segunda-feira, 7 de março de 2011

Transferências televisivas

As nossas televisões entraram numa maré de transferências, na sua área informativa. Os "craques" são "roubados" de umas às outras, a salários que a moral pública acha conveniente esconder, não vá alguém lembrar-se da crise.

Não está em causa a competência dessas pessoas, caso contrário não seriam recrutadas por tais vultuosos valores. São profissionais experimentados, com provas dadas. Só podemos desejar que façam um bom trabalho, que mostrem equilíbrio e isenção de julgamento, que consigam colocar-se acima quer das pulsões populistas quer de outras mais domésticas.

Neste tempo de transição - e valendo-me do meu estatuto de estrangeirado -, gostaria de lembrar às nossas figuras da informação televisiva duas realidades que por aqui se vêem e que por aí se não praticam:
  • os telejornais, em sociedades modernas, não duram mais de 30 minutos, com os diretos a raramente excederem um minuto. E não conheço país do mundo onde os treinos dos "grandes" do futebol sejam objeto de cobertura diária nos noticiários generalistas à hora de almoço.
  • nenhum regime democrático que eu conheça coloca os temas políticos do alinhamento noticioso a serem comentados, obrigatoriamente, por porta-vozes de todos os partidos representados no seu parlamento. É que, salvo em Portugal, há uma diferença entre informação e tempo de antena.
Infelizmente, estou certo que nenhum dos responsáveis pela nossa informação televisiva vai ter coragem para acabar com estas duas tristes realidades, entre outras típicas do "nacional-televisionismo" luso. Melhor: adivinho mesmo que terão sido escolhidos porque, implicitamente, se sabe que não ousarão tocar neste estado de coisas.

14 comentários:

Anónimo disse...

Tenho muitas reservas que, actualmente, em Portugal, os "volumosos valores" salariais sejam proporcionais à competência das pessoas.

De facto, os noticiários nacionais são um exagero quanto à duração e ao número de comentadores (para já não falar da sua selecção ser o "refugo" dos partidos).

Isabel BP

Anónimo disse...

Hoje fui à bruxa! Sabe, Sr Embaixador, que me confirmou a sua "adivinhacao". Continuará tudo na mesma -como a lesma- incluindo as "futebolagens" claro está. Que curioso...
Francisco F. Teixeira

Anónimo disse...

Quase era melhor a fusão...
como assim!... a característica diferenciadora esvaiu-se no plagio velado...

Mal por mal...

oiço a ... E escuto depois de triagem a ...

alternando com as emissoras espanholas.
Isabel seixas

one hundred trillion dollars disse...

os telejornais, em sociedades modernas, não duram mais de 30 minutos excepto CNN e suas imitações

E não conheço país do mundo onde os treinos dos "grandes" do futebol sejam objeto de cobertura diária

E.U.A, super....bowl 2011?
Grã-Bretanha em 1991 1992 época do fim de John Major

Holanda no tempo da laranjinha mecânica anos 70 e 90..

histerias futebolísticas sempre houve então a nível de comunicação social

Anónimo disse...

Oportuníssimo Post e cheio de razão.
P.Rufino

Anónimo disse...

Ainda uma outra questão: na RTP alguns já ganhavam, ganham e pelos vistos vão ganhar esses tais salários várias vezes superiores aos do PR. Pagos com os nossos impostos, convém lembrar.
P.Rufino

Anónimo disse...

A ideia de num mesmo telejornal fundir o jornal do crime com a Bola, apresentando a 1ª página do correio da manhã e terminando por um misto de Publico/DN pretende "agarrar" todos os públicos durante horas com um único propósito, discutir audiências de um bolo pouco maior que um pastel de natas.

Eduardo Antunes

patricio branco disse...

são os novos jogadores e técnicos de futebol, disputados a ouro para jogos de pouca qualidade: apresentadores (antes dizia-se locutores) directores de informação, comentadores dos telejornais, correspondentes no terreno. A descrição feita dos serviços noticiosos está correcta, são mesmo assim. Os partidos também agradecem que lá apareça todos os dias a sua gente, é propaganda directa e imediata.

gherkin disse...

Plenamente de acordo! Além disso, é a péssima pronúncia de termos e cidades inglesas, que embora já o tenha referido mais do que uma vez, CONTINUA NA MESMA! "Estrangeirado"? Discordo! Conhecedor, ah isso sim! Mas infelizmente predominam as eternas auto-sapiência e lamentável arrogância!

Henrique disse...

Não podia ter mais razão. Sobretudo sobre a espécie de tempos de antena com que somos inundados.
Parabéns.

Henrique Monteiro

Mário Machado disse...

Falar dos resultados do futebol e da preparação para uma partida importante que resulta em título ou algo relevante, extraordinário me parece natural. Agora cobertura diária é algo que pode muito bem ficar circunscrito aos jornais esportivos, que suponho existam aí.

Jose Martins disse...

Senhor Embaixador,
Por mim tanto me dá como se me deu, haver trocas e baldrocas dos nossos comunicadores saltarem de uns para outros canais de televisão.
.
Por vezes o dar o "salto" convém antes que sejam obrigados a dar o "salto" sem contar.
.
Os nossos canais são tão enjoativos e mediocres que até não dá para ver.
.
Quando as notícias saltam da "manada" já eu as sei há mais de sete horas de outras fontes bem mais modernas e limpas.

Viva a Internet a que a RTP e outros canais ainda não entenderam que em poucos minutos damos a volta ao mundo!
Saudações de Banguecoque
José Martins

Anónimo disse...

Concordo com o Sr.José Martins. Isto das nossas TVs, "Deus do Céu!"
P.Rufino

EGR disse...

Deixo aqui Senhor Embaixador um pequeno mas,porventura impressivo, do como vão as coisas na RTP:há disa foi inaugurado no IPO o maior Centro de Radioterapia Externa da Penísula;esta noticia surgiu no alinhamento do Telejornal depois,sublinho depois, de uma reportagem sobre uma audiencia em Tribunal do suposto homicida do senhor Carlos Castro tendo,para tal,RTP feito viajar de Wasington para Nova York o seu correspondente naquela cidade.
EGR