domingo, 4 de julho de 2010

Hinos e heróis

Numa concorrida audição, à porta fechada, o demissionário presidente da Federação Francesa de Futebol, acompanhado do selecionador cessante, foram convocados, na passada 4ª feira, a uma comissão parlamentar. O "compte rendu" do encontro já caiu no domínio público. Entre algumas revelações no âmbito daquilo que a teorização desportivo-mediática portuguesa qualifica, sem se rir, de "cultura de balneário", ficou-se a saber que, se o selecionador francês tivesse de excluir jogadores da equipa por não saberem cantar "La Marseillaise", ficava só com quatro (entre 23!).

Em Portugal, não sei quantos dos selecionados sabem o nosso hino. Pareceram-me alguns mais (uma evolução face a outros anos), embora ficasse claro, pelas imagens, que a concentração pré-jogos de Ronaldo se revelou sempre incompatível com o debitar oral de "A Portuguesa".

Entre o modo como Portugal e a França trataram o "problema" das suas seleções houve outras diferenças. Verdade seja que, no caso francês, teve lugar uma rebelião; no nosso caso, houve apenas flagrante incompetência tática. Mas, claro está!, entre nós ninguém se demitiu... Era só o que faltava! Então não ganhámos 7-0 à Coreia do Norte?!

5 comentários:

Anónimo disse...

Senhor Embaixador.

Fabuloso.

"HOUVE APENAS FLAGRANTE INCOMPETÊNCIA TÁCTICA".

Eis em cinco palavras, o que milhões de comentadores indígenas não conseguiram dizer.
Porque será?...

V disse...

Com que então teórico da bola, caro Embaixador? Fazia melhor com os jogadores que temos, era?

Treinador também eu sou se tiver os futebolistas do garagista Hagan. Lembra-se dele? A táctica era sempre a mesma. Vira-se para o Eusébio & Cª e dizia: "Joguem como sabem". Ganhavam sempre.
V

Guilherme Sanches disse...

A propósito de Hino Nacional, exemplares são os jogadores espanhóis - todos sabem a letra de cor!!!
(Se estou atualizado, depois de uma tentativa de colocar letra na "Marcha Granadera" em 2008, não se chegou a um consenso e a música continua a ser trauteada - lá-lá-lá....).
Fácil e sem polémica futebolista
Um abraço

Helena Sacadura Cabral disse...

Um dos grandes problemas da terrinha em futebol e política - afinal em ambos os casos a questão está na competência técnica - é justamente o de os responsáveis das respectivas selecções não de enxergarem, como dizem os nossos irmãos brasileiros...

Anónimo disse...

Não diria que o "Mundial 2010" de Futebol é um caso para esquecer. Longe disso!

Mas que, táctica e tecnicamente, terão que resultar consequências, não tenho a menor dúvida!

Se se pretende uma selecção a sério, já vai sendo tempo de Gilberto Madaíl entregar, definitivamente, a pasta a outro. Pois, o maior problema da Selecção Nacional reside na própria Federação Portuguesa de Futebol!

Quanto a Carlos Queiroz, pela mediocridade evidenciada, decididamente, não é treinador com competência e know how suficientes para uma Selecção Nacional de Futebol! Mais parece um apêndice...

Quanto aos jogadores, importa ter presente que qualquer jogador joga de acordo com as instruções transmitidas pelo treinador; assim como uma equipa joga o que a outra deixa jogar. Não entender isto...

Vergonhoso foi o espectáculo a que se assistiu. Os jogadores ou não sabem cantar o hino nacional ou, para eles, é atitude irrelevante.

Uma nota e um contraste: De sublinhar o empenho e o respeito que os jogadores "naturalizados portugueses" evidenciaram e demonstraram ao cantarem, de viva voz, o hino nacional português!

Mas, a Federação e os seus dirigentes máximos, assim o permitem e o exemplo vem de cima!

Esperemos por dias melhores, sobretudo, mais dignificantes perante os símbolos nacionais.

A menos que se passe a contratar um coro, para que as vedetas não percam o fôlego...

Paulo M. A. Martins