sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Nicolau Santos

Nicolau Santos é, de há muito e de longe, um dos mais qualificados jornalistas económicos portugueses. Demonstrou-o ao longo de anos, durante os quais, em linguagem procuradamente "descomplicada" e num estilo simpático e nada doutrinal, ajudou o país à leitura das questões económicas. Recordo apenas que foi fundador e diretor do "Semanário Económico", diretor do "Diário Económico" e do "Público", bem como diretor-adjunto do "Expresso", além de muitas outras colaborações na comunicação social portuguesa (imprensa, rádio e televisão), desde o final dos anos 70. Muito poucos jornalistas portugueses têm, nomeadamente na área económica, um currículo que se lhe equivalha.

Há dias, Nicolau Santos deixou-se endrominar por um burlão bem-falante, que antes já tinha levado à certa algumas instituições. Assumiu de imediato o erro, como é de regra nos profissionais de bem. Não obstante, alguns dos seus pares, bem como muita da pressurosa blogosfera conservadora, caíram-lhe em cima. 

Um lapso é algo que pode acontecer a qualquer um, principalmente a quem está mais exposto. Mas não sejamos ingénuos: a verdadeira razão pela qual, neste momento, Nicolau Santos é um alvo sobre o qual se abatem todas as críticas, tem essencialmente a ver com o facto de ele se ter vindo a tornar, nos últimos tempos, muito irritante para certos setores. Com que prazer alguns se devem ter agarrado ao ensejo para tentar descredibilizar uma voz incómoda e livre, não é?

Um forte e amigo abraço para si, Nicolau!

38 comentários:

Anónimo disse...

A razão porque Nicolau Santos leva pancada, a meu ver, não é a indicada pelo embaixador mas sim o facto de Nicolau Santos, nos últimos tempos, ter perdido por completo o critério jornalístico em favor das suas opiniões pessoais e políticas de uma forma cegamente militante e julgando que os seus leitores são parvos. É óbvio que Nicolau Santos, sendo sub director de um jornal com a importância do Expresso já se devia ter demitido, face ao desastre que provocou.
João Vieira

Anónimo disse...

Pois é... volto â minha pergunta do primeiro "post" sobre este assunto: Quais sao os grupos de influencia que se confrontam???
Eu nao sei

Anónimo disse...

Subscrevo o seu apoio a Nicolau Santos, uma voz jornalística incómoda para o actual poder político, que na sua cega incompetência, afunda o país á velocidade da luz.
NS já tinha sido, igualmente, crítico de J.Sócrates, o que só releva a sua imparciabilidade.
Daí que só mesmo um apoiante deste desastre político-económico que nos desgoverna, como o comentador João Vieira, possa dizer o que aqui diz.
Um Post que até, para quem exerce as funções do autor deste Blogue é, por isso mesmo, corajoso.
Biscaia

Anónimo disse...

oh joão vieira! tenha calma, um por mês é pouco, mas estamos no caminho certo da opinião única.

Anónimo disse...

Pois é.... Bom exemplo da guerra entre os grupos de influencia que se degladiam ä nossa frente para nos enfrenizarem a vida e para exercerem mais poder. Nenhum escapa. Sao todos iguaizinhos. Mas.... eu nao sei

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Biscaia: as pessoas têm memória curta. Na sua independência, Nicolau Santos criticou, quando entendeu isso necessário, os vários governos, ao longo das décadas que leva de jornalismo. Em diversas ocasiões não me senti próximo do seu pensamento, mas nem por isso deixo de considerar muito qualificada a sua voz. Ou teremos todos de pensar pela mesma cartilha?

Anónimo disse...

A questão é outra Senhor Embaixador: é por que meio hoje se consegue penetrar nos media? Parece que é por redes e por códigos de acesso cifrados. E é também isso que explica uma sociedade civil cada vez mais débil onde há cada vez menos espaço para a liberdade individual. É que em portugal toda a gente quer ser nobre e bem falante.

Anónimo disse...

A velha senhora gosta de Nicolau Santos e não admite tergiversações là-dessous.
Et voilà:

'eu não sei' não sabe nada
todos são pra ele iguais
isabel ou torquemada
salazar ou o vinhais*


*
eh desculpe lá menezes
pôr vinhais ali acima
tem você piada às vezes
e serviu-me hoje prá rima

Anónimo disse...

Se eu quiser, e quero todas as semanas, saber a opinião de um bloquista não alinhado, leio Daniel Oliveira,; se quiser ler o que pensam os socratistas, leio Adão, se quiser saber o que pensa a "minha gente" leio Rui Ramos, zosé Manuel Fernandes, Henrique Raposo; se quiser ler um independente de esquerda confuso, leio Miguel Sousa Tavares . Leio todos porque são interessantes e tem opiniões inteligentes. Leio com imensa irritação Nicolau Santos e Ricardo Costa porque sendo directores de um jornal importantíssimo, deviam ter critérios apenas jornalísticos e não militantes seja contra quem for.
João Vieira

Carlos Faria disse...

Há muito defendo: não há mal que os jornalistas económicos ou políticos tenham uma ideologia, o mal está quando a escondem para dar a entender que são a voz da isenção(comum em Portugal) e usar essa figura para criticar um rumo económico ou político não conforme com a sua ideologia.
Nicolau Santos há muito que não esconde ser um keynesiano e como tal critica as medidas(certas ou erradas) que vão contra a sua cartilha.
O problema é que ao ser diretor adjunto do Expresso, que não assume isso mas dá cobertura a uma visão pessoal da economia, cria-se uma ideia que a referência é a ideia keynesiana (acredite-se ou não neste modelo) e neste processo Nicolau Santos serviu-se de um burlão para expor as suas ideias, dar maior relevo e ainda recomendar pessoalmente o Governo a ouvir aquilo que ele acredita... foi a crença a razão do pecado, mas é o grupo SIC-Expresso faz do credo a referência e isso contamina a credibilidade dos OCS.
Uma coisa é a RTP ouvir Camilo Lourenço, outra coisa é o Expresso estar ao serviço das ideias de Nicolau Santos.

Anónimo disse...

Agradeço à Velha Senhora a sua referência simpática. É evidente que o que está em causa é uma luta de facções dentro do "Expresso", que reflecte conflitos de interesses determinados fora dele. É evidente que o "tiro no pé" (sorry, não se pode chamar de outra maneira) que em si próprio deu Nicolau Santos serviu às mil maravilhas o cerco montado a Ricardo Costa. Ora eu sou monárquico, católico e por isso não gosto de maçonarias. Por estranho que vos possa parecer, é por esta razão que apoio Nicolau Santos e Ricardo Costa.

a) Henrique Menezes de Vasconcellos (Vinhais)

Anónimo disse...

Esclareço: não gosto nunca de maçonarias, mesmo que se digam de direita.

a) Henrique de Menezes Vasconcellos (Vinhais)

Helena Sacadura Cabral disse...

Muito curiosos os comentários aqui feitos.
Uma síntese de todos eles era capaz de não andar muito longe da verdade.
Opiniões pessoais todos deveríamos poder ter e há quem, corajosamente as tenha.
Mas quando se têm lugares institucionais é bom saber a que título cada um está a falar. Digo eu, que sei pouco.

Francisco Seixas da Costa disse...

Gostava de colocar uma questão a alguns críticos de Nicolau Santos: se acaso o "cromo" Baptista da Silva tivesse tido um discurso de matriz liberal, afirmando-se consultor de uma entidade internacional tributária da "escola de Chicago" e tivesse sido entrevistado por um jornalista económico conceituado como Camilo Lourenço, a reação seria a mesma? Ponham a mão na consciência, aqueles que a tiverem...

Helena Sacadura Cabral disse...

Ai! Senhor Embaixador
A minha consciência respondeu logo, de jacto. Se fosse Camilo Lourenço a entrevistar ABS eu não só desconfiava, como nem sequer chegava a ouvi-lo.
Há algo que ainda tenho: bom senso e discernimento!
E há comentadores a quem se diz BASTA...

Anónimo disse...

"...um jornalista económico conceituado como Camilo Lourenço, a reação seria a mesma?"

ahahah... essa do conceituado é o máximo, a reacção aplaudia de pé e tinha direito a vários encores.

Francisco Seixas da Costa disse...

Pois eu, Dra. Helena, ouço-os a todos, de todos os lados, quanto mais não seja para, muitas vezes, deles poder discordar com mais fundamento. E, também às vezes, estou de acordo. Coisas de quem se habituou a pensar pela sua própria cabeça, atitude que, como muito bem sabe, sós nos traz "arrelias" e ... bem estar mental!

Anónimo disse...

Para mim, e salvo melhor opinião, a pergunta do embaixador não faz sentido: as opiniões de Nicolau Santos e Ricardo Costa são altamente condenáveis não por si, mas pelo abuso de posição institucional. Tal e qual como o impostor.
João Vieira

Anónimo disse...

Demasiado atenta aos pormenores, a velha senhora desvia a conversa:

ao nicolau pô-lo sem laço
morais cabral com papillon
diga-me amor se não o maço
mas por que raio de raison

um jornalista só tem traço
de descender é de maçon?
tandis que embaixas bom ricaço
fala é francés come é jambon?

ah bom

Anónimo disse...

O seu comentador Vieira acha que ser director de um jornal privado implica que se seja independente nas opiniões. Não estou a perceber. Isso é válido para a RTP, que é um órgão público, mas o Expresso ou a SIC podem dizer o que quiserem e defenderem ou atacarem quem quiserem. Ele que nos esclareça onde estão os seus protestos no tempo dos editoriais da Moura Guedes.

Anónimo disse...

Não li, nem ouvi Moura Guedes. As minhas referências são: Mário Mesquita, Dinis de Abreu, Bettencourt Resendes. Absolutamente exemplares no seu tempo.
João Vieira

Anónimo disse...

Ao ver a fotografia percebe-se logo que faltava ali o “papillon”. Mas a velha senhora foi mais atenta e rápida. Resta perguntar: Haverá correlação com o post anterior?
Não sei, no entanto, se estes comentários lhe pareceram o mesmo: Uma discussão de tias de Lisboa.

Carlos Faria disse...

Não tenho complexo em dizer que se tivesse sido Camilo Lourenço a entrevistar algum equivalente a ABS haveria o mesmo tipo de comentários no blogue, só que os anónimos é que seriam outros e diriam algo semelhante dele do que agora se diz de Nicolau Santos.
Continuo a considerar que o grave não é Nicolau Santos, mas sim um OCS não assumir uma causa ideológica e usar a figura da isenção para a defender... algo que um antigo jornal, penso que denominado Diário, em Lisboa deixava transparente, comungasse-se ou não o seu ideal, algo que vários jornais no estrangeiro assumem, ora de esquerda ora de direita.
Em Portugal existe uma pretensa e perigosa isenção hipócrita que de facto é tendenciosa.

Anónimo disse...

Nicolau Santos a quem ninguém pode retirar os méritos que teve e o mérito que tem errou.

E só errou porque o Burlão dizia coisas que ele próprio queria ouvir, um alter-ego com cartão da ONU.

Consumado o erro só ficaria bem o pedido de demissão, e ficaria melhor a sua recusa... agora este "embarretamento" não ter qualquer consequência é que passa todos os limites.

Aaah .. e se fosse o Camilo Lourenço o pedido de demissão deveria ser imediatamente aceite.

N371111

Carlos Fonseca disse...

Esta questão traz-me à memória, se calhar sem razão, a velha fábula do leão moribundo, que, perdida a força que tinha, se viu enxovalhado por toda a bicharada que antes o temia.

Cabendo a Nicolau Santos (supostamente) o papel de leão moribundo, quem serão (também supostamente, claro) os burros que o querem escoicear?

patricio branco disse...

neste momento tiro o meu chapeuzinho ao sr artur baptista da silva, não ao sr nicolau santos.
o sr silva mostrou que conhece os pontos fracos da nossa praça e de quem por lá se passeia e mostra, e que tem dotes psicológicos adequados a pregar partidinhas aos serios portugueses de fundações e expressos da 1/2 noite.
afinal ninguem ficou com a conta bancaria desfalcada ou a casa arrombada, ninguem foi caluniado, foi apenas humilhante e embaraçoso para quem correu a convidá-lo atraido pelo brilho dum curriculo habilmente inventado, mas divertido para quem estava como espectador.
sim, nestes tristes dias um episódio divertido e inofensivo como estes até é benvindo.
daqui cumprimento, se me é permitido, o sr a b da s.

Paulo Abreu e Lima disse...

Senhor Embaixador,

Não resisto: quem passa pelo CF do SCP habilita-se a ficar com um traquejo inigualável em ludibriar qualquer auditor ou escrutínuo externos...

Quanto ao Nicolau Santos, deixem-no em paz e não digam disparates. O seu CV (verdadeiro) e obra falam por ele.

Aproveito este meu comentário para desejar-lhe muita saúde e tudo de bom para o ano complicado que se avizinha (muitas idas à Gomes, a Viana do Castelo e, de permeio, a Ponte de Lima).

Cumprimentos, tem sido um prazer lê-lo.

PAL

Anónimo disse...

Batista Da Silva nunca existiu.

Proliferam de facto muitos sósias na sociedade dominante portuguesa.

O sistema está cínicamente furado e este foi um bom furo.

Anónimo disse...

os que pedem a demissão do nicolau deveriam pedir também a demissão dos precedentes embarretados do grémio literário.
http://www.gremioliterario.pt/iniciativas.php
http://www.gremioliterario.pt/corpos_sociais.php

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
Quando chegar à minha idade, já não os ouve todos, pode crer. O tempo que nos resta tem de ser altamente selectivo.
No meu caso, não dá para Camilo Lourenço, nem para outros, que tendo até maior qualidade, me não conseguem prender a atenção.
Acontece-me o mesmo com certos políticos. Se os ouvisse a todos, não seria a pessoa encantadora que sou!
:-)))

josé gomez disse...

quanto ao sr nicolau santos, excelente e profissional jornalista, foram ossos do ofício o que aconteceu, às vezes assim é

gherkin disse...

Por razões de pouco ou nada conhecer o visado, embora o leia de vez em quando, como outros, não comentei a homenagem feita neste blogue. Porém, perante tantos comentários e as diversas posições tomadas, como veterano profissional da informação, insisto na máxima da BBC, que servi e onde ME FORMEI durante 30 anos. Salienta o Guia dos Editores(edição de novembro de 1969): "A imparcialidade é o âmago da BBC. Como significa o núcleo e a própria existência da BBC não há programa que esteja isento. Por isso, a todo o editor ou produtor é requerida a maior compreensão, justiça e respeito pela verdade." O mesmo Guia, a certo passo, na pág. 16, aponta também o seguinte: "O jornalista pode expressar uma opinião profissional, mas nunca uma opinião pessoal..." (o negrito é meu). ESTA A MINHA POSIÇÃO TAMBÉM QUANDO como primeiro correspondente de um jornal Português-Jornal de Notícias- depois do 25 de Abril e que servi durante 27 anos e a TSF Rádio Jornal, durante 10.Cumprimentos a todos. Gilberto Ferraz

Anónimo disse...

Estamos habituados a levar barretes de Salvaterra de Magos - é ler e ouvir este último ano - com cara de riso, (santa ignorancia) engana os parolos.

Vamos a caminho das sopas de cavalo cansado - sabem o que é?

Quantos aos comentadores só presto atenção (muita) ao Pinto da Costa

Senhor Embaixador, receba o meu abraço e bom ano de 2013

Até Almeida

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Acho que o João Vieira tem toda a razão. Nicolau Santos não tem sido nada imparcial e agora está a pagar por isso .

Um Bom Ano Novo Senhor Embaixador

Almoço da Familia disse...

Pode Nicolau Santos não ser imparcial, pelo que, justamente, escreve artigos de opinião. Desde que não falsifiquem a realidade e clarifiquem se noticiam ou comentam, como fazem Nicolau e Camilo, para mim está bem. Por isso o leio e ouço amiúde Nicolau, e a Camilo Lourenço não: opto.
Desejo-lhe, Senhor Embaixador, um excelente ano de 2013.

Helena Sacadura Cabral disse...

Ó Paulo A.L.
O que me ri com o seu CF do SCP. Será que todos perceberam?!

HY disse...

Talvez album dos ilustres críticos de NS posse esclarecer o que significa escrever article de opinião sem tomar partido, sendo imparcial, etc?

ARPires disse...

Nicolau Santos já demonstrou ter a hombridade que muitos comentadores por aqui, provavelmente não teriam.
Na página que lhe está reservada no Expresso já pediu desculpas aos seus leitores, pelo erro colossal de ter dado destaque a um pulha, coisa que muitos que aqui comentam, não sei se seriam capazes de o fazer.
Quem nunca errou, que atire a primeira pedra.
Não entendo porque há por aqui tanto indignado, só porque alguém deu voz a um burlão e não ficam indignados com a grandiosa burla de que todos fomos vítimas com as negociatas envoltas dos BPNs e BPPs.
Há gente mesmo cega e não adiante tentar abrir-lhe os olhos, pois preferem mesmo tê-los fechados.
Aproveito para endereçar votos de uma vida nova, neste recomeço de uma nova vida.
Espero continuar a poder vir aqui, e, encontrar algo do qual comungo, e com o qual me identifico na maior parte das vezes.
Bom ano e(a) todos os demais.
ARPires