quinta-feira, 7 de junho de 2012

Banho de bola

As próximas semanas prometem muito, em matéria de futebol. Conhecendo-me a mim próprio, já imagino as noitadas que vou ter de fazer para recuperar os jogos perdidos durante o dia, com as correspondentes olheiras matinais seguintes e reações irritadas no trabalho, por falta de sono.

Como estou em fase de intenso lóbi para alguns interesses portugueses na UNESCO, com vários encontros por dia com colegas e estruturas da organização, vou ter de estar atento aos respetivos resultados nacionais, para poder ganhar algum coeficiente acrescido de boa vontade. Não chegarei à hipocrisia de me mostrar contente com as suas eventuais vitórias, mas garanto a simpatia de os felicitar por elas.

Contrariamente à esmagadora maioria das pessoas que conheço, não sou dado à mais leve preferência em termos de países, com natural exceção da seleção portuguesa e dos Estados que falam a nossa língua. A minha atitude na observação dos jogos, para além do simples disfrute do bom futebol, é sempre a mesma, desde há muito: não consigo ter simpatia por seleções de países com regimes ditatoriais ou autoritários e desejo a vitória da equipa tida por menos favorita e por mais fraca. Às vezes, a conjugação de todos estes critérios leva a inevitáveis contradições, mas consigo resolvê-las na minha irrevelável diplomacia íntima. Raramente me desviei desta linha, que, como há tempos me dizia um velho amigo, é "a mais política maneira de ver futebol que alguma vez conheci".

Só que a vida diária de um embaixador é complicada. Como exemplo que julgo significativo, por compromissos simultâneos, não vou poder assistir, em direto, a nenhum dos jogos da seleção nacional portuguesa, na primeira fase. Nem sei se isto é bom ou mau. Logo se verá, "com toda a tranquilidade".

Em tempo: ... e "puxarei"pela Grécia, que nos derrotou na final do Europeu 2004, por todas as razões de atualidade e também pelo facto do português Fernando Santos ser o treinador da equipa.

11 comentários:

Anónimo disse...

apoiar os paises que falam portugues e ao mesmo tempo nao desejar sorte as equipas de estados opressores ou dictatoriais... e capaz de nao ser facil, nao?...

ao mesmo tempo fico a pensar ate que ponto as seleccoes da libia, tunisia etc terao mudado de jogadores, ou ate que ponto a vitoria de uma equipa e a vitoria de um povo ou por outro lado de um regime, se e que e a vitoria de algum deles...

Fabio Ruben Lopes Paulos disse...

Esperemos que consigamos um bom resultado neste Europeu.

Rubi disse...

Com tranquilidade! :)

Isabel Seixas disse...

Pois eu primeiro e em 1º de preferência claro e de claro 1ºPortugal,ou 2ºPortugal,ou 3ºPortugal se não for exequivel
4º Espanha, 5º ainda não sei decido á posterióri.

Anónimo disse...

Nobless,oblige!

gherkin disse...

Contrariamente ao seu caso, espero não perder nenhum jogo, particualarmente quando stou a ser encorajado por um genro inglês, fanático do Manchester United e netas nascidas na Inglaterra, mas fortes apoiantes da seleção das Quinas, mesmo nos jogos contra a Inglaterra! CONFIEMOS NOS NOSSOS RAPAZES!
Abraço e bom trabalho,
Gilberto Ferraz

Anónimo disse...

Futebol? Europeu? Nem sabia disso..tenho tanto que trabalhar para manter o meu emprego que nem me lembrei dessa coisa do europeu. E logo eu que tanto gosto de futebol...

Anónimo disse...

Lembro o jogo do Eusébio a chorar naquela Inglaterra, que tinha posto a selecção portuguesa (à última da hora) a mudar de campo, fazendo um longo trajecto de autocarro... Na altura havia quem dissesse, que Portugal nunca deveria ganhar, porque não havia democracia no país. Mas os nossos jogadores pequenotes, dançavam no relvado com elegância, marcando golos, entre as "rasteiras" bem conhecidas dos ingleses! (Ingleses a quem dava muito jeito o regime português. Veja-se o número de madeirenses que embarcavam para a África do Sul, aonde faziam de tampão entre a comunidade inglesa, e os negros que empurravam para fora das zonas que passavam a ser "in". Trabalho feio feito por aqueles emigrantes pouco letrados e incultos). Soube-me bem, no fim do ano de 1988, na Coreia do Sul, numa casa de artigos em pele, depois de tentarem adivinhar de onde eu era,quando lhes disse: de Portugal. Que loucura! Passei logo a um compartimento aonde faziam escritório e, nas paredes lá estava em diferentes posições o Eusébio em tamanho "gigante". Mudaram a música de fundo na loja e a voz da Amália passou a abria sorrisos em todos os presentes. E viva o futebol português, pela primeira vez jogado em Portugal na Quinta do Palheiro Ferreira, na Ilha da Madeira, para quem não souber.

Helena Oneto disse...

De ilusões a ilusionismos, só a Grécia ser(i)a capaz de um "xuto" semelhante ao da belíssima imagem que ilustra este post.

Isabel Seixas disse...

Senhor Embaixador, não tem visto a nossa velha Amiga?! Oh, que saudades...
Vamos ver se a estimulo...

Banho de bola
estimulo de sorrisos
despertar dos sacos lacrimais
destilar de sonhos imprecisos
como quem os recebe de esmola

Banho de Bola
em tempos de agora
evasão da mágoa e crise
Efeito tolerância no deslize
pão de boas más linguas,nos jornais

Banho de Bola
Higiene das emoções
frustração vai-se embora
enquanto dura o jogo em calções
todos jogam no Olimpo bem matreiros

Por fim
Risos Sol e céu limpo
E Nuvens a chorar como chuveiros

Anónimo disse...

Lembram-se do europeu de 2004?

1º - Grécia
2º - Portugal

Será que oito anos depois, as agências de rating, o FMI, o BCE e outros que tal não deveriam ter isso em consideração, quando as posições se invertem, na economia europeia?

Então é isto que vale o futebol, e que valem as seleções?

Ou será mesmo esse, o banho de futebol, o que era um desporto e se transformou num jogo de interesses dirigido por dúbios interesses, praticado por meninos ricos e vaidosos, que ganhando salários obscenos estão mais interessados em passear as suas potentes máquinas de enlouquecer mulheres bonitas do que em viver o orgulho dos milhões de pessoas que por eles sofrem?

Futebol de hoje? Baahhh!
Nem mesmo sendo a dita seleção nacional me deixa entusiasmada.