domingo, 9 de maio de 2010

A feira

Viver no estrangeiro torna-nos ingénuos saudosos do país, atribuindo uma bondade automática às coisas que há por lá. Todos os anos, ao confrontar-me com a notícia da abertura da Feira do Livro, sinto uma insuportável inveja pelos meus amigos que têm a felicidade de passear-se, Parque Eduardo VII acima e abaixo, por aquelas bancadas com livralhada a metro, hoje em parte responsáveis por espaços de parede da minha casa em Lisboa. Confesso: sou um viciado de feiras do livros, paro em qualquer rua ou vilória onde vislumbre alguma, tenho já nelas comprado coisas que me fazem interrogar sobre a minha sanidade mental no momento da aquisição.

Comecei a minha longa vida de Feiras do Livro no Porto, na praça da Liberdade, nos idos de 60. Depois, já de passagem pela cidade, cheguei a vê-la junto à Câmara, creio que uma vez no palácio de Cristal e, depois, já na Boavista. Em Lisboa, não sou do tempo da Feira no Rossio, mas creio que perdi poucas edições na Avenida da Liberdade, como não deixei de a visitar no Terreiro do Paço, quando para lá migrou episodicamente. 

Perpassa-me uma nostalgia das incursões à Feira à hora de jantar, com lugar para estacionar, menos gente e mais tempo para espiolhar as barracas. Tenho uma (há muito) testada técnica de zig-zag, que ilude edições bíblicas, livros infantis e técnicos, com uma jornada noturna para cada ala do parque. Como português incurável, também por lá passei várias últimas noites, antes do fecho definitivo, cheio de sacos, angústia e pressa, nunca soube bem porquê.

A Feira é, além do mais, um fantástico "meeting point", para nos cruzarmos com amigos perdidos há anos, de quem passamos a conhecer os novos cônjuges e com quem combinamos miríficos almoços.

Que falta me faz a Feira do Livro!

10 comentários:

Anónimo disse...

Gosto tanto tanto deste post...

-Interrogar sobre a minha sanidade mental no momento da aquisição.
Sinto sempre isso... Saber que é reciproco...Hum...Que delicia

Ai se o dever não me chamasse...
Isabel Seixas

Guilherme Sanches disse...

...com um pormenor omisso, sempre popularmente comentado no Porto - não havia Feira do Livro que não trouxesse consigo umas boas chuvadas...

para mim disse...

Guilherme, a quem o dizes! Passei pelas feiras do livro do Porto e sei que, por tradição, só chovia quando a feira abria!... Em Lisboa, já não chove tanto, excepto no dia em fui lançar o meu livro! De resto, é bem verdade isso dos encontros!... Todos os anos, na feira do livro, renovo a minha agenda de contactos...

Aida disse...

Mr l ambassadeur,

les livres sont sans doute les meilleures compagnons de route...

- o primeiro livro que li foi "este livro que vos deixo " de Antonio Aleixo .

um bom dia para si ...
AIDA CERQUEIRA (RGB Cergy- Pontoise )

Anónimo disse...

Sr...Embaixador

A feira...

De livros

Também são as minhas verdadeiras jóias, aquelas que cito como testemunhos credíveis de proatividade, que ostento com orgulho humilde e que sedimentam o interesse por alguém...

São tão bons ... que por inerência potenciam o protagonismo uns aos outros...Viagens deslumbrantes dentro ou fora de casa ao alcance de quase todos, meio de comunicação interpessoal mas também a melhor e a maior Intrapessoal permitindo diversidade nas leituras...

Isabel seixas

Helena Oneto disse...

Linda ilustração para este saboroso texto.
Livro aberto como velas ao vento é um oceano de sonhos!

Helena Sacadura Cabral disse...

Pois meus caros comentadores, eu aqui em Lisboa a dar autógrafos - que honra ter tido o Dr Silva Lopes a pedir-mo - numa sexta feira cheia de vento e chuva, não foi pera doce!
Sábado o mau tempo era tal que a Feira fechou às 18h.
Que saudades de quase 20 anos de autógrafos sob um calor tórrido...
O tempo muda o próprio tempo!

Julia Macias-Valet disse...

Nao sei se estou de acordo com a Helena O. relativamente à ilustraçao...??? A mim lembra-me um pouco as utilizadas na "A Sentinela".

Anónimo disse...

Oh! Doutora Helena

Parabéns
Se eu soubesse...Feira por feira
No domingo fugia ao jamor...

Mas,julgo saber que...

Adoro observar fenómenos nos palcos onde são permitidas tempestades emocionais ao vivo...
Mesmo assim
Um autógrafo... Por uma dúzia de pastéis de chaves, ou um folar...
Pronto está bem as duas coisas, o chá é com a Sra.
Isabel seixas

Anónimo disse...

Que falta me faz...

Acreditar em qualquer Acreditar...

Esses os Benditos mesmo ...Sem Ver.

Vestidos de acenos impotentes
Sorrisos que já Estão Por Tudo... Redomas de incubadoras latentes
Pensamento preso açaime entrudo
Mascara D`Amor liberdades inocentes

E
Eu ...
Continuo

A não Saber
Pelo menos ...
Quem Sou!!!???
Isabel Seixas

Prelúdio de feriado?
Para todos!