sexta-feira, 14 de maio de 2010

Saldanha Sanches (1944-2010)

José Luis Saldanha Sanches faleceu hoje, em Lisboa. As novas gerações portuguesas conheceram-no, através de regulares intervenções televisivas, como um fiscalista "sem papas na língua", cheio de e de coragem opinativa, que muito ajudou a decifrar, sem tabus, algumas questões económicas do nosso quotidiano.

Porém, e para quem não saiba, a biografia de Saldanha Sanches foi muito mais do que isso. Antes de 25 de Abril de 1974, foi ferido a tiro pela polícia e, com 21 anos, foi preso político. Passou seis anos na prisão de Peniche. Após a Revolução, foi a primeira figura pública a dar a cara pelo MRPP (Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado), tendo então voltado a ser preso, por um curto período, como diretor do jornal "Luta Popular". Abandonou a política partidária em 1975, mas manteve, com a sua mulher. Maria José Morgado, uma jurista "militante" anti-corrupção, uma constante intervenção cívica. 

Deixo aqui a ligação para uma interessante entrevista onde ambos falam da sua vida. Sobre a sua atividade profissional leia aqui.

10 comentários:

Eduardo Costa Dias disse...

Corajoso, frontal, perspicaz, amigo do seu amigo. Até sempre Grande Zé Luís

Anónimo disse...

Tinha grande respeito por Saldanha Sanches. Como pessoa e fiscalista. E gostava bastante de o ouvir na SIC. Só esta manhã vim a saber do seu falecimento. Li com grande interesse a entrevista que aqui se reproduz, através do Post. Apreciei sobretudo a forma como ambos (S.S e M.JM) falam da política, passada e de como vêm as coisas hoje. Há ali um processo evolutivo coerente, honesto, respeitável que muito apreciei. As pessoas mudam, ou evoluem, é normal, mas devem faze-lo com coerência, equidade, integridade e auto-respeito. Para que as respeitam, por sua vez. Foi o caso de S.S (e também de M.J.M). Fez bem em relembrar Saldanha Sanches. Que merece que o recordemos. Vai-nos fazer falta. Vou ter saudades daquelas “conversas” na SIC. Fica, todavia, muita obra escrita, muito trabalho (de investigação e estudo) no campo do Direito Fiscal. Felizmente.
P.Rufino

Gil disse...

Obrigado por não ter reduzido a biografia deJosé Luís Saldanha Sanches ao folclore à roda da caricatura que na sociedade portuguesa é a imagem do MRPP e ao fiscalista polémico que aparecia na TV.
Ele militou em organizações clandestinas durante a ditadura e
era um homem de uma espantosa coragem (política, moral, física), de um empenhamento total na(s) sua(s) militâcia(s).
Teve, das várias vezes em que foi preso, um porte e um comportamento impecáveis.
Foi ferido a tiro pela polícia fascista e nunca virou a cara quando foi necessário defender as suas ideias e os seus ideais.
Quando decidiu pôr fim à participação na política partidária, soube manter-se sobriamente "apartidário", sem as histiónicas manifestações de arrependimento que alguns "convertidos" esbanjaram, em espectáculos sórdidos e repugnantes, como Clóvis "queimando o que adoraram e adorando aquilo que queimaram".

Guilherme Sanches disse...

Por motivos patronímicos, ao regressar ao retângulo europeu depois de uma comissão no grande quadrado africano, dei comigo a simpatizar com a muito politizada e mediatizada figura de Saldanha Sanches.
Simpatizar não significava concordar, nem pelo contrário.
Após um interregno de contacto mais próximo com a sua obra, fui lendo com regularidade a "expressão" das suas ideias e os comentários sobre a vida.
A simpatia manteve-se sempre.
Vou notar a sua falta.

Causavossa disse...

Não o tendo conhecido pessoalmente ficou-me a imagem de um homem simples, justo, bom, uma enorme saudade da sua rectidão e da defesa da justiça social: um grande Português!

Nuno Sotto Mayor Ferrao disse...

Caríssimo Embaixador Francisco Seixas da Costa,

Presto aqui também a minha homenagem ao Professor José Saldanha Sanches por ter sido um ilustre fiscalista que teve uma exemplar intervenção de cidadania ao denunciar falhas da administração e da política fiscal e nessa medida foi um fiscalistas mais atentos às questões da justiça social! Como nos diz demonstrou uma inteligência combativa e um sentido de humor que cativavam os ouvintes menos conhecedores das problemáticas técnicas para as questões basilares. Pelo seu passado de luta contra a Ditadura e de posições radicais de esquerda após a Revolução dos cravos muitos o viam como um "perigoso" esquerdista. No entanto, teve um papel de activa cidadania crítica e interventiva que não será fácil substituir. Irá fazer bastante falta à democracia portuguesa o seu espírito acutilante! Além de intuir que como pessoa, por não o conhecer directamente, era um Homem de excepcionais qualidades humanas!

Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

Margarida disse...

Tanto o 'post' como os comentários, são eloquentes o suficiente para que não tenha muito a acrescentar.
Dava gosto ouvi-lo.
Teria sido um prazer tê-lo conhecido.
Fico com as suas palavras e o seu exemplo.
É um belo legado.
Que a ele se faça jus e honra.

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
Nem sempre concordei com Saldanha Sanches. Mas sempre tive por ele um enorme respeito. Por isso lhe agradeço este justíssimo post e louvor.

Rosa Helena disse...

...que pena que os verdadeiros homens de valor partam assim em silêncio, apesar de estrondosos feitos que deixaram para trás...

Fenêtre du Portugal disse...

Bom dia

O passado de Saldanha Sanches e os seus actos, (incluindo os politicamente corajosos), fazem dele uma pessoa que obviamente merece elogios e simpatia.


Mario Pontifice