordo, Delphine Seyrig aparentava uma delicadeza frágil , muito diferente da firmeza determinada que Simone Veil irradiava.

Isabel Seixas disse...

E,por aludir a fadas,que bom o regresso do carinho da Mónica para 2013.

J. Ryder disse...

Dear Francisco,

Para mim era ela "A voz". Em Portugal diz-se "voz de bagaço" mas na Delphine Seyrig era muito para além disso, e creio que constituía um componente essencial do erotismo soft que se desprendia da sua pessoa. Tivesse eu veia lírica para tecer loas ao impacto que ela teve na minha juventude...

J.

J. Ryder disse...

ps A minha preferencia vai para o seu papel no Charme Discreto (...) do Bunuel.

J.

Helena Sacadura Cabral disse...

Charme discreto da burguesia. Havia de ser hoje...
Mas tem razão, Buñuel era um grande, um imenso realizador!