terça-feira, 26 de julho de 2011

Trajes

Inicio este post por uma declaração de interesses: o meu traje preferido são t-shirt, jeans e Timberland, tudo muito usado. Mas gosto muito de gravatas.

Achei curiosa a dispensa de gravata que, por conjunturais razões climatéricas, foi decidida no ministério da Agricultura, a qual, aliás, repercute a prática que tenho visto seguida, de há muito, em outros serviços públicos. A gravata, em si mesma, está longe de ser um formalizador de circunstâncias e o seu uso não confere ao portador nenhum estatuto particular. Há por aí muito javardo engravatado...

Devo lembrar, contudo, que há códigos comportamentais, internacionalmente aceites e respeitados, que aconselham a que se mantenha um certo formalismo no vestuário, em terminados espaços e momentos públicos. E que a experiência mostra que o uso de certos trajes induz a assunção de certas formas de estar, o que não é indiferente a quem acha - como é o meu caso - que servir o Estado é uma honra que tem de ser assumida.

Tenho a profunda convicção que no ministério dos Negócios Estrangeiros a gravata vai continuar a ser respeitada. Assim, e salvo ordem em contrário, e para que conste, em serviços que eu chefie ela continuará a ser de regra. Enfim, reacionarices...     

28 comentários:

Anónimo disse...

Subscrevo inteiramente este (oportuno e corajoso) Post.
P.Rufino

O COSMOPOLITA disse...

Apoio Senhor Embaixador !

papoila disse...

Acredito que possa ser um incómodo...
Um bom fato e uma linda gravata podem fazer milagres :)))

Anónimo disse...

Que bonito e colorido expositor de gravatas!

Quanto à dispensa de gravata no Ministério da Agricultura, é uma das maiores tolices a que temos assistido nos últimos tempos... e com tantas medidas urgentes que há para tomar naquela área.

Isabel BP

Helena Sacadura Cabral disse...

Ai Senhor Embaixador que subtil sorriso - nem a Mona Lisa -, eu esbocei...

José Sousa e Silva disse...

O humor continua a ser a minha arma preferida e o Senhor Embaixador cultiva-o como poucos ; por isso lhe dou os meus Parabéns.
Mas permita-me que lhe diga que as gravatas que colocou à nossa vista são do mais foleiro que há.

Anónimo disse...

Carissimo Embaixador Seixas da Costa. Eu também gosto de gravatas e muito folgo que o meu ilustre amigo, não obstante as suas orientações pessoais (que respeito sem subscrever), siga regras de convencionalismo. Permita-me uma graça. Já havia a esquerda caviar, aparece a esquerda engravatada. Nuna é tarde.

CSC

V disse...

Reaccionarices, não!
Feitios!
V

EGR disse...

Senhor Embaixador: subscrevo inteiramente as considerações quanto ao aspecto,digamos, simbolico do modo de vestir de quem trabalha em certas areas do Estado.Impressiona-me que numa sala de audiencias num Tribunal seja possível ver.funcionários de calças de ganga "t-shirt",e sapatilhas.
Mas,em boa verdade,o exemplo vem. muitas vezes dos senhores magistrados.
EGR

ERA UMA VEZ disse...

No Verão a coisa não deve ser fácil.
Mas uma gravata às vezes faz mesmo milagres.
Quantas vezes faz de um sapo...um príncipe!!!

Nada mais sexy.
Já para não falar na credibilidade que confere.
Por mim, "está à vontade" Sr. Embaixador!!!

catinga disse...

E o que nos diz da roupa creme (com gravata azul, salvo erro) usada pelo seu ministro numa recente ida a Bruxelas?

Uma coisa há que admitir: no meio de todo aquele cinzentismo, era uma imagem alegre.

José Barros disse...

Já me aconteceu ter encontros com representantes de Estado e não levar gravata. Sem meias é que nunca ousei ir !

patricio branco disse...

em principio o não usar de gravata ou casaco nos serviços deveria estar ligado ao calor, para melhor se aguentar, associando-se a leveza de roupa a uma regulação menos forte do ar condicionado (23º-24º) o que leva a menos consumo de energia, menos co2, etc.
Isto, na rotina diária, porque sempre haverá ocasiões em que o vestir mais formal se impõe, alem do gosto pessoal, que é livre.

Reflexos disse...

As coisas não são assim tão lineares.
Estar o dia inteiro num departamento, não vejo necessiddade de uma gravata... até porque usar gravata não é sinal de bem estar.
Eu trabalho também com alemães e... enfim.
O meu chefe (português) , raramente usa fato e, mesmo no meio de 'gravatas' consegue ser o que melhor está!

No caso das mulheres também deveriam ser impostas regras, já agora.

... e a medida no ministério da agricultura de dispensar a gravata, concordo. Não implica esforços extra e vai poupar bastante...
Um exemplo disso: tenho um colega, alemão, que se queixava do calor no gabinete. O seu traje habitual era o fato, com gravata e a típica camisola interior, de alças, que oa alemães usam de verão e de inverno.

Um dia, depois de queixumes sucessivos, o meu chefe disse-lhe: 'já experimentaste, pelo menos não usar gravata? Já não falo na camisola interior.'

Seguiu o conselho e 'faz muita diferença'- diz ele. Tanto que quando saiu a notícia do ministério da agricultura, o comentário dele foi: ' Medida inteligente!'

Anónimo disse...

Caro Francisco,

Acho que esta medida foi buscar inspiração a uma prática japonesa. Já há 12 anos, quando servi em Tóquio, era prática corrente no MNE (Gaimucho)a dispensa do uso da gravata entre 1 de Julho e 30 de Setembro, dadas as elevadas temperaturas que ali se registam no Verão. E tal prática era comunicada anualmente às Missões diplomáticas, para que, quando houvesse necessidade de se terem de praticar diligências, não houvesse surpresa para o caso de se ser recebido por um diplomata japonês em manga de camisa. No entanto, sempre que, no Verão, me tive de encontrar com alguém no Gaimucho, fui sempre recebido por funcionários devidamente encasacados e engravatados.

Tudo isto para concordar que há certas ocasiões que obrigam a uma determinada "coreografia", nomeadamente quando se tratam de actos ou contactos oficiais.

Um abraço.

Fernando Coelho

Gil disse...

Vi, ontem, um Secretário de Estado comparecer na Assembleia da República
(social) democraticamente desengravatado.
Ele que tente inscrever-se na Universidade Católica e verá o que acontece...
De qualquer modo, já alguém lembrou que o uso de casaco é bastante mais prejudicial ao conforto refrescante em época estival do que a gravata. Talvez prescindir do seu uso fosse mais eficiente.
E que pena que o "kilt" não faça parte do traje nacional e o mais parecido com ele sejam os saiotes dos pauliteiros de Miranda.

patricio branco disse...

quase nunca o vi de gravata, mas de jeans e camisa de manga curta ou polo. o mais pratico possivel.
tem no entanto expostas numa ou 2 salas as 5 ou 6 mil gravatas que possui, na casa museu joão carlos abreu, no funchal. e é interessante ver como a gravata foi a peça de vestuário aproveitada para o desenho, a composição artistica, a imaginação pictórica, de bom e mau gosto. Vale a pena guardar as gravatas, mesmo que já não se usem.

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Catinga
O Senhor Embaixador não poderá ou não quererá responder-lhe. Mas eu posso. Estava muito bem!
:))

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Gil
E nós mulheres logo fomos "copiar" as vossas calças. No Inverno, óptimo. No verão execrável!

DL disse...

Decerto concordará que uma má gravata pode arruinar uma boa imagem - basta ver certos nós "monstruosos" que, por vezes, aparecem nos canais de notícias. Não chega tê-la. É preciso saber domesticar o bicho.

patricio branco disse...

há 3 ou 4 anos que o governo e administrações de espanha, central e autonómicos, dispuseram que não se usasse gravata e casaco nos serviços, para melhor se suportar o calor e diminuir as exigencias de ar condicionado, antes regulado para os 21º, depois para os 23 e agora para os 24º.
e há decadas que os israelitas não usam gravata e casaco

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Dra. Helena Sacadura Cabral: interpretei o comentário de Catinga como um elogio. Tanto mais que não me consta que seja necessário ser "cinzento" para bem representar Portugal em Bruxelas.

Anónimo disse...

A meu ver as exigências da dignidade das funções que se exercem é que determina a fatiota que se deve usar; e num calor infernal é difícil manter a dignidade e a cabeça fria para decisões.Que fazer então? Em todo o caso: devo ao uso da gravata pelo menos dois "up-gradings"em aviões, em situações indecentes de "overbooking", e um terceiro de que beneficiaram as minhas filhas numa viagem longuíssima! Todos os meus colegas passageiros desengravatados e de chinelos ficaram indignados pela minha súbita promoção!E as tais gravatas nunca foram de qualidade apreciável!
João Vieira

Anónimo disse...

Em pouco tempo já vi vários fatos cremes no MNE... e em alguns países europeus é bastante comum nesta época do ano.

Eu GOSTO!

Isabel BP

ERA UMA VEZ disse...

Cara Helena

É verdade. O seu "miúdo" estava mesmo giro!!!

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro/a Catinga: o seu último comentário foi cortado. Acho que nem preciso de explicar porquê, não é?

catinga disse...

Caríssimo Embaixador, a menos que se trate de alguma questão institucional que me escape, não vejo qualquer razão para tal. Mas... a casa é sua e faz nela o que muito bem entender (até aceitar comentários noutros "posts" chamando-me abertamente bêbedo e racista).

Para ponto de situação: falava-se da ausência de roupa clara em países tropicais por oposição à sua utilização em Bruxelas.

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Dizem que o "gosto não se discute" e como houve aqui um comentador que disse que as gravatas da montra apresentada pelo Senhor Embaixador "são do mais foleiro que há" queria dizer que em minha opinião, gosto de todas. Comprava qualquer uma das que estão expostas.