sábado, 30 de junho de 2012

Pousar em Elvas?

As fortificações e o centro histórico de Elvas foram ontem designados como "património mundial", numa reunião da UNESCO, que está a ter lugar em São Petersburgo. A saudável teimosia da autarquia local, ao longo de vários anos, foi o fator propulsor deste êxito, que confere a Elvas, a partir de agora, uma visibilidade internacional bem diferente.

Desta notoriedade vai, com toda a certeza, resultar para a cidade uma muito maior movimentação na área do turismo. Ironicamente, vale a pena perguntar se será por essa razão que as Pousadas de Portugal decidiram, há tempos, fechar a mais antiga de todas as Pousadas portuguesas - a Pousada de Santa Luzia, em Elvas -, que, nomeadamente, ficou conhecida como um dos marcos da restauração nacional? 

A propósito: será que as autoridades turísticas portuguesas já fizeram a conta às unidades da rede das Pousadas de Portugal foram alienadas (ou "franchisadas") desde que o grupo Pestana assumiu posição proeminente e, pelos vistos, preeminente na empresa? Custa-me muito ter de tratar, neste registo, um grupo hoteleiro de prestigio nacional, que, em particular, desenvolveu um notável trabalho no Brasil, e que então tive o maior gosto em apoiar. Mas, como cidadão "amigo das Pousadas", vejo-me obrigado a destacar a sua evidente responsabilidade na triste liquidação que tem vindo a ser feita de um dos mais ricos patrimónios histórico-turísticos que o nosso país possuía. Desde 1942. Até quando? 

17 comentários:

Anónimo disse...

Andou Vossa Excelência bem e muito fez pela nossa Elvas! Uma mágoa, porém, não posso deixar de lhe exprimir: como pôde ter sido esquecido em todo este processo a canção imortal de Paco Bandeira "Ó Elvas, ó Elvas, Badajoz à vista"?

a) Oliventino irredentista

Anónimo disse...

Algo tem que ser feito.

Eu e amigos comuns poupávamos para podermos ir a Elvas almoçar e ... jantar.

A barbárie não pode continuar.

A cidade de Elvas deve muito à qualidade restaurativa da Pousada.

O título agora atribuido tem a ver com muitos méritos.

Respeitosos cumprimentos.

Guilherme.

Anónimo disse...

Até quando, Senhor Embaixador?
Desculpe-me o estilo, mas é o que "a casa gasta": até serem nacionalizadas (de preferência sem indemnização, mas a Constitição não deixa e essa é, para mim, inviolável)
V

Portugalredecouvertes disse...

Quando o património desaparece fica uma ferida

Isabel Seixas disse...

Se Bem me congratulo por Elvas, e me entristeço com a redução de poisos românticos, também gostaria de saber se vão incluir na agenda a consagração das termas.

Lembro que as Caldas de Chaves Têm efeitos terapêuticos em Doenças tão atuais como as reumáticas e musculo esqueléticas; Doenças do aparelho digestivo e das vias respiratórias (Folheto 2005). E não só...
E há tantos, tantos, tantos poisos.

Pinóquio disse...

Parabéns a Elvas, a todos nós que gostamos de Portugal e a si também, senhor embaixador. Parece que trabalhou bastante para que esta candidatura fosse para a frente. Não sou frequentadora de pousadas, por motivos óbvios, mas faço caravanismo. Ao que me disseram, o parque de campismo de Elvas, gerido pela Confraria do Senhor Jesus da Piedade, ou melhor pelos monges desta Confraria (é verdade!)deixa muito a desejar, não tem os requisitos mínimos. Espero bem que agora,surjam novas estruturas para que gente de todas as bolsas possam permanecer uns dias em Elvas.As autoridades de Elvas deveriam envidar esforços para que este parque de campismo seja melhorado ou reconvertido numa estrutura moderna e com as condições que todos merecem.Quando lá for, é o que vou deixar escrito no Parque de Campismo e na Câmara, com toda a certeza!Vamos a ver se muitos outros o vão fazer também, pois um só não chega!

Rui Franco disse...

De pousadas nada sei (tirando o facto de, por vezes, sentir que me estão impedindo de aceder ao Património...), mas, de Elvas lembro-me bem. Achei tudo aquilo com um ar demasiadamente "parado". Talvez fosse do calor...

As fortificações de Elvas impressionam, sem sombra de dúvida, mas a sua existência não chega. É preciso que haja informação ao turista - (bons) painéis informativos -; que os sítios estejam abertos e limpos de vegetação; que haja onde uma pessoa se possa refrescar; que haja animação (porque razão somos tão avessos, por exemplo, à recriação histórica que não seja em dias de aniversário de alguma data?); que haja visitas guiadas, etc.

O turismo "histórico" é um manancial de riqueza que teimamos em não aproveitar.

Em jeito de final: alguém na CME pensará em arranjar um miniautocarro que vá fazendo o circuito dos vários fortes?

patricio branco disse...

as fortificações de elvas são magnificos exemplos de arquitectura militar, postos de observação e defesa contra os espanhois. nunca os visitei, embora creia que 1 está aproveitado para museu. Há publicidade? nunca vi, apenas uma pequena tabuleta na estyrada indicando forte, museu ou algo assim. as outras frortificações, a que rodeia a vida antiga, está integrada. depois há mais 1 ou 2 que essas então nunca se visitam de certeza. depois há o aqueduto que ilustra os jornais que falam da candidatura, referindo que fortificações de elvas foram, etc. ora o aqueduto é creio uma obra civil, foi tambem incluido como dão a entender as fotografias?
hoje na radio ouvi que uma zona da madeira, santana, fora classificada, mas deve ter sido em ocasião anterior.
sinceros parabens à equipa portuguesa na unesco chefiada por fsc pela vitoria da candidatura.
agora o trabalho de tirar partido é cá dentro, municipio de elvas e ministério do turismo (que creio que já não há)

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

A Pousada de Elvas foi boa na época em que as Pousadas eram concessionadas e exploradas pelos respectivos concessionários, que eram escolhidos a dedo e inspeccionados pela central regularmente. Foi esse o espirito com que foram criadas as Pousadas. Depois criou-se uma espécie de "cadeia hoteleira", a Enatur, para se explorarem as Pousadas e a partir daí com a Sede cheia de empregados começaram a aparecer os prejuizos. Então o Estado vendeu ao grupo Pestana, grupo de grande qualidade, mas que tem como objectivo o lucro e gerar riqueza para os seus accionistas que lá arriscam os seus investimentos, e a partir daí, como é lógico o Grupo Pestana fez contas e fechou as Pousadas que não eram rentáveis.

O mal não está no Grupo Pestana, mas sim no espirito inicial das Pousadas, aquele com que António Ferro o criou ter sido desvirtuado.

Não tenho duvidas que a Pousada de Elvas foi boa enquanto o Carlos Perico foi concessionário. Tenho as maiores saudades daquele Bacalhau Dourado que era unico.

Anónimo disse...

se calhar devia se ter considerado algum patrimonio da enatur patrimonio nacional...

bem haja

Anónimo disse...

Inteiramente consigo! Subscrevo o Post.
Biscaia

Anónimo disse...

Conheço muito bem o Nuno Jardim Fernandes, que presidiu durante uns tempos os destinos da Enatour. Saíu depressa dessa tarefa. O que não me entra na cabeça é que o Estado (com funcionários a mais, segundo dizem) não faça a gestão dos sítios que sustentam em si mesmos, uma boa parte da história e da geografia do nosso país. No dia em que privatizarem a TAP, por exemplo, as pessoas com quem privo de perto, já sabem que nesse dia não falarei com ninguém, em sinal de luto e de recolhimento a rezar a Deus ou aos Deuses todos para que chegue depressa o dia de a nacionalizarmos de novo. Ainda ela não está vendida, e, já peço a sua nacionalização. Por este andar, isso acontecerá de certeza!

Anónimo disse...

Senhor Embaixador,
Ai, ai, ai... e eu que nem me tinha apercebido que a pousada de Elvas fechara! Ja ve ha quanto tempo nao vou a Elvas. Mas, nao esqueco o citado magnifico bacalhau
dourado e a bochecha (ou seria queixada?) de porco na brasa... E os doces? Engordo so de recordar. !

Selvagens sao os que destroem o nosso patrimonio Nao merecem perdao nem indulgencias!

Saudades de Londres

F. Crabtree

Catarina disse...

A concessão da pousada de Elvas foi dada a António Pimenta um Grande de POrtugal

Luis Miguel Correia disse...

Caro anónimo amigo da TAP,

Também me custa assistir à próxima venda da TAP ainda por cima em saldo. A TAP é a nossa empresa de bandeira, mas se já nem a bandeira respeitamos - agora são feitas na CHINA com uns pagodes em vez dos nossos castelos, pelos vistos vamos abdicar desta pequena extravagância aérea num País falido com a soberania hipotecada aos credores generosos que aproveitam para rapinar o pouco que de bom ainda nos resta...
Em tempos também tivemos grandes navios que não fomos capazes de manter e quase ninguém lhes sentiu a falta...

Luís Miguel Correia

Anónimo disse...

pergunto-me ate que ponto nos dias de hoje muita daquela velha direita, digamos cds, nao e pela nacionalizacao de muito patrimonio do pais, perdido e desperdicado nas maos de cavaquistas e seus congeneres de esquerda...

(nao estou a falar de nacionalizacoes tipo bpn bic, e ainda esta por saber se de facto os angolanos tratam o patrimonio portugues pior que os proprios portugueses, com todo o respeito pelos angolanos e infelizmente cada vez menos pelos portugueses...)

bom...
agora vou fazer a minha grevezinha para ver se consigo aumentar o meu salario para 8600 euros...

bem haja

Anónimo disse...

A todos os que desejam voltar à Pousada de Elvas, boas notícias!
Abriu agora como Hotel de 4 estrelas na mão de João Simões e promete trazer as memórias dos bons velhos tempos! O bacalhau dourado está impecável...