sexta-feira, 16 de julho de 2010

Basil Davidson (1914-2010)

Alguém dizia, há semanas, que, por vezes, é preciso alguém morrer para darmos conta de que, afinal, ainda estava vivo. É uma frase cruel, de que me lembrei ontem, ao dar de caras, num jornal, com um obituário de Basil Davidson, que pensava desaparecido há muito.

Davidson faz parte do elenco dos mais proeminentes europeus que apoiavam as lutas anti-coloniais. Historiador de grande mérito, que teve a África pré-colonial como objeto privilegiado de análise, viria a destacar-se num trabalho de divulgação internacional dos movimentos independentistas nas colónias portuguesas e na denúncia do "apartheid". Essa sua simpatia pelo anti-colonialismo levou Edward Said a dizer que "in effect, (he) crossed to the other side". Antes disso, porém, Basil Davidson teve um percurso aventuroso pelos mundos da "intelligence" britânica e uma carreira jornalística muito diversificada, em grande parte como correspondente parisiense de jornais britânicos.

Lembro-me bem do impacto que teve, nos meios oposicionistas portugueses, a publicação do seu "The Liberation of Guine", editado pela Penguin em 1969, um dos mais de 30 livros que escreveu, alguns editados em Portugal, mas só depois do 25 de abril.

2 comentários:

Nuno Sotto Mayor Ferrao disse...

Caríssimo Senhor Embaixador Francisco Seixas da Costa,

Sem dúvida que Basil Davidson foi um proeminente investigador que deu muitas dores de cabeça às autoridades coloniais portuguesas. Fez algumas investigações sobre a História de Angola em que discutiu a perspectiva das autoridades portuguesas relativamente à realidade laboral segundo investigações que fiz ( Arquivo da PIDE/DGS no Arquivo Nacional da Torre do Tombo). Foi, sem dúvida, apesar da minha perspectiva de investigador uma figura que passei admirar. Nunca o imaginava vivo!

Saudações cordiais,
Nuno Sotto Mayor Ferrão
www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

Anónimo disse...

Nunca o imaginava vivo...

Provavelmente se não fosse o Senhor ficaria despida de conhecimento de Personalidades que me enchem de orgulho pelo Ser Humano, que contra ventos e marés e protocolos se vestem perpetuamente, sem se deixar conspurcar pelo insidioso e contagiante comodismo, da pele dos verdadeiros Deuses aqueles que partilham ... Também e sempre com respeito(Para variar pelos Outros) os aromas de Liberdade...

Só para dizer que para mim, sem pena, foi concebido agora... Nasceu e não vou abandona-lo porque me interessa.
Obrigada
Isabel Seixas