domingo, 4 de março de 2012

Bordéis

Admito que para alguns possa soar a sintoma de modernidade, pode até ser que a segurança física das prostitutas (e dos prostitutos, presumo) saia mais protegida com a sua instalação em residências próprias legalmente protegidas, que a comodidade dos utentes possa vir a corresponder aos eventuais níveis de exigência a Deco venha a estabelecer, pode ser o que quiserem que seja, mas a mim, até prova em contrário, parece-me relevar de um imenso reacionarismo social a hipótese de legalização dos bordéis.

E não venham, de forma saloia, com exemplos "do estrangeiro" como argumento, está bem?

21 comentários:

Anónimo disse...

O Senhor Embaixador mais uma vez revela a sua cultura humanista serôdia, bem distinta da cultura empreendedorista, jovem, fresca e descomplexada que está a dar agora. Se reparar nas consequências positivas para o nosso PIB da notação rigorosa e detalhada desta actividade económica, do acréscimo daqui resultante no IVA (ao taxar cada transacção), no IRC (sobre os chulos), no IRS (sobre as ou os profissionais) e nas taxas moderadoras, taxas de luxo e a nova taxa de luxúria, única na Europa, a cobrar aos consumidores, terá que admitir que este é mais um passo na revolução fiscal em curso. Passe Vossa Excelência muito bem.

Respeitosamente

a) Feliciano da Mata, handyman da Troika

Catinga disse...

É como aquela cena do Gato Fedorento:

- É proibido?
- É
- E o que se faz?
- Nada!
- Mas é proibido...
- É...
- E o que acontece a quem faz?
- Nada!
- Mas é proibido...
- É!

Ou, aplicado a outras situação:

- É nossa?
- É!
- Mas não a pedimos de volta
- Não!
- Mas é nossa...
- Ah, pois é!
- Mas fica com os outros...
- Claro

Anónimo disse...

É evidente que a legalização da actividade da prostituição crua e dura , tira logo o interesse pelo pecado ! Porque a melhor fruta é a proibida!

No entanto, o Sr embaixador tem que perceber que as máfias de tráfico humano retiram jovens menores às familias para serem vendidas por milhares àqueles que faustosamente vivem e que podem pagar.

Os empresários da carne tem sempre acesso aos politicos, como o Strauss Kan , que nunca pensou que aquelas lindas mulheres a quem ele pagava viagens em executiva, carros e estadias em luxuosos hoteis , poderiam alguma vez estar a fazer o frete por dinheiro!! é claro que o homem imaginava que era girissimo e que as miudas andavam atrás dele por amor !
Assim como o Berlusconi e as suas festas Bumba-Bumba !

No estrangeiro o País que tem legislação mais avançada neste dominio é a Holanda, mas admito que à luz dos principios morais básicos da nossa sociedade aquilo possa ser um bocado chocante à vista mas no essêncial vai dar ao mesmo !!

OGman

patricio branco disse...

em minha opinião trata se de uma actividade que sempre existiu e existirá, nada a fazer para acabar com ela, pelo que melhor ser tolerada e controlada que clandestina.
é uma forma de economia paralela, escondida que escapa a qualquer controle, desde fiscal (e move milhões)a sanitário, sem regras portanto, propicia a ser dominada por mafias, proxenetas, etc.
Que se estude o problema para melhor o controlar, submeter à fiscalidade, oferecer garantias aos utentes e direitos e deveres às/aos profissionais da actividade.

André Neves disse...

Vejo descritas razões para apoiar, e para além do mal-estar pessoal nenhuma para contrariar.

De que maneira é que esta medida "se opõe ao progresso"?
http://priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=rea%C3%A7%C3%A3o

Se isto é reacionarismo social, foram reacionarismo social: a despenalização do consumo de drogas; a troca de seringas; as "salas de chuto"; a legalização do aborto?

Estou habituado a melhor, caro Francisco da Costa.

Anónimo disse...

Meter a Deco nisto não foi elegante.

Anónimo disse...

Senhor Embaixador, se me permite, gostaria de conhecer as suas razões para esta sua conclusão. Apenas para eu mesmo analisar melhor a situação e conseguir ter uma opinião formada. Muito obrigado.

Anónimo disse...

Acabar com a prostituição parece impossivel; Legalizá-la parece imoral; Deixar as coisas no estado de abandono e insegurança em que elas se encontram   questiona a responsabilidade do Estado.
Se há atividades que são proibidas e autorizadas ao mesmo tempo, a prostituição é uma delas. 
E às vezes é dificil compreender certas intervenções do Estado no interior de atividades ilegais, ou proibidas, cuja intervenção quase parece um incentivo àquelas condenáveis práticas. Como exemplo a distribuição gratuita de preservativos às maretrizes que "trabalham" nas florestas da periferia de Paris; a distribuição de seringas aos toxicodependentes para que eles possam injetar aqueles produtos altamente tóxicos com material limpo...
De facto enfrentamos situações paradoxais !     
José Barros

Isabel Seixas disse...

Confesso a Feliciano da Mata todo o poderoso que não conseguindo acrescentar nada absolutamente Nada ao realismo pragmático e utilitário para O País do seu comentário me remeto a um celibatário silêncio neste post por considerar estar todo o essencial dito...
Todo o resto, será do meu humilde ponto de vista, supérfluo...

PS Não imagina, caro senhor, como essa discussão é proficua em termos até de oferta e procura em zonas raianas, estando em causa até, como pode imaginar, alguma fuga de divisas por promiscuidades na ausência de registo adequado da atividade, que aliás, o seu alerta pode evitar...

Mônica disse...

Sr Embaixador

com amizade e carinho neste inicio de semana
de sua amiga Monica

Alain Demoustier disse...

Eis um verdadeiro economista, merecedor de um Nobel
Alain+++

A chuva é filiada na CGTP? disse...

ok atão vamos com a saloiada argumentativa de que as casas de alterne e boites/discotecas e até o Parque Mayer e sua envolvente hoteleira funcionaram como bordéis importando nacionais e ultimamente russas moldavas e brasucas às dezenas de milhares nas últimas décadas

se já existem de facto porque non di jure...

até o cabeça de cenoura (o sucessor do cabeça de abóbra) disse um dia que a sua residência tinha um movimento pouco usual de gente a fazer pela vida

reduz também os roubos a que são sujeitos os ditos profissionais
que redundaram nalguns casos de assassinato (fora estripadores e afins)

um estabelecimento perto da única praia privada de Portugal (aquela que o estado vai comprar por 200 mil euros sabe-se lá porquê)
fazia anualmente cerca de meio milhão de eurros em proventos livres de impostos
comprando russas e moldavas a 5000 cada e revendendo-as ao pessoal dos Mercedes e BMW's com matricula ucraniana para abater no preço do novo stock

Resumindo:creio que é de um reaccionarismo social maior permitir a venda de seres humanos como gado..

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro Feliciano
Lembro-me bem da cultura fresca, descomplexada e empreendorista- mas adornada com bons casacos de peles sobre a pele -, que pululava aí nessa sua nova morada.
Serão já os eflúvios dessa mudança? Ou será a nova profissão de handyman da troika?!
Olhe que aqueles rapazes são muito tecnocratas, mas ainda se não devem ter lembrado do sexómetro, que é coisa mais para Berlusconi...

Gil disse...

Ó senhor Embaixador,
Faça-me lá um favor
E mate o mito do Mata ,
A ver se deixa o comércio,
Volta à métrica e ao verso
E deixe de ser empata.

Tinha talento, o Mata.
Sabia cuidar da prata
Que o patrão ostentava.
Nesse tempo, ele servia,
Era mordomo dizia,
Mas mesmo assim versejava.

Agora, comerciante,
Proprietário e farsante,
Estabelecido na praça,
Manda bocas , discreteia,
E mostra que até tem veia,
P’rá graçola e p’rá chalaça.

Dedica-te às poesias,
Como outrora fazias,
Feliciano, volta ás Musas!
Não cures de economias,
De pilim e mordomias,
De ter ideias confusas.

Volta p’ra junto de Alcipe,
A trabalhar em equipe,
Numa atitude gentil.
E como sou teu amigo,
Vê se ouves o que eu digo,
Recebe abraços do Gil.

De facto até menos do que gado... disse...

O gado tem mais direitos

e os miúdos (e miúdas) que até ao fim da década de 90 se vendiam às claras a partir das 19 horas no rossio e avenidas adjacentes são um reflexo da esqueci-me um anacronismo social qualquer nã era?

pois o ideal era voltarmos quiçá à década de 70...em que do casal ventoso até à praça de espanha
havia uma fauna variada à venda por módicas quantias e de idades e sexos variados...

de resto devido à competição estrangeira muita moçoila com tatuagem na canela vai fazer na holanda e na suiça o que fazia cá aos fins de semana...

há quem se prostitua por um emprego junto de um director ou outro fulano qualquer

que é um retrocesso social ou temporal aos anos 60 e 80...

Anónimo disse...

Sobre esta matéria, recomendo, desde já, o livro "os bons tempos da Prostituição em Portugal", se ainda existir algum exemplar á venda, uma antologia organizada e anotada por Manuel João Gomes, de Alfredo Amorim Pessoa, cuja 1º edição foi publicada em 1976, da Colecção Curiosa, da Editora Arcádia. Um livro interessante e divertido.
Quanto ao tema do Post é requentado. Já foi objecto de "tratamento", ou "abordagem", noutros Blogues. É assunto que não aflige o país. Oxalá mesmo assim que tudo se mantenha como até agora, pois aflige-me a ideia de uma prostituta poder ter de apagar impostos. Que seria o que iria suceder se viesse aí a legalização.
Tenham uma bela noite e durmam descansados.
O Saloio

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Saloio: aqui não se "compete" com "outros blogues", em termos de temas. Raramente leio outros blogues, pelo que não faço ideia do que por lá se escreve.

Anónimo disse...

Este é os tais assuntos cuja discussão tem a idade do próprio assunto…e não parece haver grandes dúvidas que é a profissão mais antiga da humanidade, como é dedutível… :
Não sendo o caçador/recolector considerado profissional, uma vez que o fazia (antes da maçã) apenas para suprir as necessidades primárias, teve, no entanto, que se “aprimorar”, ou seja “profissionalizar”, porque apareceram atividades lúdicas que, como sabemos (pelos manuais…), têm estipêndios que duplicam inicialmente o “orçamento base”, mas tudo por brincadeira. Depois, tornam-se viciantes com gastos cada vez maiores…
Terá sido assim o advento da era profissional… ou seja, necessitando o rendimento de ser otimizado, só um verdadeiro profissional conseguia proveitos compatíveis com os custos das referidas despesas lúdicas.
Naquela altura não haveria “moinhos vermelhos”...e, como hoje, não consigo imaginar alguém à saída, mesmo do “moinho vermelho", a entregar “il scontrino” ao “profissional”, agora como cliente… com a descrição da designação, preço unitário e total, acrescido do imposto à taxa legal em vigor.
Também não sei se a economia tinha o grau de evolução atual e até já admitisse “a variante” designada como “paralela” cuja caraterística geométrica, aqui, se poderia também designar por “economia horizontal”…
Bem, quem, de todos, ainda não comeu da maçã, que diga de sua justiça…

Anónimo disse...

As noites, bem como os dias, não se "têm": "passam-se"!

Anónimo disse...

Amigo Gil, sou do povo:
sabes bem que me não calo.
Agora cheira-me a novo
e de novidades falo.

Gil, Alcipe, Embaixador:
tudo velhada sem rumo!
Nenhum é empreendedor
e de negócios nem fumo!

Vão ver o amigo Mata:
inda vos dá de comer,
já em muito breve data
e só a quem merecer!

a) Feliciano da Mata,troika-tintas

Anónimo disse...

Senhor Embaixador, durante muito tempo acreditei que a prostituição deveria ser legalizada por questões de higiene e segurança destes "profissionais" e seus utentes. Em boa verdade, o tempo demonstrou que este tipo de legalização continha em si vários riscos, formas de abuso e práticas ilegais associadas. O tráfico de mulheres infelizmente é uma realidade com dimensões para além do nosso imaginário e deve ser combatido em absoluto. Concordo com a criação de pontos de apoio para essas pessoas, que certamente não terão escolhido essa profissão pelo prazer de a praticar. Daí a legalizá-la não me parece o caminho, antes focarmos nas suas causas como ponto de partida para a sua erradicação.

Respeitosamente,

Monica Musoni