quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Biblioteca da reforma

Ontem à tarde, durante o lançamento de um livro francês de culinária portuguesa, que organizei na embaixada, revelei a uma amiga, que se passeia com fidelidade pelos comentários deste blogue, que começo a criar uma espécie de renovada reserva temática de interesses, para ocupar os meus futuros tempos de reforma. Cada vez mais dou por mim a descobrir novos e bizarros assuntos, fora dos meus nichos tradicionais de curiosidade. Exemplos?

Há semanas, acabei de ler o "Les couleurs de nos souvenirs", um curioso percurso pela memória nostálgica das cores, da sua associação aos nossos diferentes períodos ou casos da vida, a referências que vão da roupa à publicidade, com reflexos naturais nos nossos estados de alma.

Ontem mesmo, ao fazer horas para uma reunião, observando a "rentrée" editorial nas mesas da "Gallimard" do boulevard Raspail, dei de caras com uma "Ethnologie de la porte"*, que me pareceu ser uma original especulação em torno dessa peça do nosso quotidiano, que usamos constantemente quase sem a notarmos e que tão decisiva é para o dia-a-dia das nossas vidas. Que seria o mundo sem as portas, essas fronteiras da intimidade e da discriminação, às quais batemos e com as quais, por vezes, também batemos?

O que eu tenho para ler...

(Editada pela "Métailié", uma magnífica editora a quem a literatura portuguesa muito deve)

16 comentários:

domingos disse...

Ó caríssimo Embaixador, então Vc. agora vai ler sobre "Portas"? Não haverá uma mensagem subliminar nesse anúncio?

Anónimo disse...

Se ethnos é povo, nação, raça, então o "Estudo" de Portas ... é assunto em que uma outra sua amiga, que também se passeia com fidelidade pelos comentários deste fabuloso blog, poderá ter "inside informations".

Nuno 361111

Francisco Seixas da Costa disse...

De há muito que já me convenci que é inescapável, entre os leitores deste blogue, a deriva para teorias conspirativas, em função daquilo que por aqui deixo escrito. Pois acreditem: só depois de ler o primeiro comentário é que percebi as leituras que este post ia (necessariamente) ter. Já era tarde...

Catinga disse...

Livro a comprar urgentemente: Gramática do Catalão

Anónimo disse...

Já era mesmo tarde!

Helena Sacadura Cabral disse...

Ó meu querido Embaixador - permita que, hoje, esta sua fiel admiradora o trate assim, dado que fidelidade e idade nos concedem alguns privilégios - quando li este post, pensei logo nas piadas que iria apanhar.

Caros Domingos e Nuno 361111 é por estas e por outras que eu nunca fui Portas... e mantenho este low profile de só ter por nome iniciais!
Mas sorri de gosto com os vossos comentários, juro. :-))

Anónimo disse...

Eliminem-se as portas, já, para acabar com os despedimentos.
José Barros

Catinga disse...

Reforma, qual reforma?

"Mira Amaral defende gente de 'cabelo branco' no Governo" (Diário de Notícias).

Anónimo disse...

Sr. Embaixador confesso que me deixei cair no caminho fácil da graçola, não foi contudo com o intuito de qualquer leitura enviusada ou conspirativa, longe de mim.

Até porque considero que o tema “porta”, sem referência a qualquer pessoa ou individualidade, não anda muito longe da diplomacia … é segura e firme, como todo o bom diplomata, ao mesmo tempo que com, a necessária delicadeza, se abre para receber quem vier por bem.

Dra Helena o seu bom humor e espírito jovial são conhecidos de todos os portugueses e alegram-me sobremaneira que tenha sorrido com a breve e carinhosa provocação que lhe fiz… como diria a canção que "não" foi escrita “its incredible that someone so witty things that i am witty too”.

Nuno 361111

Anónimo disse...

Isto é um blog de portas abertas à boa disposição.

patricio branco disse...

sim, agora escrevem-se livros estudos sobre quase tudo, a história das chaves, o significado do mês de novembro no sec 16, o medo na sociedade vitoriana, a falta de papel no reino de jorge IV, a historia da batata, etc. uma revista inglesa dedicou o editorial sobre esta tendencia no mês de agosto ou julho (the literary review).
etc, etc

Anónimo disse...

Digamos que um “mundo sem portas” é o chamado “open space” tão frequentemente projetado pelos arquitetos de referência, ou, como é designado pelos nossos compatriotas, seus vizinhos, o “tudo amples”, não de arquiteto, mas que às vezes é "projetado", por entidades de nomeada…

Anónimo disse...

Pois é.... escrever tem os seus escolhos porque quem lê interpreta conforme as suas referências. Por isso é que é uma arte de risco. Mas eu não sei.

Helena Oneto disse...

Carissimo Senhor Embaixador,

A sua amiga ficou encantada com a tematica, haut en couleurs, dos seus projetos e ficou impressionada com o entusiasmo que o anima em pô-los em pratica num futuro proximo.
Useless to say que lamenta que a reforma -mais que merecida- ‘leve’, daqui, demasiado cedo, o casal Seixas da Costa que tão simpactica e intelegentemente ‘abriu’ a porta da embaixada.

PS: a sua amiga também ficou encantada em conhecer pessoalmente o (so cute) jovem consul em Paris!

Julia Macias-Valet disse...

Porque sera que as portas atraem menos os artistas do que as janelas ?
Maluda, Hitchkock, Hopper sao alguns dos que se deixaram captivar pelo lado ora docil ora voyeur das vidraças.

Isabel Seixas disse...

Aí está uma mensagem de esperança que não nos deixará na incerteza de ficar à porta nem cair em tentação de ouvir as rememorações silenciosas das leituras atrás das portas do duas ou três coisas, claro.

Bem pelo menos para se ter direito à reforma da biblioteca, já à biblioteca da reforma?...

Talvez por Portas ainda travessas...
Quem sabe?