terça-feira, 6 de setembro de 2011

Livros efémeros

É muito significativa a lista de livros, subscritos por figuras da cena política francesa, que surgem nesta "rentrée". A aproximação das eleições presidenciais, bem como o cumprimento de um ritual que aqui, historicamente, como que "obriga" algumas personalidades, em especial na oposição, a revelarem as suas ideias de forma encadernada, conduz a esta abundância de publicações. Quase sempre, trata-se de obras de natureza conjuntural, que raramente ultrapassam as 200 páginas a letra larga. Cumprida a sua função de intervenção política imediata, estes trabalhos desatualizam-se semanas depois e, com certa rapidez, logo desaparecem dos escaparates.

Os analistas da coisa política dão, quase sempre, escassa importância a este tipo de obras, tidas como meros instrumentos de propaganda. Outros, porém, cuidam em tentar perceber se os textos são ou não redigidos pelos titulares do livros, sabendo que muitos não têm propensão para a escrita ou sequer tempo para tal. Mas o iniludível estilo e conhecida capacidade de escrita de alguns dos autores também faz destacar quem assina o que verdadeiramente escreve e não usa "nègres" (como aqui se diz) para essa tarefa. Por mim, devo dizer que, desde há muito, já aprendi a distinguir o trigo do... outro trigo.

9 comentários:

Julia Macias-Valet disse...

"É muito significativa a lista de livros,...,que surgem nesta "rentrée"".

A nivel dos romances sao 654 que desembarcam nas livrarias francesas (contra 701 no ano passado). Muito provavelmente a diferença foi ocupada pelos da propaganda : )

Os livros de que nos fala sao como as folhas no outono...

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
Em Portugal tentaram fazer coisa parecida. Mas náo calcula o joio que por lá apareceu... Nem uma espiguinha de trigo...

patricio branco disse...

li recentemente um artigo de journal sobre os "écrivains fantômes", os "nègres", dizendo que a estatistica dos livros que eles produzem encomendados para outros chega, parece que em certos géneros, aos 1/3 do que é publicado. De qualquer modo, melhor que o plágio, sempre se paga o serviço.

Mônica disse...

Senhor embaixador.
Eu ganhei um monte de livro em frances de minha prima que era professora de frances. Mas dei pra biblioteca.
com carinho Monica

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Cunha Ribeiro: O blogue do embaixador de Portugal em França não pode comportar, como creio que para si será óbvio, um comentário como o que inseriu. É a vida...

Julia Macias-Valet disse...

Oops !

Esqueci-me de dar a fonte dos meus números.
Aqui fica :

"Rentrée littéraire mode d'emploi" Olivia de Lamberterie, in ELLE, 19/08/11

Anónimo disse...

Caro Embaixador,

Agradeço e compreendo a explicação.

Vou exprimir-me de outra maneira:

O texto do Post fez-me lembrar os excelentes livros publicados pelos nossos políticos de topo, nomeadamente o escrito por/ para o Sr dr.X... E aquele que o sr Eng. Y podia ter escrito mas ainda não teve tempo para escrever...

CUNHA RIBEIRO

Isabel Seixas disse...

De qualquer forma todos auferem do pano de fundo , Pois!!! Mas Eu, eu mesmo, sou muito melhor e a minha oferta Pessoal é a tal...A promissora...

A data de validade expira desde quatro a oito anos é um fenómeno transversal em democracia, bem entendido

Helena Sacadura Cabral disse...

Ai Isabel era bem melhor que a validade fosse como a dos iogurtes, já que para muitos outros consumíveis ela vai até dois anos. É, de facto, a vida!