quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Táticas

Já estou a imaginar o preço que vou pagar por este post! Mas vou arriscar.

Hoje, numa conversa, e a propósito de um filme, veio à baila a relação entre o futebol e as mulheres. E surgiu a ideia que pode haver uma clara homologia entre táticas que lhes respeitem. 

(Advirto que só deve continuar a ler este post quem saiba alguma coisa de futebol e de mulheres. Ou, para ser menos ambicioso, quem saiba alguma coisa de futebol).

No futebol, há algumas equipas que têm como típica caraterística deixarem a posse de bola ao adversário. Para os observadores menos avisados, em especial para quantos olham para as estatísticas que a televisão revela em termos quantitativos, uma equipa que demonstre elevada percentagem de posse de bola - isto é, do tempo em que a bola se mantém nos pés dos seus jogadores - revela um domínio efetivo sobre a outra equipa e, em princípio, tem mais oportunidades para ganhar o jogo. Ora a experiência mostra que, muitas vezes, o tempo de posse de bola acaba por ser um indicador bastante enganoso: não raramente, que anda muito tempo com a bola nos pés, dando ideia de dominar completamente o jogo, acaba por ser derrotado. Porquê? Porque há uma tática futebolistica que consiste em dar oportunidade à outra equipa de ter a ilusória ideia de que controla o jogo, "entragando-lhe" a gestão da partida, quando, na realidade, continua a deter os "cordelinhos" essenciais da mesma.

Mas que diabo tem isto a ver com as mulheres? Tudo. Conheço casais em que o marido parece conceder todo o espaço à sua cara-metade, em que esta gere a coreografia social de afirmação exterior do casal, num aparente desequilíbrio, que, às vezes, chega a ter laivos de algum masoquismo. Porém, uma análise mais fina e em "séries" de observação mais longas dá conta de que quem verdadeiramente controla o casal acaba por ser o homem, o qual, apagado numa aparente modéstia, e sujeito até a um "downgrading" público ostensivo, acaba, na realidade, por ser o decisivo "mastermind" da equação matrimonial. Tenho exemplos de alguns casais que funcionam neste registo e, diga-se, tenho a sensação que os homens que o assumem acabam até por se sentirem muito felizes.

Tinha eu contado isto a uma pessoa, pensando ter "descoberto a pólvora", quando ela me adianta: e o contrário? E quando são os homens quem julga controlar o jogo? Fiquei perplexo. Vou rever esta tese "tática"...

30 comentários:

Anónimo disse...

Aguardo - divertido - pelos comentários que se vão suceder!
P.Rufino

Margarida disse...

LOL!
...e anda uma pessoa uma vida para se aperceber que talvez ainda não tenha percebido bem a filosofia do jogo!
As subtilezas não têm tanto que ver com o género, mas mais com a inteligência e a sensibilidade.
Conjugal e outras.
:)

Mônica disse...

Voce deve usar as melhores taticas, pooque é muito sábio e inteligente
com carinho Monica

Fada do bosque disse...

Sr. Emmbaixador... :)) é melhor rever a tese. Os homens sentem-se felizes quando lhes damos a entender e a sentir que são eles quem manda, mas não se iluda... pois por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher!... Pergunte à sua esposa... :))
Dentro da ilusão sai vencedor quem consegue funcionar com os dois hemisférios cerebrais ao mesmo tempo... ehehehehe!
A minha mãe sempre me disse que a mulher manda... mas de joelhos. :) Coisas de sociedades patriarcas, impostas pela força muscular.

Valdemar disse...

Sr. embaixador,

e se lhe contrapuser que me parece a mim, com 30 e poucos anos, que antigamente as coisas eram mais fáceis. Havia uma cartilha por onde seguir. As normas que eram ditadas pela sociedade, eventualmente poderiam ser diferentes na intimidade, claro, mas pelo menos havia um plano.

Mas hoje, nos dias do politicamente correcto, e onde se assiste a uma enorme libertação sexual da mulher, um homem nem sempre entenda imediatamente o que é esperado dele...

Por um lado, a mulher moderna quer ter a sua vida tão divertida ou mais do que o homem, ao mesmo tempo que tem uma carreira e ainda as amigas. E não lhe fica bem dizer outra coisa que não seja que "não está para lavar cuecas de homem nenhum!"

Porém...

Eu que comecei por ser um enorme liberal e concordar com uma igualdade dos sexos, vou descobrindo que uma mulher espera realmente que um homem o seja... um pouco como à antiga, um almirante de um barco, que sempre saiba o que fazer, por onde ir, e tenha sempre ordens a dar aos marinheiros, mesmo que esteja completamente perdido.

Tudo isto para lhe confessar que é tudo uma aprendizagem, que nós, os putos, nem sempre sabemos o que diabo esperam de nós. Abrimos cavalheiresca e desinteressadamente a porta para deixar passar a dama, ou tal será interpretado como oriundo de um machismo bolorento, ou pior, o lançar da escada à zezé camarinha para investigar o traseiro da rapariga?

Por vezes é complicado ser homem...

patricio branco disse...

Boa lição de tecnica ou tática futebolistica. Efectivamente, somos levados a pensar quando vemos uma partida que a equipa que mais tempo domina a bola é a melhor, pois não deixa a adversaria fazer o que devia ou queria fazer.

a proposito de futebol e de homens e mulheres, porque não há equipas de futebol mistas? não são permitidas, penso.
Igual, um rafa nadal não joga com uma serena williams.
no desporto há total separação,
só homens com homens e mulheres c/mulheres, talvez por haver desigualdades fisicas (haverá?).

Quanto ao dominio pela mulher da administração familiar e das relações sociais do casal, penso que pode ser muito cómodo para um homem (ou alguns homens) deixar isso tudo à mulher, enquanto ele ganha tempo para outras coisas de que gosta.
Eu costumava guiar sempre, no fundo era o motorista da familia. Mas estava permanentemente a receber instruções de minha (agora ex)mulher, vai mais depressa, mete a quinta, ultrapassa aquele carro, mate os máximos, não traves tão bruscamente, etc. Um dia achei que já chegava, parei o carro uns segundos (na berma da autoestrada, em sitio seguro) e disse-lhe guia tu por favor, eu já guiei muito, agora fazes como queres. A partir de então nas deslocações familiares passei gozar da situação cómoda de passageiro,
olhando a paisagem, dormitando, ouvindo musica.
Desculpe-se me referir um caso pessoal, mas foi um exemplo de dar (mais) uma condução de situações familiares à mulher.
Sobre o contrario, o homem a dominar, nada digo agora, espero por outros eventuais comentários

Anónimo disse...

sr embaixador

a diplomacia tambem lhe deve dar uns bons modelos de jogo:
o khmed e a sildavia tinham uma relacao fantastica, mas um dia a borduria...


e
afinal uma das equipas tem de controlar o jogo!?
para ganhar?
para ganhar o que?!


bem haja

Isabel Seixas disse...

O tema é tão interessante de inesgotável que só me consigo conferir idoneidade na dimensão mulher por razões óbvias...

Quanto ao futebol já me conformei com a supremacia, considero imperioso aproveitar-lhe os espaços de liberdade que proporciona, nomeadamente constituir o único momento em que se perde protagonismo ou em que os homens não pensam em mulheres, a não ser alguma fantasia peregrina e efémera com alguma senhora esposa de jogador ou treinador, do árbitro menos provável...



Agora poder/posse mesmo mesmo posse com poder e poder com posse...

estratega na consecução de incursões
(Por analogia)
na baliza como no coração ...

"Não é o que possuímos, mas o que gozamos, que constitui nossa abundância."


Agora sem dúvida que o poder supremo
reside...

"Um homem está não onde mora, mas onde ama."

No futebol, pois claro...E sem dúvida com posse de bola ou por analogia a mulher fatal...
É a vida, bem pior se não dermos conta , ou não? Sei lá !!!

Mas senhor Embaixador isto não fica assim...

Alturense disse...

"Advirto que só deve continuar a ler este post quem saiba alguma coisa de futebol e de mulheres."

Mas que ambicioso, sr. embaixador. Mas há algum vivente que saiba alguma coisa de mulheres?

Carlos Fonseca

Cunha Ribeiro disse...

Ora bem, É natural que nós os homens, após esta preciosa lição táctica de ( linha de) cabeceira, fiquemos a cogitar em que campo efectivamente jogamos. Eu tenho dificuldade em me encaixar em qualquer um dos esquemas. Por isso, jogo nos dois...

cunha ribeiro disse...

Gostei - "vraiment"- gostei do comentário da FADA...Até me deixei cair de joelhos...a rir!

Fernando Frazão disse...

A questão é fácil.
Nas coisas simples como a gestão do orçamento familiar, a educação dos miúdos, onde vamos passar férias, que canal se vê à noite inclusive a SportTv (excepto quando há rugby porque aí não abro mão) que fatos, camisas e gravatas devo usar no trabalho e os jeans e polos de fim de semana é ela quem decide.
Nas coisas verdadeiramente importantes como a relação Norte /Sul, o aquecimento global, o problema das dívidas soberanas, a Líbia, a Síria, o conflito israelo-palestiniano e quem vai ganhar o Mundial de Rugby que começa amanhâ, Ah aí não abro mão.
Cá em casa quem manda sou eu e a última palavra é sempre minha.
SIM SENHORA

Fada do bosque disse...

Cunha Ribeiro... ría-se´... ria! :)) tem toda a razão...ehehheheh!!! mas a receitinha é trigo limpo farinha amparo!!eheheheh
Sou uma mulher invejada por todas as outras que me conhecem e que como diz Fernando Frazão, têm de tratar daquilo que não gostam, até poderão gostar, mas eu não gosto. De resto falta o pedestal, apenas. Quase 30 anos de felicidade mútua desde os anos de teennagers...
Depois nunca ouvi mulheres a queixarem-se que não conhecem os homens e o vice-versa é a toda a hora... porque será?! Complicam, o segredo é descomplicar.
Não sou feminista e cada um no seu lugar, mas uma há coisas que não dispenso: Respeito, amizade e igualdade na diferença. Pensar como um homem e agir como mulher! Muito complicado? sim, para muitas mulheres é difícil... querem ser compreendidas e não têm como dado adquirido, que tal é impossível. Nós é que temos de compreender os homens... é tarefa fácil, muitos séculos nos bastidores da aventura. Assim tá feita a felicidade e fomentado um amor sólido! Depois cada caso é um caso e posso falar por mim apenas... :)

cunha ribeiro disse...

Ajoelho outra vez... mas agora perante as sábias palavras da FADA.

Meu Deus! Se eu fosse mulher pedia-lhe o catecismo. Mas como sou homem, pergunto onde andam as FADAS, que só "vejo" uma...

Alcipe disse...

Para nós, sportinguistas, é embaraçoso usar esta analogia.

Se tivermos tanta sorte com as mulheres como o Sporting tem nos relvados...

Mas talvez a razão esteja do nosso lado : aparentemente derrotados, na realidade somos nós que conduzimos o jogo!

Viva o Sporting!

Fada do bosque disse...

Cunha Ribeiro,

De qualquer forma obrigada, pois ao ler o seu comentário fui reler o meu e chorei de riso de mim própria! ahahahahaha!!! que comentário do arco da velha! Que despautério! :))

Isabel Seixas disse...

E então quando a tática decorre da versão azar no jogo sorte no amor...
só para sportinguistas...

Julia Macias-Valet disse...

Hoje nao comento ! : )))

Primeiro porque adoro futebol e...segundo porque o meu marido ficou esta noite a guardar os rebentos enquanto enquanto eu tive uma reuniao de trabalho com 3 amigas, "le tout accompagné" dum "Château Margaux- Premier Grand Cru Classé de 2002" ; )

PS ...se o post amanha for sobre raguêbi também nao comento !...porque nao percebo nada do assunto : )))

Julia Macias-Valet disse...

A fotografia dos post presumo que seja "tirada" do filme...!???

...ou sera que é dedicada a "Só chilreios de aves canoras..." com medo que "Ela" se "rebiffe" com o assunto : ))))

Helena Oneto disse...

A Fadette des bois tem muitas cordas na sua varinha... desta vez desfechou curto o que demonstra muita sabedoria na matéria... A grande vantagem da maioria das mulheres é conhecem de ginjeira as tácticas masculinas. Por isso, parecendo que não, são elas "qui mènent le jeu". O resto é futebol!:)

Caro Valdemar, permita-me dar-lhe um bom conselho: continue a abrir as portas, puxar as cadeiras e a ser liberal. Não lance a escada muito alto porque se arisca a cair. Não abuse das fardas nem das cartilhas. Compre uma maquina de lavar roupa se não quiser lavar as suas cuecas e o resto vem a seguir... admito que seja difícil ser-se homem hoje em dia. No entanto há excepções; A Mônica la sabe...:)!

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Júlia Macias-Valet: até que enfim apareceu alguém a chamar a atenção para o facto de que o texto é um mero suporte oportunista, de sentido plurívoco, para justificar a fotografia!

Julia Macias-Valet disse...

; )

Anónimo disse...

A interrogação do interlocutor exposta no último parágrafo não deveria deixar perplexidade. Reveja a tese, reveja. Não sobre o futebol porque todos os portugueses percebem e teem as mais sofisticadas táticas que levariam as suas equipas à vitoria!
Mas sobre a vivência harmoniosa com a companheira em casa há muito que se diga. Ainda bem que, cada vez mais, há mulheres que exprimem verdades sem complexos o que ajuda a evoluir.

Pedro Carrer disse...

Como se diz:

Shiva sem shakti é shava.

Nêti, nêti !!! brada o sábio.

abraços

Anónimo disse...

Eterno bruaá de dois meios-campos com hemisférios de cores diferentes.

Essa táctica futebolistica deve-se, na minha opinião, ao Sporting. Senão veja-se: As leoas caçam sob a passividade dos leões e estes comem.

Como não é possível escrever em "tiny", digo baixinho: Nós, homens, só temos o dom de piar o sim, não é o quero, é o sim, e usá-lo com táctica.

Janus disse...

Valdemar,estou completamente de acordo consigo...

Janus disse...

Valdemar,completamente de acordo...

Isabel Seixas disse...

Em sei bem que uma situação vale o que vale em termos de extrapolação de dados, mas conheço um senhor com ar de amorfo sonso e bom serás com mecanismo de ação de poisão e que aguentava estoicamente e em silêncio tres senhoras com distribuição equitativa de poderes(dedução minha) uma em Portugal duas na Suiça...

Ingénuo deixou o número de casa portuguesa à mercê das senhoras francesas que lhes apeteceu telefonar para a esposa... Sabia umas coisitas de francês...

Depois da tormenta inicial manteve-se a coexistência pacifica e mantêm ares de felicidade também...

Por mim...
Claro que O destitui de sonso, e o meu olhar (maugrado meu) agora é de curiosidade e de quem diria a...Embora ele continue a aparentar os atributos referidos...

João Diniz Almeida "mega" disse...

O seu texto fez me recordar uma (suposta) anedota que se contava há uns tempos atrás...

Um homem, em conversa, afirma: "Lá em casa, quem manda em tudo sou eu ..."
E depois completou: "...e quem manda em mim, é a minha mulher"

Na verdade, não me parece que haja táctica que resista ...

mips disse...

O contrário pude observá-lo com frequência em casais de italianos.