domingo, 23 de janeiro de 2011

O dodô

Um dia, na ilha Maurícia, fui "apresentado" ao dodô. O dodô é o animal simbólico do país, desaparecido no século XVII e de que apenas existem desenhos, os mais detalhados dos quais feitos por quem nunca chegou a testemunhar a sua existência.

Os portugueses estão tristemente ligados à história do dodô. Devem-se à armada de Afonso de Albuquerque o descobrimento e a colonização da ilha Maurícia. Ao que rezam as lendas, foram esses nossos compatriotas quem exterminou a raça, ao elegê-la como produto gastronómico local preferido. 

O dodô era um animal que deveria ter bastante mais de uma dezena de quilos, que perdera a aptidão de voar, por ausência de predadores na ilha, e, por essa razão, era presa fácil da fome dos nossos navegadores, que o deviam confundir com um perú.

A memória que o mundo conserva dos descobrimentos portugueses integra estas peculiaridades menos conhecidas. Assim, o dodô faz parte da nossa história.

30 comentários:

Fábio Paulos disse...

é triste estarmos ligados ao desaparecimento desta ave, só espero que não nos liguem ao desaparecimento do lince ibérico, pois este ainda podemos ajudar a salvar.

Anónimo disse...

Já tenho ouvido e lido algumas das causas do desaparecimento do simpático DoDô, mas que os nossos antepassados estivem ligados ao seu desaparecimento (ou fossem a causa principal da sua extinção), confesso que desconhecia, em boa parte, pelo menos com esta extensão. É possível, segundo parece e não custa a creditar, que tivéssemos contribuído, de algum modo, para essa maldade, ainda que de forma inconsciente, ao tempo. Há uns livros interessantes sobre este tema, que se encontram quer em livrarias londrinas, quer na Net.
Quanto ao nosso grande Afonso de Albuquerque, que não teve pejo em mandar untar os corpos dos muçulmanos em Malaca com banha de porco e obriga-los a andar assim pelas ruas fora, não admira que não tivesse grandes preocupações para com a dita ave.
Vá lá, que hoje já vai havendo alguma consciência para com a extinção de certas espécies. Como por exemplo, o tigre que recentemente foi descoberto a mais de 4.000 m nos Himalaias (convivendo ali com o leopardo das neves), a chita do deserto a sul do deserto da Sahara (uma espécie raríssima e esta sim em vias de extinção rápida), ou o leopardo nebuloso do Bornéu. Para já não falar nas espécies mais conhecidas.
É pena que outras “espécies”, a de certos políticos mais “refinados”, não venham a integrar as espécies em vias de extinção. Ai regozijava-me, acreditem!
P.Rufino

Anónimo disse...

Fiquei a conhecer mais um animal que faz parte da História de Portugal.

CSC

patricio branco disse...

Procurando informação sobre o dodô, ave de que nunca tinha ouvido falar, leio que tinha a carne dura e mal saborosa mas, claro, em tempo de viagens tragico-maritimas sempre devia ser melhor um dodô assado que passar fome.
A wikipedia, simpatica, não refere os portugueses como estando implicados no desaparecimento,falando apenas predadores humanos. Não voava, o que mais a expunha (sempre achei um pouco ridiculas as aves que não voam)
Por outro lado, leio que há na lingua inglesa expressões idiomaticas inspiradas no dodo e seu destino como "desaparecido ou morto como um dodô".
Conhecia o caso do elegante tigre da tasmânia, extinto nos anos 30 mas de que existem muitas fotografias, animais embalsamados, etc.
Bonita a gravura do dodô mostrada na entrada.
Entretanto, esperemos pelas 20h de hoje domingo 23!!

Alcipe disse...

A Clara Pinto Correia escreveu um livro sobre os dodôs. O livro é muito bem feito e bem documentado. Se bem me lembro do que li, os holandeses também se fartaram de comer perna e peito de dodô na brasa... mas como são protestantes, passaram logo as culpas para os católicos e assim se fez a História... e a ética do capitalismo!

Anónimo disse...

O livro da Clara Pinto Correia tem fotografias?

Anónimo disse...

Bem foi uma perda...
Bastante coquete desde o nome à beleza...Versátil nas cores azul bebé, subtilezas de vermelho e rosa, discrição no cinza e branco.

Já imaginaram que peluche dava tão fofinho uma mistura de peito suave de panda com um bico rococó,racional nas caminhadas sem pressas e sem voos...

Para crianças e apaixonados...

Foi sem dúvida uma pena, será que deu origem ao lamechinhas chodó...
Isabel Seixas

Anónimo disse...

Informo que o Dodô, em final de carreira como é sabido, pertence atualmente ao elenco da Portuguesa de Desportos (SP) estando a disputar presentemente o campeonato paulista.

cunha ribeiro disse...

O "dodô",de facto, visto o nome que tem, não podia ter grande futuro.... fora da sua "caminha"...

Mário Machado disse...

Esse Dôdo da Portuguesa Paulista ou simplesmente da lusa é o artilheiro dos gols bonitos, mas que parece destinado a extinção tal qual a simpática ave.

Gil disse...

A mim, também um exuberante funcionário mauriciano do aeroporto, à chegada à ilha integrado num grupo heterógeneo mas simpático, me vendeu a história do extermínio do dodô pelos portugueses.
Segundo ele próprio, o homem nunca tinha visto um português e, para ele, deveria ser tão exótico como o dodô deve ter parecido a Pedro de Mascarenhas e aos seus companheiros, os primeiros europeus a avistá-lo.
Mas não creio que o apetite, mesmo que devorador, dos portugueses de quinhentos tenham dado cabo do passaroco.
Muito mais tarde, já depois de Maurício de Nassau e dos franceses, ainda o dodô passeava pela ilha.
Ornintocidas serão eles, os batavos e os franciús!

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Gil: senti-me bem retratado, quer no "heterogéneo" quer no "simpático", que não vejo por que seriam contraditórios.

Anónimo disse...

O último dodô inteiro (empalhado) que havia no mundo ardeu há 30 anos no incêndio da Faculdade de Ciências de Lisboa, à Rua da Escola Politécnica. Restam um pé e uma cabeça num museu inglês, salvados de um incêndio também...
Abraço
Zé Barreto

Helena Sacadura Cabral disse...

Adorei post e comentários. Também não acredito muito que tenhamos sido os exterminadores do bicho.
O que eu gostava de saber era a razão do bicho ter um nome tão, tão, tão, como dizer...lamechas!

Anónimo disse...

Outro problema do dodô é que, para além de não voar, era bastante sociável... mais um exemplo em como os bonzinhos acabam por ser os mais castigados!

Isabel BP

Anónimo disse...

Julgo conhecer o FSC há muito e bem. Este post, neste dia, não foi por acaso. Não consigo decifrar a charada. Lamento. Mas sei que tenho razão.

APL

Julia Macias-Valet disse...

Helena !?
Coitado do bicharoco...quem é que tem coragem de lhe chamar Dronte, Walgvogel ou Raphus cucullatus ?

Luís Bonifácio disse...

O extermínio do Dódó pelos Portugueses é apenas uma mentira propagadas (como muitas outras) sobre a nossa epopeia maritima.
Portugal nunca se estabeleceu nas ilhas mauricias. Estas apenas foram usadas para aguada, entre 1507 e 1600. A partir de 1600 as ilhas foram efectivamente ocupadas pelo Holandeses. Em 1698, o Dódó foi extinto.

Por isso a lenda de que os Portugueses extinguiram o Dódó é apenas isso uma lenda sem qualquer ponta de verdade.

Que exterminou o Dódó foram os Holandeses.

Julia Macias-Valet disse...

Estou plenamente de acordo com APL !

Este post lembrou-me outro sobre a Ericeira ; )

Porque diabo FSC nos fala de ornitologia e de ilhas tropicais...

Tera a ver com algo de soporifico !??

O que encontrar a soluçao ganha uma viagem à ilha de Maurice de Nassau : ))) n'est-ce pas ?

Anónimo disse...

Esperem aí! E se faltar alguma coisa na última frase?

APL

Anónimo disse...

Senhor Embaixador

Que eu saiba existe pelo menos um dodô empalhado no museu de Hoorn, uma cidade do norte dos Países Baixos, com fortes ligações à VOC.

Tem uma legenda explicando a origem do seu nome, como sendo dado pelos navegadores portugueses, ave "douda", ou doida.

Não sei se com actual evolução da genética será possível refazer a espécie.

Licínio Bingre do Amaral

Gil disse...

Será o dodô o ornitorrinco do Embx. Seixas da Costa?

Francisco Seixas da Costa disse...

Aos caros comentadores: eu nunca fui perentório* quando às responsabilidades portuguesas na extição do dodô. Escrevi: "segundo rezam as lendas".


* Ao escrever "perentório" dei-me conta que esta é umas das palavras que, pelo Acordo Ortográfico, sofre mais alterações. Assim, para além de perder o "p", o antigo "m" passa a "n". Coisas da modernidade "ortográphica", que devem arrepiar alguns

Helena Sacadura Cabral disse...

Acabei de ficar arrepiada, Senhor Embaixador com a sua adesão a essa coisa que escreve em vez de peremptório. Cruzes!
Aproveito para dizer que desconfio das razões deste post e do bichinho que o acompanha. O comentador APL é bem capaz de ter descoberto o mistério e a nossa Júlia anda-lhe perto.
Ah!A subtileza da diplomacia...

Francisco Seixas da Costa disse...

Caros comentadores: por alguns comentários, sou levado à conclusão de que me não é permitida uma nota, de simples natureza histórico-científica, sobre um espécime a cuja extinção o mundo acha (pelos vistos erradamente) que os portugueses estão ligados. E como Fábio Paulos falou do lince ibérico, recordo que, aquando do seu regresso ao nosso convívio, também fiz sobre isso um post.

Helena Sacadura Cabral disse...

Ai Senhor Embaixador a gargalhada que soltei com o seu lince ibérico! É que, de facto, os animais em vias de extinção merecem, como dizer...um cuidado muito especial!

Julia Macias-Valet disse...

Siiimm...carissimo embaixador...mas o "Dodô" nao esta de volta (ou sera que esta ?)...este comentario de FSC também tras "agua no bico" ; ) e porque nao um post sobre Pandas...assim ficamos de vez com os olhos em bico : )))

E a Ericeira claro é so uma simpatica terra da Estremadura portuguesa ; )

Estes posts enigmaticos têm sempre a presença do mar por perto...sera que "ha mar e mar ha ir e voltar" ????

Anónimo disse...

Só se for pelo facto de entrarem para a história alguns outros animais.

APL

Helena Sacadura Cabral disse...

Júlia não há a mais pequena dúvida de que há "ir e voltar"!Ui!
Caro APL estou mesmo crente de que outros animais se seguirão a entrar para a história. Ai!

Anónimo disse...

Sr Licínio Amaral, o dodô do museu holandês que refere - o Wetsfries Museum, na cidade de Hoorn - é uma "reconstrução" ou "recreação" da ave desaparecida, como poderá ler no site do museu, se arranhar um pouco de holandês. Como eu aqui disse, o dodô que ardeu no incêndio da Faculdade de Ciências de Lisboa, há 30 anos, era, em todo o mundo, o último exemplar inteiro da ave. Se os portugueses não extinguiram o dodô vivo, extinguiram certamente o morto... O Ashmolean Museum, de Oxford, conserva uma cabeça e uma pata autênticas.
Zé Barreto