sexta-feira, 18 de junho de 2010

Gaullismo

A França com memória celebra, na data de hoje, o apelo feito há 70 anos, pela rádio, de Londres, pelo general de Gaulle, que consagrou o reerguer do seu país sob ocupação estrangeira.

Charles de Gaulle permanece uma figura política polémica, sem que isso signifique que não seja, a todos os títulos, uma figura maior da história francesa. A sua linha de ação política, de que alguns se reivindicam e de que outros se distanciam, continua a ser objeto de análise. As grandes orientações da sua política externa são regularmente evocadas e postas a par das opções contemporâneas que se abrem à França no campo internacional. No ano em que se celebram os 50 anos das independências africanas, o general é lembrado pelas decisões então tomadas nesse âmbito e pelo quadro da "françafrique" que geriu. Algumas das suas opções em matéria de política económica são hoje olhadas com curiosidade, à luz do intervencionismo que os últimos tempos acabaram por ditar. O carater espartano da sua vida e da sua postura é, frequentemente, constrastado com o dos seus sucessores no cargo.

Gostem ou não os franceses do general de Gaulle como líder político e partidário, o que parece incontestável é que, no seu apelo de há 70 anos, ele soube representar o mais profundo do sentimento da França como país. E essa memória permanecerá sempre como a marca mais prestigiante da sua imagem.

7 comentários:

C.M. disse...

Sinto nostalgia dessa França de Charles de Gaulle, esse espaço de cultura e liberdade (apesar dos estudantes de 68 não saberem o bem que tinham ao tempo: uma sociedade pacífica, o guarda-chuva do Estado, enfim o Estado Social em toda a sua plenitude).
Lembro-me do Raymond Barre e do seu Traité d'Économie Politique por onde estudei; saudades de Georges Pompidou, que afirmava que a (saia) “midi”, ao invés da “mini-jupe” salientava o “mistério” da mulher… para além de grandes Políticos, eram poetas…
Quanta falta nos fazem hoje homens como estes, para dar um rumo a esta Europa já sem alma e à beira do apocalipse económico e social!

Alcipe disse...

De Gaulle deixou o legado de uma direita resolutamente anti-fascista - coisa rara, se olharmos para a Europa de hoje...

Recordo a desilusão dos salazaristas quando ele em 1958 não proclamou a ditadura em França... pensavam que o Pétain estava perdoado?

Os nossos neo-conservadores de serviço devem benzer-se... ou suspirar pela O.A.S.

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Alcipe
Quanto mais aprendo sobre a história da França - que por motivos pessoais me interessa particularmente - mais me surpreendem os relacionamentos de Petain com uma certa esquerda...
Perdoado? Era o que faltava!Por mais cristãos que alguns franceses possam ser, há atitudes imperdoáveis!

Helena Oneto disse...

Os comentários de Tim Tim são, sempre, implacáveis!

Anónimo disse...

A esquerda, cara Helena, não perdoou nada ao Pétain. Está-se a referir ao Mitterrand, eu sei. Mas esse partilhou a ilusão pétainista de uma grande maioria dos franceses nos primeiros anos da derrota... honra a De Gaulle!

Quanto ao PCF, fez o que mandava Moscovo... Depois da ruptura do pacto germano-soviético foram grandes (e heróicos) resistentes . "La rose et le réséda", lembra-se?

Alcipe

Helena Oneto disse...

Celui qui croyait au ciel celui qui n'y croyait pas
Tous deux adoraient la belle prisonnière des soldats
Lequel montait à l'échelle et lequel guettait en bas

Celui qui croyait au ciel celui qui n'y croyait pas
Qu'importe comment s'appelle cette clarté sur leur pas
Que l'un fut de la chapelle et l'autre s'y dérobât

Celui qui croyait au ciel celui qui n'y croyait pas
Tous les deux étaient fidèles des lèvres du coeur des bras
Et tous les deux disaient qu'elle vive et qui vivra verra

Celui qui croyait au ciel celui qui n'y croyait pas
Quand les blés sont sous la grêle fou qui fait le délicat
Fou qui songe à ses querelles au coeur du commun combat

Celui qui croyait au ciel celui qui n'y croyait pas
Du haut de la citadelle la sentinelle tira
Par deux fois et l'un chancelle l'autre tombe qui mourra

Celui qui croyait au ciel celui qui n'y croyait pas
Ils sont en prison Lequel a le plus triste grabat
Lequel plus que l'autre gèle lequel préfère les rats

Celui qui croyait au ciel celui qui n'y croyait pas
Un rebelle est un rebelle deux sanglots font un seul glas
Et quand vient l'aube cruelle passent de vie à trépas

Celui qui croyait au ciel celui qui n'y croyait pas
Répétant le nom de celle qu'aucun des deux ne trompa
Et leur sang rouge ruisselle même couleur même éclat

Celui qui croyait au ciel celui qui n'y croyait pas
Il coule, il coule, il se mêle à la terre qu'il aima
Pour qu'à la saison nouvelle mûrisse un raisin muscat

Celui qui croyait au ciel celui qui n'y croyait pas
L'un court et l'autre a des ailes de Bretagne ou du Jura
Et framboise ou mirabelle le grillon rechantera
Dites flûte ou violoncelle le double amour qui brûla
L'alouette et l'hirondelle la rose et le réséda


http://blogs.ina.fr/charles-de-gaulle/

Helena Sacadura Cabral disse...

Rendo-me, Alcipe, à sua perspicácia!Falo a sério.
Era, de facto, Miterrand um daqueles a quem me referia.
E confesso-lhe humildemente - a sério também - que por um qualquer motivo que prefiro não psicanalizar, Miterrand sempre exerceu sobre mim um enorme fascínio.
Vá lá entender-se as mulheres que se julgam inteligentes...