segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A TAP e eu

Ontem, fui visitar a TAP nas suas novas instalações em Paris, numa espécie de "inauguração" oficial, um pouco atrasada no tempo, mas feita com o maior dos gostos. Porque eu, confesso, gosto muito da TAP.

Tendo embora uma sólida conta de viagens aéreas em dezenas de companhias, devo dizer que me sinto sempre muito bem quando viajo na TAP. Outras empresas têm aviões mais confortáveis, muitas tiveram ou têm um serviço requintado que a TAP nunca atingiu nem atingirá, mas a TAP é "cá da casa", faz parte daquilo que nos habituámos a identificar no estrangeiro como português - como o pastel de nata, o fado ou a Vista Alegre. Fico satisfeito quando vejo os aviões da TAP nos aeroportos, nunca hesito quando a posso escolher como opção. É, além disso, um belo cartão de visita do país, uma companhia cada vez mais pontual, com um "record" de segurança invejável.

Porque tenho a TAP como "da família", perco mais facilmente a paciência com ela do que com outras companhias, detesto a displicência e os "pontapés na gramática" (principalmente francesa) nas mensagens lidas pelas hospedeiras, tal como fico furibundo com a arrogância das greves que afetam as viagens dos portugueses expatriados, que querem visitar as famílias nas festas ou nos verões. Mas acabo sempre por perdoar.

Nos postos diplomáticos em que estive, sem exceção, mantive sempre um excelente relacionamento com as pessoas da TAP, a quem só fiquei a dever simpatia. Talvez o Brasil tenha sido o país onde, porventura, a minha ação possa ter sido mais útil à TAP, a qual, nessa época, "disparou" em direção a várias cidades brasileiras, tornando-se na verdadeira "ponte" transatlântica que sucedeu ao fim triste da excelente Varig. 

Da vida, todos guardamos na memória alguns momentos especiais de bem-estar. Um dos meus liga-se à TAP. 

Em 1983, eu estava em Luanda, já há nove meses seguidos. Era uma cidade difícil, com imensas carências materiais, num tempo de guerra civil, com recolher obrigatório e a necessidade de limitarmos as nossas deslocações a um perímetro de segurança, já de si relativa. A vida em Angola era complicada, a assistência médica deficiente, o conforto relativo, as tensões, políticas e outras, eram pesadas de suportar. Ao final de todo esse tempo contínuo, de intenso trabalho, já saturado e algo stressado, vim de férias a Portugal. E recordo, como se fosse hoje, o prazer que me deu sentar-me, confortavelmente, num dos (então a estrear, hoje já desaparecidos) Lockheed 1011 TriStar, saborear um gin tónico e, pelos auscultadores de bordo, ouvir, pela primeira vez, Ivan Lins e Sérgio Godinho cantar, de um disco que eu ainda não tinha, "Que há-de ser de nós?".

A TAP vai em breve estar perante algumas escolhas de futuro. Só podemos esperar que a opção que viera ser tomada lhe preserve a qualidade e a sua identidade nacional. Tal como na canção, muitos nos perguntamos: que há-de ser da TAP? 

16 comentários:

mbs disse...

só tenho medo que não dependa da Tap a opção a tomar e que quem a tomar se esteja completamente a "borrifar" para a manutenção dessa qualidade e identidade nacional.

Catinga disse...

Nessa coisa dos pontapés na gramática, nós, os Portugueses, somos uns privilegiados. Como a língua dos 200 milhões não é respeitada por ninguém (começando pelos seus falantes), das duas, uma: ou as informações a bordo estão gravadas numa cassete (cuja locutora tem uma dicção perfeita) ou então, nem sequer há qualquer informação ou conversa em Português. É um descanso...

E, atenção, que eu só me refiro a voos com origem ou destino nacional, Aliás, fico sempre com curiosidade em saber o que aconteceria quando um avião de/para Portugal tivesse um acidente e muita gente não se salvasse pela simples incapacidade de perceber as instruções de emergência (orais ou escritas)...

patricio branco disse...

2 ou 3 apontamentos sobre a tap depois de ler a entrada, ilustrada com uma bonita e expressiva fotografia:
pontualidade. vão longe os tempos em que os vôos se atrasavam por norma 2, 3 horas ou muito mais. Hoje a tap é duma rigorosa pontualidade.
conforto. apesar da estreiteza dos assentos e proximidade das filas, ainda nos sentamos com conforto.
atendimento e simpatia. bons, sem duvida.
greves. a unica que me ia apanhar num dia de voar deu-me tempo para ir no dia anterior mudar os bilhetes para um vôo à minha escolha. Fiquei beneficiado no horário e tarifa dos novos bilhetes, ganhei portanto com a greve.
privatização. será inevitavel, mas que não a transformem numa companhia com as caracteristicas duma low cost e mantenham os serviços estrategicos de importancia nacional ao nivel de agora, refiro-me a madeira e açores, muito dependentes desse serviço.

Dulce disse...

Pois eu, das experiências que tive com a TAP vem-me à memória uma que se prende com uma intoxicação alimentar... Para esquecer.

Esquecidos pela TAP são também os portugueses e luso descendentes da África do Sul, que viram a sua companhia aérea de sempre quebrar décadadas de fidelidade. Creio que o mesmo sucedeu com a comunidade em Newark, EUA...
Não há razão que justifique a forma como se quebrou este elo de ligação com uma das maiores comunidades portuguesas... A TAP nos últimos anos ajoelhou-se ao Brasil e esqueceu-se das suas raízes.

Por estas e por outras, actualmente não viajo na TAP. A Air France, a Lufthansa e a British são companhias de primeira água a preços bem mais acessíveis... E o melhor que pode acontecer à TAP é que seja adquirida pela Quatar Airlines, como circula por aí....

Carlos Cristo disse...

A privatização da TAP dá-me arrepios: imaginá-la cair nas mãos de uma concorrente, que desloque o hub para outra capital européia, Madrid, por exemplo. Quais as consequências para o nosso aeroporto de Lisboa e para o nosso turismo? Que compromisso terá a empresa privatizada com as políticas públicas portuguesas? é preocupante!Concordo com o amigo Seixas, esta TAP é de casa, com ela podemos ser exigentes, ralhar - eu mesmo, já mandei emails para os diretores da Tap absolutamente desaforados - , aceitar uns defeitos, mas reconhecemo-nos.

Fernando Frazão disse...

Durante a última década do século XX e a primeira do Século XXI fui, por razões profissionais um passageiro frequente de várias companhias aéreas.
Tirando as orientais, Singapore, ANA, Thay, JAL, não conheço nenhuma melhor que a TAP com escepção da falecida Lauda Air, que foi mais um capricho que outra coisa qualquer.
Hoje, já reformado continuo sempre que é possivel a priviligiar a TAP o que não tem a ver com nacionalismos bacocos quem com chauvinismos "dèmodé". Sinto-me bem, sempre fui bem tratado e não tenho nada a reclamar.
A Air France, a Lufthansa e a British são o quê?
De primeira água? Só se for do esgoto.
Já agora a Dulce pode juntar a Ibéria.
Meramente por acaso e por obséquio de um grande amigo alemão, fui um dos passageiros do voo inaugural do A380 entre Frankfurt e Beijing em classe executiva. O avião é espetacular e o voo também o foi,
exceptuando o serviço a bordo que foi dos piores, senão o pior, que até hoje me calhou, o que não fica bem a nenhuma companhia, sobretudo tendo em conta a especificidade do voo.
Na volta (num A340) foi pior.
Quanto à British já está quase ao nível das low-cost.
Quanto à Air France não me pronuncio porque faz tempo não utilizo, desde o Mundial de Rugby em 2007, mas devo dizer que não me deixou saudades.
PS: Seria injusto não referenciar a Finnair

Anónimo disse...

Que há-de ser da TAP, Senhor Embaixador?
Uma vez privatizada hão-de restar-lhe a si e a todos nós as recordações.
Vai ser abocanhada.
V.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Ai da Tap se as coisas derem para o lado do torto. Ela não merece.

... e eu confesso: não me posso divorciar ao fim de quase 48 de casado; sabem porquê? Por causa da Tap. A minha mulher Raquel era lá contabilista e tenho que me precaver para não perder os bilhetes à borla... que ainda vou tendo - como cônjuge dela.

Anónimo disse...

Também eu estou muito preocupada coma "minha" TAP. Receio que após a privatização não volte a ser a mesma.
Quanto aos abandonos e novas apostas:
A TAP não abandonou Newark. Continua a voar entre 6 a 7 dias/semana. Abandonou Boston, Montreal e Toronto ... mas cedeu os slots À SATA. Nos EUA abriu este ano Miami.
Abandonou Johannesburg por razões meramente económicas. A linha não era rentável. 2 frequências/semana nunca o serão, dada a logistica da troca de tripulações e respectivas estadias forçadas. Em sua substituição apostou em Porto Alegre que foi um sucesso.

Anónimo disse...

A primeira vez que meti os pés num avião , foi na TAP, num Lockeed tristar !!!
Aquilo era uma bomba! O levantar era um terror !

Sobre a Tap , concordo consigo ! Aquilo tem o tal ADN português e para quem viveu em Africa , mais significado tem !
Aquele espirito de solidariedade e de entreajuda que aqui na Europa é considerado como um comportamento desajustado e inferior , sobretudo pela influência Franco-Germânica que tudo reduz a cifrões e os passageiros são carneiros obediêntes e bem comportados !
OGman

Anónimo disse...

Senhor Embaixador, tenho o mesmo sentimento pela TAP.

Posso até escolher outras companhias aéreas, mas sinto um enorme orgulho quando vejo um avião dos "nossos" nos aeroportos internacionais. É um bocadinho de Portugal!

Quanto ao futuro, estou expectante e pouco confiante...

Isabel BP

P.S. Cara Júlia, as nossas mães já falaram sobre nós :)

Anónimo disse...

Não posso esquecer que foi na TAP q pla primeira vez voei, e também sinto alguma emoção quando vejo um avião da TAP num aeroporto internacional...
Por outro lado sinto que os trabalhadores da TAP não sentem nenhuma emoção ao trabalhar naquela companhia, e sempre que fazem greve não pensam na projecção de Portugal no Mundo mas sim nos seus próprios umbigos!Nao me interpretem mal, não sou contra as greves mas são realmente absurdas algumas das exigências que são feitas, tendo em conta a situação que o país atravessa...gosto muito do meu país e da sua cultura aeronáutica, de que a TAP como é obvio faz parte, mas de que não é a única!!
Viva a Portugal!

Sofia Arauz disse...

Eu sou tripulante de cabine há 24 anos. Neste momento desempenho a função de chefe de cabine de longo curso. Ao ler estes comentários aqui escritos, fico arrepiada, já que só estou habituada a ler mal dos tripulantes:Que são arrogantes, que têm uma vida de Lordes, e coisas ainda piores..Estou habituada e não me custa passar ao lado, porque as opiniões que me importam são as dos passageiros que transportamos e que em relação a nós PNC (Pessoal Navegante Comercial) , são em 99,9% das vezes muito elogiosas.
Podem ter a certeza que se os vossos filhos viajarem sozinhos comigo vão ser tratados como se dos meus filhos se tratasse, outros com necessidades especiais como se meus irmãos fossem, os mais idosos como se meus Avós, os "normais" como amigos e os mal educados tento na medida do possível ignorá-los.
Nós, PNC, tratamos os Passageiros como Pessoas, sei os nomes de muitos e Eles o meu.
Um dia, espero que em breve, que viagem comigo vou estar à porta para com o meu melhor sorriso vos dar as boas vindas a bordo.
Adeus e obrigada

Anónimo disse...

Cara sofia,

Eu sempre viajei mais em longo curso do que no curto e a maior parte dos voos fi-los para Moçambique via Luanda e ao revés.
A tripulação da TAP , desde a tripulante do "café, chá ou laranjada " até ao comandante eram inescediveis ! O avião , tornava-se numa cabana com asas onde todos se ajudavam nos mais pequenos pormenores. Lembro-me de o comandante vir pessoalmente confraternizar com os passageiros.
A tripulação, obviamente , era já entradota na idade e eram os que ganhavam mais, tinham mais dias de folga etc... A gente sabia disso, mas a boa disposição, a tranquilidade e a harmonia ficaram para sempre na minha memória!

Hoje viajar é uma massada, mais também pelas regras de segurança etc... mas gente a trabalhar em tripulações da Tap, como aquela malta que eu conheci e que já estão reformados , nunca mais vi ! Nem na Tap nem nas outras companhias!

OGman

Anónimo disse...

A TAP, Sr. Embaixador, já era. Digo-lho eu que lá trabalho e por razões óbvias não me irei identificar. Tal como a Sofia Arauz, cheguei a receber elogios e viagens em Executiva com percursos e datas à escolha, pelos excelentes serviços representando AQUELA TAP pela qual vestia camisola dia e noite.
A TAP era a minha casa, a minha família, onde encontrava os meus amigos e conhecia muitos outros. Sei, também eu, nomes de muitos passageiros, de várias idades e extractos sociais bem díspares. Tenho muitas "prendas" que recebi de muitos deles...
Hoje, nesta TAP, chegou-se à vergonha de certas pessoas se auto-nomearem e mandarem publicar tal nomeação, à revelia de tudo e todos. O que seria caso para despedimento com justa causa nos meus gloriosos tempos na minha TAP, é hoje normal porque não houve quem contestasse tal acto que não eu. Um simples Nº TAP na engrenagem.
TAP, onde o assédio moral se esconde e se nega dando origem a doenças do foro Psicológico, Cardiológico, entre muitos outros, mas que se abafa e ninguém sabe que ou acredita que tal seja credivel naquela minha empresa, a que o Sr. Embaixador conheceu...
Assim vai a TAP de hoje e creiam que não falo de cor , nem de sorriso nos lábios.
TENHO SAUDADES DA TAP E DOS SEUS BONS SERVIÇOS E FUNCIONÁRIOS...

Anónimo disse...

Senhor Embaixador,

Acabei de ler no Expresso on-line que a TAP foi distinguida pela revista norte-americana de turismo “Global traveler” como a melhor companhia aérea da Europa.

A TAP recebeu, ainda, na mesma noite, o prémio de "Melhor vinho tinto servido em Classe Executiva Internacional" pela mesma revista no âmbito do concurso "2011 GT Wines on the Wing".

Isabel BP