quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Júlio Resende (1917-2011)

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4 comentários:

Anónimo disse...

Júlio Resende faleceu esta quarta feira dia 21 de Setembro de 2011 com 93 anos.
Este Pintor de Gondomar e de reconhecido nome em Portugal, passou uma temporada da sua vida em Paris e em digressão pela Europa, cuja obra dessa época não é muito conhecida.
“Quando cheguei a Paris... (diz ele em ‘autobiografia’) os Dubois, pai e filho, vitralistas mosaistas, ceder-me-iam o atelier num ‘impasse’ da rua Vercingetorix, junto do Boulevard Edgar Quinet. Aí, pintaria o quadro mais significativo dessa altura: ‘A Velha’. Certa manhã, caindo intensa neve, ao chegar à janela do quarto do pequeno hotel que confinava com o cemitério, vi uma mulher idosa caminhando penosamente na brancura da neve. Era apenas uma silhueta de dor sustida por dois filamentos rematados por enormes botas. Sem perder tempo, fui ao atelier do Pierre Dubois, e de um fôlego fiz essa pintura.
Com o Pierre percorreríamos a Bretanha de bicicleta, com a caixa de aguarelas num saco. De Mont S. Michel até Pont-Avant, íamos parando aqui e ali, num porto costeiro ou outro, falando com os homens do mar, à mesa dos botequins.
A destruição da guerra não tinha nome possível ! Quando chegamos a Pont-Avant as aguarelas tornavam-se uma realidade de peso...”
José Barros

Helena Sacadura Cabral disse...

Que pena eu tenho desta perda e de não ter podido nunca adquirir uma obra sua!

patricio branco disse...

bonito trecho de autobiografia, o episódio do quadro da velha.
conheço muito mal a obra de j r, a tal ponto que não sei dizer se gosto ou não.
No fundo, vivemos separados dos nossos artistas ou mestres, vários quadros deles andarão dispersos em alguns museus de arte. As colecções particulares, essas não se visitam. e há ainda algum livro, album, com reproduções de obras que se vende em livrarias.
Por vezes um museu dedicado só à obra desse pintor. e, claro, a internet, que é o mais pratico para ter uma ideia da pintura de j r ou outros.
Uma grande retospectiva ou exposição antologica de j r, no centro de belem ou num museu de arte moderna, justificava se, portanto. lá iria eu conhecer a obra do mestre.
Resta agora o juizo do tempo, esse metodo natural e indiscutivel de classificar uma obra para o futuro.

Anónimo disse...

Aprecio muito Júlio Resende e tenho muita pena de não ter nenhuma obra.

Isabel BP