terça-feira, 29 de junho de 2010

Espiões

"Old habits die hard". A notícia de que 10 alegados espiões russos foram detidos nos Estados Unidos, onde estariam a ser infiltrados, pode levar alguns a imaginar um retorno aos tempos da Guerra Fria, um mundo que pensavam já terminado. O mais curioso é que isto se passa quase simultaneamente com o dia em que os presidentes Obama e Medvedev trocaram abraços de cumplicidade e reiteraram o aprofundamento da amizade russo-americana.

A verdade é que o tempo dos serviços de "intelligence" está longe de ter acabado. Eles andam por aí travestidos em outros modelos, mesmo entre países mais ou menos amigos, mas com uma ação agora mais vocacionada para as temáticas económicas e tecnológicas. Este é um jogo eterno de sombras que sempre existiu e há-de continuar a existir, porque é da natureza dos Estados tentar saber um pouco mais para além do que é público, por forma a dar o melhor alimento informativo para suporte das decisões oficiais e mesmo privadas, desde que consideradas de importância estratrégica para a preservação ou promoção dos seus interesses.

Às vezes, continua a ser feita alguma confusão entre o trabalho diplomático e o dos serviços de informações, em especial quando se atua em países não democráticos, em que o acesso à informação é mais complexo. Não nego que, nessas circunstâncias, pode surgir uma "zona cinzenta" entre esses dois mundos, mas é de elementar prudência que os profissionais da diplomacia sejam habilitados com um código claro de instruções que lhe evite o risco de passarem a perigosa "red line" entre o modo legítimo de coletar informação e a tentação de a obterem por meios menos curiais.

4 comentários:

Quim Filbi disse...

Ó senhor Embaixador...mas já não é a mesma coisa...
Foram-se os bons tempos, os da Segunda Secção da Guarda Suiça, a temível agência do Vaticano e dos seus duelos épicos com o KGB de boa-memória; os da CIA+MI6 contra a gloriosa 5ª Divisão, os de Burgess e McLean, de Smiley e de Richard Sorge ou do lendátio Mifume!
Todos nós, os melhores, alistados no Exército Industrial de Reserva, vivendo de recordações, quantas vezes sem uma mísera pensão que nos permita o telefonema a matar saudades.
Que saudades, senhor Embaixador, que saudades!

Anónimo disse...

E segundo recentemente tive ocasião de ouvir (e aprender), a França é hoje, juntamente com a Rússia, uma das duas mais activas nações na…espionagem industrial. Novos tempos!
P.Rufino

José Barros disse...

Num certo período da minha carreira profissional em França, (sector de inserção socioprofissional) a profissão questionava-se muito seriamente sobre as possíveis “passagens” de informação entre os assistentes sociais e a polícia e dizia-se, a propósito, que na nossa democracia onde os diversos ministérios têm a sua independência (era assim que pensávamos) não podíamos agir como na URSSS onde as informações entre os serviços dos vários ministérios passavam através de joeira a orifícios largos. Pensávamos que os assistentes sociais podiam garantir aos seus utentes, em todas as circunstâncias, um verdadeiro sigilo. Com o Maio de 81 vieram novas formas de ver e estar na sociedade e uma maior proximidade entre assistentes sociais e polícia trouxe noções de “camaradagem” com contornos de certa ambiguidade ao que alguns intervenientes chamavam “sovietização”.
Estas “fronteiras” entre o social e o policial levou-nos a pensar nas “fronteiras” entre o Diplomático e o Policial e pensamos que, também, nesta área, as fronteiras nem sempre foram muito herméticas nas nossas democracias. Para exemplo recordo um certo embaixador da América em Lisboa numa altura em que a nossa história avançava aos impulsos mais agitados. Aqui ficou bem claro que aquelas fronteiras se existiam não eram mais que um cortinado muito transparente e aquele embaixador foi promovido a altas funções na CIA em compensação de serviços prestados ao seu País durante a sua estadia na Embaixada de Lisboa.

Anónimo disse...

Espiões...

Os relógios...
De parede
Desmancha prazeres

Compreendo
A sobriedade
Tive mesmo que a adquirir
Sem fazer questão

Imagine
Um relógio
Com a mesma animação
Em tempo de sorrir
Desde o esboço
Ao convite
Simples a aderir
Isabel Seixas

Uma vez na Tailândia uma senhora, tradutora que fazia questão de falar correctamente/corretamente
Português Ofereceu-me Quatro fotografias com a evolução dos Seus/Deles sorrisos... Fascinante