quinta-feira, 14 de junho de 2012

Armamento

Estive hoje à tarde numa grande exposição internacional de material de defesa, perto de Paris. Portugal tem lá uma empresa, fabricante de veículos de elevada qualidade, já com contratos em curso com alguns países. Esta é uma área da nossa indústria que, ao que apurei, muito deve já à aprendizagem feita pela tropas portuguesas que têm estado envolvidas em operações de paz de natureza internacional, com grande honra para as nossas Forças armadas e com grande prestígio paralelo para o nosso país - muito em especial para a nossa política externa, convirá sublinhar.

Ao atravessar os imensos espaços onde se publicitam as vantagens de uma incrível gama de produtos para uso militar e em áreas de segurança, desde carros blindados a armas ligeiras e pesadas, numa impressionante parafernália de meios sofisticados de combate, dei comigo, subitamente, algo chocado ao olhar um video, repetido num écran, no qual se via o efeito fortemente destruidor de um míssil sobre um edifício. 

Estou longe de ser um pacifista radical, sei respeitar e defender as "guerras justas" e a necessidade do uso da força para impor os valores que consideramos fundamentais a uma ordem internacional mais justa, mas devo confessar que, por um instante, senti-me menos bem ao ver aquele filme laudatório de uma arma terrivelmente letal, quiçá idêntica às que, nos dias de hoje, liquidam a fome de liberdade dos cidadãos da Síria.

O mundo é o que é, mas isso não nos impede a que, por vezes, sintamos mais fundo as suas (e as nossas) contradições.  

11 comentários:

Anónimo disse...

Bravo, Sr. Embaixador
V

Anónimo disse...

A minha mãe era uma mulher de aldeia sem grandes conhecimentos de estratégicas mesmo no dominio da defesa. Um dia choquei-a ao dizer-lhe que deviamos estar preparados, sempre, para a guerra contra a guerra. Seria da sua idade, seria da sua pacifica filosofia... A verdade é que a verdade, dizia ela, estava muito baralhada e, enquanto se não clarificava, deviamos simplesmente proibir a guerra...
 José Barros

Isabel Seixas disse...

"os valores que consideramos fundamentais"...

Começo sempre pelo valor da vida humana...

Embora "respeite/aguente"...!!!? também o conceito de "guerras justas"(Não consigo lembrar-me de quase nenhuma, aliás na maioria acho que chegaria a crueza de colocar os lideres na linha de frente de combate, para se passar á guerra fria) seja ele qual for, pois que remédio...

Aliás, mete-me nojo, que se gaste mais dinheiro em defesa pela estratégia do planeamento e prevenção do ataque,e se invista pouco ou quase nada, comparativamente, em investigação em saúde.

Catinga disse...

A França e a sua indústria bélica são grandes responsáveis por muita da miséria em África. É certo que se pode sempre argumentar que, se os franciús não instigassem guerras para poderem vender as suas coisas, outros o fariam mas, a verdade, verdadinha, é que eles têm enormes culpas no cartório.

Anónimo disse...

Quer se queira, quer não se queira a guerra é uma realidade e não será possível aboli-la, ao contrário do que alguns pensam, nomeadamente na Europa.

Anónimo disse...

Patriotas, mas muito espertos os pais que conheci que levaram os filhos até os 15 anos, para a Venezuela, África do Sul, EUA e mesmo para a Grammer school inglesa; que chegou a ter tantos alunos da Madeira como os que ficaram no Liceu Jaime Moniz. A guerra serve a interesses, que passam sempre ao lado da maioria das populações. Por isso, quem puder que fuja, pois a ONU, muitas vezes chega tarde demais, pelo menos a tempo de fazer esgotar os stocks de armamento bélico.

Anónimo disse...

Todas as guerras são justas e injustas, Isabel Seixas.
Justas para os vencedores e injustas para os vencidos.
V

Anónimo disse...

Pois é... Mas "guerras justas"... Agora é que não sei mesmo nadinha de nada. Será de não ser politizado?

gherkin disse...

Plenamente de acordo, meu caro! Salvo, porém, "guerras justas". Estas, o que são? G U E R R A S! Geralmente decretadas pelos políticos, digo - MAUS POLÍTICOS. A diplomacia, o diálogo, obviamente são prevalecentes. Porém, e caso, estes falhem, em última instância será o inevitável!
Tive sempre o mmesmo sentimento quando profissionalmente "cobria" exposições desta natureza!
E aqui concordo com Isabel Seixas, cujo sentimento aplaudo!
Abraço,
GilbertoFerraz

Portugalredecouvertes disse...

Como diz o Sr. Embaixador
trata-se de uma exposição de material de defesa:
assim não parece mau

então há outro momento em que talvez o mesmo material seja chamado material de ataque?

Anónimo disse...

defesa, defesa...

nao ha nada de mais bonito que ver os lindos resultados das cabecinhas pensadoras deste mundo

http://www.youtube.com/watch?v=QjeqRVA_bi4

fico a pensar o que e que leva uma pessoa a fazer uma coisa destas...


bem haja