sábado, 26 de março de 2011

Japão

A propósito da tragédia japonesa, muito se fala, no discurso mediático ocidental, quase como cliché caricatural, da "dignidade" dessa população, uma atitude às vezes erradamente identificada como aceitação do fatalismo. Mas há muito mais do que isso, nessa gente que sofre: há memória, determinação, solidariedade e civismo.

No "Le Monde", Philippe Pons, reproduz frases de um romance antigo, em que uma mãe japonesa informa o professor do seu filho da morte deste: "Mantendo o sorriso no rosto, a mulher chorava com todo o seu corpo..." Isto ajuda a perceber melhor o rictus com que alguns japoneses contam nas televisões as suas perdas humanas e materiais.

6 comentários:

Fernando Correia de Oliveira disse...

Tenho o privilégio de ter visitado por várias vezes o Japão, por questões profissionais. Admiro a sua cultura, acima de tudo.
Tenho japoneses conhecidos (hesito em chamar-lhes amigos, tal a distância cultural que nos separa, apesar de anos de contactos...), com os quais me preocupei durante esta catástrofe. Resposta de um deles, por email: "Agora, teremos que trabalhar ainda mais, para fazer o nosso país recuperar o mais rapidamente possível".
Agora, em Basileia, estive com ele ao vivo. Agradeceu-me a preocupação e disse: "Já estamos a trabalhar mais, só assim poderemos ajudar quem tudo perdeu".
Nem sequer me atrevo a fazer comparações...

Anónimo disse...

As expressões emocionais para manifestar o luto podem ser expressas de diversas tipologias, existe normalmente uma cultura de fundo transmitida e adotada no ambiente familiar,que normalmente já o herdou do seu enquadramento de respostas humanas às lesões e feridas psíquicas e espirituais,tendo em conta a sua constituição biopsicosocial.

Equacio-no-me sempre, se será mais "liberta dor" o silêncio se o grito mudo de desespero de Edvard Munch, se a histeria ruidosa...

Não sei , sei lá... Agora o silêncio é...Talvez mais suportável?!Face à perplexidade do abatimento... Mais digno?!
Isabel Seixas

Helena Oneto disse...

A tragédia no Japão ainda vai no adro...

Excelente o comentário de Isabel Seixas.

Anónimo disse...

O povo japonês é dotado de educação, organização, determinação e um enorme patriotismo.

Numa das inúmeras reportagens transmitidas, entrevistaram um jovem com cerca de 20 anos que estava no aeroporto de Tóquio. Perguntaram-lhe para onde ia, tendo respondido que estava ali por questões de segurança porque nunca iria partir numa altura em que o país precisava dele.

Um bom exemplo de inspiração para a nossa "geração à rasca".

Isabel BP

juliomoreno@sapo.pt disse...

Perante as notícias que nos chegam do Japão, venho-me interrogando sobre se o que por lá (e, talvez, por cá!...)ocorre não será uma síndrome do actual progresso já que este, tal como o que acontece com as pequenas ondas que logo se formam num lago de águas tranquilas para onde se atire uma pedrinha, se expandirá em todas as direcções: - nas do bem, nas do mal, nas do assim-assim...?

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Fernando Correia de Oliveira, essa forma de ser é um dos maiores encantos do Japão, país que já visitei várias vezes e que admiro muitíssimo!