quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Bombeiros

Na minha terra, em Vila Real, existem duas corporações de bombeiros voluntários. Sei que, nestes dias trágicos, têm andado numa roda-viva, com o fogo a rondar a cidade, como ontem à noite aconteceu. É uma luta contínua, infernal, de risco e coragem. Por um destino que parece que saíu em sorte aos portugueses, essa luta repete-se a cada ano, variando apenas na sua intensidade.

Nos meus tempos de juventude, a cidade "dividia-se" entre os seus bombeiros e eles competiam fortemente entre si (dizem-me que hoje essa rivalidade continua). À época, era-se "adepto" dos "de baixo" ou dos "de cima" (eu era dos "de cima"), por afinidades de vizinhança ou de simpatia. Recordo-me dos sinos tocarem a rebate, em frias madrugadas de inverno, com o número de badaladas a indicar a zona dos incêndios. E de ver passar, em passo rápido, em direção ao seu quartel, os homens que iam combatê-los.

Desde então, ficou-me uma grande admiração por aquela gente simples, orgulhosa nesse seu admirável clubismo solidário. Os nossos bombeiros, "de baixo" ou "de cima", em Vila Real, são hoje um belo símbolo da cidade. E, na primeira semana de cada ano, competem entre si para comemorar, com sirenes e bombos, as datas próximas dos seus dois aniversários, no exercício da sua eterna rivalidade.

5 comentários:

Anónimo disse...

Coisa séria Sr. Embaixador

Das poucas aliás que neutraliza o meu insidioso sentido de humor...

Tenho mesmo dificuldade em sequer ser espirituosa com a saúde do nosso planeta com o bem comum e com o maior direito e inalienável O do ar respirável e da vida do nosso habitat...

Também incendiar até do ponto de vista da piromania (Síndrome de Naoali)Enfim excluídos os fatores inimputáveis por patologia deveria ser crime contra o universo...

Já e também dos bombeiros são para mim irmãos de sangue profissional com a pele do altruísmo da consciência profissional mais pura a do AMadOR...
São energias renováveis no sentido do conhecimento ao serviço do homem
Pertinente relevante e atual este post.
Ah! A propósito e por analogia está melhor?

(Pronto !... Já não está cá quem falou... Privacidade´,sigilo, consentimento informado e Não de maneira nenhuma causar Dolo seja de que tipo, é a minha especialidade.

"Quer dizer a Margarida é que cismou Por Tento" ).

Isabel Seixas

Cá em Chaves também há bombeiros de Cima e de Baixo e faziam-se em tempos que já(Nem) lá vão Bailes, nunca tive preferências quando conseguia escapar à guarda dos Pais, gostava tanto tanto de uns como dos outros.
(Oh! Queria era mesmo ir).

Anónimo disse...

Os meus pais conheceram-se nos bailes dos Bombeiros "de Cima" e eu fui batizado logo ali ao lado, na Igreja de S. Pedro.
Carlos Pereira

Anónimo disse...

Também eu fui frequentadora da sala de televisão dos Bombeiros de cima nos principios da decada de 60.Era novidade e havia poucas na Cidade.........eu tinha 8 anos e uma curiosidade imensa.


E V

Jose Alfredo Almeida disse...

Ola
Bom dia.Gostei de ler essas suas memórias sobre os brisos bombeiros da sua cidade,Vila Real, os homens eternos que nos protegem de muitos perigos, na atribulada passagem por esta nossa vida.

Esta suas memórias tem um sentido profundo num tempo em que os valores de de altruísmo, solidariedade e fraternidade - o bem fazer social- estão ausentes do nosso viver quotidiano, quando sabemos que em tempo difíceis, em que o Mundo parece ruir, são aqueles que mais devemos valorizar como seres humanos também fragéis.

Gostei da sua atenção e da sua especial visão pelos bombeiros..homens como nós, que fazem um pouco mais pela sociedade, demonstrando que o os valores humanitários não passaram de moda.

Se quiser pode observar o mundo dos bombeiros da minha cidade, o Peso da Régua, no blogue escritosdodoro ou fogo-história, onde provamos que com 130 de existência, nunca deixamos de estar com a nossa comunidade, fosse através do exemplo da nossa sócia contribuinte nº1, a D. Antónia Adelaide Ferreira, a mitica Ferreirinha, a generosidade de Amália Rodrigues, a cantar na Régua, o Comandante Poeta Camilo Castelo Branco, o Historiador da Régua Comandante, O Sino de Canelas, que recorda a passagem das invasões francesas pelo Douro ou o famoso baile das vindimas, organizado na décadas de 50 a 80, no Quartel dos Bombeiros da Régua, com charme, glamour e um espírito de solidariedade, com o Douro em tempo de vindimas, a grande festa da nossa região.

O meu obrigado pela PAIXÃO...ao nosso Douro e bombeiros das nossas cidades, vilas, aldeias do distrito de Vila Real.Sao 27 magníficos Corpos de Bombeiros.

Um abraço

José Alfredo Almeida
Presidente da Direcção da Federação dos Bombeiros de Vila Real e da da AHBV Peso da Régua.

Anónimo disse...

boa tarde li o seu comentário e posso dizer que a rivalidade entre a cruz verde (cima)e a cruz branca (de baixo)persiste embora não com tanta rivalidade do tempo do chefe ARTUR que saúdo com o falecido Magalhães um abraço longínquo de LYON FRANCA