sábado, 1 de setembro de 2012

"Le serment des cinq lords"

A grande vantagem de se andar por "outra" França é ter a oportunidade de ler uma imprensa regional de boa qualidade, que compense a grande desilusão que hoje é, com exceção do "le Monde", a imprensa nacional francesa, basicamente reduzida às duas caricaturas políticas, respetivamente de direita e esquerda, que nos oferecem o "Le Figaro" e o "Libération". Depois do fim do "La Tribune", resta-nos seriedade conservadora do "Les Échos" que, em matéria de revistas semanais, se prolonga na revista "Challenges". Nestas, o "Le Point" e o "L'Express" são hoje, na direita, uma sombra daquilo que já foram e da importância que já tiveram. À esquerda, o "Nouvel Observateur" tem ainda algum rigor, com o "Marianne" a surgir quase como um panfleto, agora algo "déboussolé" com a vitória da esquerda.

A imprensa regional francesa, com mais de meia centena de títulos, consegue, em alguns casos, compatibilizar sínteses nacionais e internacionais interessantes com uma cobertura local mobilizadora, sem cair no sensacionalismo do "crime & cia". A minha experiência da sua leitura é escassa, pontual e pouco representativa, mas devo dizer que, vindo de um país onde essa realidade quase não existe ao nível de jornais diários, aprecio bastante o "Sud ouest", as "Dernières nouvelles d'Alsace", a "Voix du Nord" ou o clássico "Dauphiné liberé" (que, contariamente ao "Le Parisien", soube manter a orgulhosa menção de "liberé", atribuído depois do fim da ocupação alemã).

Mas tudo isto, que é "como as cerejas", vem a propósito do facto de eu andar a ler, nos últimos três dias, o também excelente "Ouest France", que cobre a Bretanha e zonas um pouco mais a sul. E o que é que fui descobrir no jornal? A publicação diária de uma nova "aventura" de Blake e Mortimer, "Le serment des cinq lords", na versão de Yves Sente e André Julliard. Pode não ter a grandeza do "traço" de Edgar P. Jacobs, mas não deixa de ser uma aproximação bem interessante. Em novembro, sai o álbum a público. Desde ontem, a Amazon já tem a minha inscrição. Que saudades eu tenho de Olrik! Bandidos deste quilate já não há mais!  

9 comentários:

Isabel Seixas disse...

Se meus demônios me abandonarem, temo que meus anjos desapareçam também.
Rainer Rilke

Anónimo disse...

?????

patricio branco disse...

há muito que não leio blake ou tintim, etc. Será tempo de voltar?
de mortimer o misterio da grande piramide que nos fazia sonhar aos 15 anos com a civilização egipicia, de tintim a orelha partida, que fazia sonhar com viagens à america do sul, paises dos incas, de bananas e fazendeiros, generais dando golpes, etc.
uma comiquita que nunca mais encontrei e de que perdi o rasto foi uma historia passada num castelo dum senhor feudal (mau) na polonia dos tempos medievais.
e flash gordon noutros planetas?
quando sair o novo blake, o do jornal de provincia francês, talvez seja altura de voltar a essa idade. Afinal, o livro do escritor mitteleuropeu que estou a ler, vou na pag 80, não tem graça e talvez o devolva na livraria onde o comprei há 3 dias sem o acabar

patricio branco disse...

em portugal já não existe imprensa regional, é pena. em espanha ainda está bem viva e de boa qualidade, existem dezenas de bons diarios regionais com todas as secções completas e desenvolvidas. Mesmo os grandes jornais de madrid ou barcelona, abc, país, etc, têm as suas edições regionais de igual qualidade.
a imprensa do porto não é bem regional e começa infelizmente a fraquejar.
no funchal há o dn madeira, que ainda se pode considerar um diário normal.
Em coimbra creio que havia um diário, não sei se já desapareceu.
enfim, não somos propriamente um país de leitores e de alto nivel de ilustração, e agora as escolas fecham, os professores com 25 anos de carreira vão para o desemprego, etc, assim ainda haverá menos leitores, menos jornais, e quanto a blake e mortimer já nenhum publica o episódios

Anónimo disse...

Boas férias na Bretanha ,assidua leitora do blogue e residente em Lorient. Alexandra

A. disse...

Não me parece que Le Figaro seja uma caricatura; o outro, talvez, um grupo de velhotes centristas e obrsos, a fingir que ainda querem "l'imagination au pouvoir" quando, na verdade, como disse um ex-camarada do bando, são "ceux qui sont passe's du col-Mao aí col roule'".
Patéticos.

Anónimo disse...

Pois é..... em França há uns anos que está na moda ir-se viver para a província. Em Portugal ainda vai demorar muitos anos para essa moda pegar. O que os portugueses ainda querem é viver na capital, tal como os franceses no tempo de Luís XIV queriam viver em Versailles por isso aqui, o ir para a provincia assemelha-se a um exílio. Mas eu não sei.

Catinga disse...

Em Portugal há imprensa regional. Se ela é, ou não, dirigida aos emigrantes, isso é outra história.

Helena Sacadura Cabral disse...

Ó Senhor Embaixador que bela notícia me dá. Em sintonia lá me irei inscrever, embora admita estar em Paris por essa altura...