segunda-feira, 25 de junho de 2012

Portugal no mundo

Um dos aspetos curiosos da vida como diplomata é observar o modo como Portugal é visto pelos outros, que imagem de nós está criada pelo mundo, o que ficou da nossa História em países cujo passado cruzámos. 

Há dias, ao efetuar uma diligência junto de um colega estrangeiro, e para além da eventual racionalidade daquilo que era a nossa pretensão, fui confrontado com a seguinte e espontânea reação: "Vocês podem sempre contar conosco! Eu nasci ao lado de uma fortaleza construída pelos portugueses. Desde criança que me habituei a admirar a vossa aventura pelo mundo".

Esta é uma riqueza não se mede em cifras do PIB e que, seguramente, vai durar muito para além da nossa dívida.

11 comentários:

Catinga disse...

E essa simpática criatura aceitaria que o "seu" castelo ficasse submergido por causa de uma barragem, por exemplo?

Anónimo disse...

Tem toda a razão, Semhor Embaixador, mas desgraçadamente as troikas e os FMIs, ao lerem o seu post, não entendem patavina.
Quando muito perguntarão se a fortaleza ainda é nossa e quanto vale no mercado de antiguidades.
V

Anónimo disse...

Boa Catinga. Com essa já vão dois coelhos de uma só... com a vantagem de não afogarmos os animais, pois daqui lá, é como de lá aqui!

Anónimo disse...

Terá sido desta “”riqueza (confiança) ” que não se mede em cifras do PIB e que, seguramente, vai durar muito para além da nossa dívida”, que os dois ministros estavam ontem a falar?
Só pode ser!... Como não pensei logo nisso?

Anónimo disse...

Vivi esse tipo de emoção, por exemplo no forte de S.Jorge da Mina, no momento em que um guia, desconhecedor da nacionalidade dos "turistas", explicava os diferentes papeis dos portugueses , holandeses e ingleses em termos suficientemente agradáveis para nós, portugueses, e não para eles (colegas turistas das ditas nacionalidades) e penso que, realmente, não tem preço e deveríamos estar,com muita sobriedade, conscientes disso e, certamente, muito orgulhosos dos que nos antecederam.
João Vieira

Anónimo disse...

imagino daqui a trezentos anos quando as criancas nascidas em kandahar admirarao esse povo de (entao) lingua espanhola que em tempos ocupou o seu pais...

bem haja

Anónimo disse...

Esse continua a ser um dos erros de muitos portugueses e, com particular incidência, de alguns diplomatas que trabalham para o governo português. Essas longínquas referências de pouco ou nada valem. Vejam o caso do Brasil e a imagem que Portugal ainda tem naquele país. Para os brasileiros Portugal é um país parado no tempo, em que todos se vestem de preto, todos são velhos e de higiene limitada. Por muito que me surpreenda, essa visão não está apenas nos brasileiros menos estudados e menos viajados. É uma lástima que Portugal não aposte em mudar este cenário. Contudo, o turismo de Portugal no Brasil está a justificar essa imagem de um Portugal "atrasado e parado no Tempo". É triste. Quando apostam em promover um Portugal moderno e de bom gosto? Chega de estarmos agarrados a referências com séculos e séculos de idade.

Catinga disse...

Ao anónimo "25 de junho de 2012 17:17" só posso dizer: é o "fado" da "geografia dos afetos". Enquanto não nos virmos livres desse cancro, a coisa não vai lá...

Portugalredecouvertes disse...

Deveríamos valorizar o facto de termos uma pegada ecológica mais reduzida!
Não faz sentido por um lado apregoar a diversidade e por outro as pessoas continuarem a tentar serem iguais aos outros!

patricio branco disse...

tambem se diz, portugal? ah sim, eusebio, ronaldo, mourinho.
mudam se os tempos, mudam se os monumentos!

Isabel Seixas disse...

Gostei tanto tanto deste post.

Ás vezes dou por mim a "tentar" traduzir os hinos dos outros paises

(aquando dos jogos de futebol, cultura proliferativa que aufiro(que remédio não tive outra hipótese) com ou sem agrado depende do meu estado de espirito)

e nacionalismo á parte
(com a objetividade que consigo)
o nosso Hino pulveriza esse espirito referido pelo Sr. que conheceu , de força, aventura, empreendedorismo "contra os canhões marchar marchar" e viagens low coast( também em caravelas que convulsivam/trepidam, por exemplo a viagem de "avionete" Vila Real Lisboa)...
Vejo sempre essa parte dos jogos e os golos,estes a maioria das vezes em diferido.