sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Florestas (1)

Porque será que, acabado o verão, acabam de imediato as reuniões e reflexões sobre política florestal, ninguém mais fala da questão da limpeza das matas e tudo entra num total esquecimento até ao ano seguinte, até aos primeiros incêndios, altura em que tudo recomeça, da mesma forma, como no ano anterior?

Portugal tem mesmo de continuar a ser assim?

Em tempo: quem se preocupa, leia Ferreira Fernandes.

5 comentários:

Anónimo disse...

Muito modestamente, quer-me cá parecer que a existência de uma Guarda-florestal, bem equipada (combinando o recurso ao cavalo, jeeps, locais fixos de observação e equipamento adequado a essa actividade, desde rádio, binóculos, etc) e uma legislação penal muito mais severa (com penas a partir dos 8 anos de cadeia, tendo em conta que desses actos criminosos resultam prejuízos económicos, públicos e privados, de monta, para além, muita das vezes de perda de vidas humanas) talvez conseguisse evitar em anos futuros o que tem vindo a ser cíclico, ou seja, este tipo de situações que anualmente assistimos. Bem sei que a criação de um corpo deste tipo de “polícia” implicaria recursos financeiros difíceis de, actualmente, se conseguir, mas quem sabe se o Estado poupando noutros gastos “desnecessários”, encontraria os recursos para o efeito? Naturalmente que tudo isto que aqui sugiro não pode deixar de estar associado à limpeza das matas. Mas aqui, a responsabilidade não é apenas dos privados, mas das Câmaras igualmente, tanto quanto pude ouvir outro dia num telejornal.
P.Rufino

Helena Oneto disse...

O artigo de Ferreira Fernandes salva, com muita dignidade, tudo o que tenho lido e ouvido do horror que queima cada vez mais o nosso pobre país.
Já não há palavras que traduzam tanta incúria por parte das autoridades responsaveis. Mais uma vida ceifada para nossa vergonha coletiva!

Anónimo disse...

A Josefa simboliza a maturidade em detrimento do escárnio da futilidade, o dez por cento intenso na luta pela sua sobrevivência e os noventa na disponibilidade total para os Outros que é como quem diz Nós.

Claro que se tivesse falecido em campo mais ardente como o olimpo de Futebol até que nem fosse patriota... Irrelevante, teria a equipa dos Media a empreender e inovar nos retratos de cada tique facial dos importantes como notícia pertinente...

O meu Grande Respeito e orgulho pela Josefa , de qualquer forma não aguentaria a perda se fosse minha filha daí que jamais deliberadamente como mãe quereria que tivesse esse protagonismo, quero lá saber do altruísmo.

Até quem devia apagar fogos deveriam ser alguns "jogadores"
Pelo fácil com que O ganham...
Isabel Seixas

Anónimo disse...

sou da aldeia, nos arredores próximos de coimbra. em redor, tudo são pinhais e eucaliptais. há coisa de vinte e qualquer coisa de anos, fui obrigado a despejar um saco de pinhas, apanhado pelo legítimo dono em flagrante delito... coisa menor, dirão. mas se a determinada época do ano nos atrasássemos, não apanhávamos uma agulhazinha de pinheiro, nem para fazer um simples magusto. mato, carqueja (carqueija à moda da aldeia :)) era ouro, era como se uma horda de cabras atravessasse os pinhais. tudo estava sempre limpo, às vezes à conta de meia dúzia de sacholadas.
e hoje? ainda tenho sacos de pinhas apanhados então...

José Martins disse...

Senhor Embaixador,
Os fogos de verão, em Portugal, são endémicos desde há muitos anos. Me lembro há uns 15 anos e durante uns dias que passei em Portugal, a gente da minha aldeia dizia que os fogos eram provocados pelos madeireiros para depois das matas de pinheiro queimadas para as comprar ao preço da uva mijona.
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Acredito que sim porque nessa altura ainda havia largas matas de pinheiros com mais de 20/30 anos e em altura de terem algum valor comercial.
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Nos dias de hoje as matas quase desapareceram e medram outros pinheiritos que morrem, queimados, à nascença.
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Claro que em Portugal ainda existe alguma raça dos vândalos que se fixaram nos anos 460 da era de Cristo e dá-lhes prazer “pegar” fogo às matas.
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Hoje em Portugal não há matas de pinheiros e de eucaliptos, mas muitos silvados, giestas e fetos, erva que secam no verão e uma simples “beata” de um cigarro pode provocar um fogo.
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Os fogos em Portugal vão continuar, porque não há gente para limpar o território propício a incêndios no verão. Eu nasci no meio rural e, nessa altura as terras de Portugal eram cultivadas.
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Haviam sim uns poucos fogos na Serra da Estrela e em terrenos baldios, onde não morava gente. Nas aldeias cujas terras eram cultivadas os proprietários das matas tinham o cuidado de as limpar da caruma os tojos e as giestas para adubar vinhas ou em montoreiras para estrume para terras agrícolas. Pegava-se o fogo aos pastos, mas controlados, para outra melhos erva nascer,no Outono, para alimentar os rebanhos.
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Já há muito que a política e o incentimento à agricultura foi abandonada pelos Governos sucessivos o que levou as populações, jovens, abandonar as suas terras emigrando para o nestrangeiro ou deslocando-se para as cidades do litoral.
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Ficaram os velhos, sentados, nas soleiras das portas, a receberem uma reforma de miséria e esperam que o criador os leve.
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Há quatro anos estive um mês na Beira Alta e corri aldeias da região de Tondela, Viseu e Gouveia e doeu-me a alma de ver as aldeias abandonadas e casas destelhadas e lameiros de bom milho, batatas e feijões absolutamente abandonados.
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Sem uma política do Governo virada para agricultura e patrociná-la Portugal vai continuar a ser país de terra queimada.
Saudações de Banguecoque
José Martins