segunda-feira, 25 de julho de 2011

Pena de morte

Com pretexto na tragédia norueguesa, algumas vozes voltaram a ecoar a ideia da pena de morte.

É muito interessante, e não menos significativo, que os próprios noruegueses, vítimas de um ato infame, hajam sido os primeiros a mostrar a necessidade de preservarem os valores da sua própria liberdade, evitando reações como as que os americanos tiveram depois do 11 de setembro (já passou uma década, imaginem!). Os noruegueses, que construíram uma sociedade admirável, recusam ficar prisioneiros de um assassino.

A pena de morte é uma imensa prova de fraqueza, uma cobardia feita de desespero.

Portugal orgulha-se de ter sido o primeiro país da Europa a aboliir a pena de morte para crimes civis. À época, em 1876, perante a decisão portuguesa de abandonar o recurso à pena capital, ficou célebre aquilo que Victor Hugo disse do nosso país:

"Está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história. (…) Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo à Europa. Desfrutai de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal. Morte à morte! Guerra à guerra! Viva a vida! Ódio ao ódio. A liberdade é uma cidade imensa da qual todos somos concidadãos".

Nunca esqueçamos esta honra.

10 comentários:

catinga disse...

O meu grande problema com os idealismos humanitaristas franceses é que a França tem como herói nacional máximo (e incontestado?) um indivíduo responsável por por a Europa inteira a ferro e fogo durante uns bons anos.

E ainda cobram bilhete para lhe irmos ver o túmulo...

ZéBonéOaparvalhado disse...

Há situações que não pactuo...esta é uma delas...assim como, não pactuo aquele caso do Carlos em NY...como aqule caso do Coimbra. um filho (adoptivo) matou a mãe selveticamente...como aquele caso que um rapazola matou a Mãe e a Avó - para esse tipo de gente só pode haver uma pena...a de morte - fora isso, passados uma duzia de anos estão cá fora para outros crimes.


Esta a minha singela opinião em passo de corrida.

Carlos Cristo disse...

Pois é, meu caro,

Nos momentos traumáticos há sempre quem pense em soluções drásticas, mas simplórias. A pena de morte, além da violência implícita, tem gerado mais injustiças do que justiça.

patricio branco disse...

"le dernier jour d'un condamné à mort"

José Barros disse...

A Pena de Morte e os atos criminosos não têm qualquer razão de estar interligados.
Que se saiba, não é nos países onde a pena de morte é aplicada que os atos criminosos desapareceram. A pena de morte não é remédio nem prevenção. Já o excesso de publicidade aos criminosos deveria merecer mais reflexão...

Celso R. disse...

Pena de morte não, mas 21 anos de cadeira (pena máxima na Noruega segundo várias fontes no google) é muito pouco para quem matou a sangue frio cerca de 90 pessoas.

Anónimo disse...

Meu caro Francisco,

A introdução da pena de morte, mesmo que apenas tivesse servido para evitar a execução de um inocente, já teria valido a pena.

Um abraço.

Fernando Coelho

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Fernando Coelho: não percebi.

Nuno Sotto Mayor Ferrao disse...

Caríssimo Embaixador Francisco Seixas da Costa,

Com efeito, é uma honra termos sido os pioneiros na abdicação histórica da pena de morte para crimes civis. Foi, sem dúvida, como dizia Victor Hugo um passo importante na defesa dos Direitos Humanos, porque os atropelos que a administração norte-americana fez a seguir ao 11 de Setembro de 2011 só acicatou o movimento terrorista, que pouco depois chegava à Europa. A lucidez da justiça norueguesa parece ir no caminho certo. É uma honra termos sido citados pelo grande escritor francês do século XIX como exemplos de civilização, porque a muitos portugueses falta um sólido sentimento patriótico fundamentado na verdade e na auto-estima. Isto porque, como dizia o ex-embaixador britânico em Lisboa, Alex Ellis, temos de ser capazes de valorizar o muito de bom que há em Portugal e que nunca deve mudar!!Aqui está uma coisa que nunca deve mudar em Portugal!(artigo de Alex Ellis no Expresso de 18.12.2010)

Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

Anónimo disse...

"Nunca esqueçamos esta honra."in FSC

Nunca mesmo, sempre no sentido de promover e preservar a vida.
Isabel Seixas