terça-feira, 25 de maio de 2010

Aristides Sousa Mendes

Foi há dias lançado na nossa Embaixada, mas só estará acessível ao público no dia 3 de  junho este novo livro de Eric Lebreton, da editoria Le Cherche Midi. Trata-se de um relato muito bem escrito e documentado da odisseia do Cônsul português em Bordéus que, durante a Segunda Guerra Mundial e contra a vontade expressa do governo português de então, concedeu dezenas de milhar de vistos, para entrada em Portugal, a outros tantos refugiados, provavelmente salvando-lhes a vida que estava ameaçada pela ocupação nazi da França. Aristides Sousa Mendes foi demitido das suas funções e morreu na miséria. 

Hoje, a sua ação é cada vez mais reconhecida pela comunidade internacional, como o prefácio de Simone Veil a este livro assinala. Em Portugal, depois de anos de esquecimento, o feito de Sousa Mendes tem vindo a ser destacado e a merecer crescente acolhimento no âmbito da nossa diplomacia. 

Desde 1995, a  Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses atribui o "prémio Aristides Sousa Mendes", para trabalhos na área histórico-diplomática.

8 comentários:

Margarida disse...

E o filme, para quando?

Margarida disse...

Quero dizer, fantástico que tenham editado este livro (ninguém em Portugal entendeu pertinente escrever uma obra, mesmo que romanceada, sobre este valoroso tema?!), mas o audio visual abrange uma camada de audiências muito mais vasta e este continua a ser um período deveras galvanizante na História do Mundo.
E, mesmo que só, ele representou o melhor de Portugal num contexto que envergonhará eternamente muitos indivíduos e nações.

Anônimo disse...

Nas Histórias de Portugal que leio à medida que vão saindo fica uma ideia clara:- independentemente da valorização, ou não, porque também há detractores dos verdadeiros motivos,o acto não autorizado de Aristide Sousa Mendes nunca poderia ter sido formalmente autorizado por um país que praticava a política da neutralidade. E se porventura o tivesse sido, como outros foram, seria, naturalmente, negada a existência dessa autorização. Acho pois que a ligação da "bondade" do acto de Aristides de Sousa Mendes à luta anti-fascista é uma ficção e prejudica a imagem do dito, porque desvia a atenção do mérito absolutamente relevante de se terem salvo milhares de pessoas.
João Vieira

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro João Vieira: independentemente da discussão interessante e necessária sobre a evolução da prática da "neutralidade" portuguesa durante a 2ªGG, importa deixar claro que a ação de ARS nada tem a ver com qualquer atitude "anti-fascista", nem a oposição do Estado Novo, que eu saiba, alguma vez reivindicou esse tema. ASM era um conservador, tudo indica que apoiante sincero do 28 de Maio e do Estado Novo, pelo que o seu ato de rebeldia cívica se torna ainda mais valioso e notório, por não ter nenhumas conotações ideológicas.

Anônimo disse...

Por conotações ideológicas não foi de certeza absoluta .

Foi sim um ACTO DE AMOR ao próximo .

Obrigada Senhor Embaixador pela divulgação do livro .

Os meus respeitosos cumprimentos

Carlota Joaquina

Helena Oneto disse...

[...]"ele representou o melhor de Portugal num contexto que envergonhará eternamente muitos indivíduos e nações."

Concordo inteiramente com a conclusão do comentario de Margarida! Não temos, na nossa Historia moderna, muitos Homens deste calibre que nos orgulhem. E, como diz o Senhor Embaixador "ASM era um conservador, tudo indica que apoiante sincero do 28 de Maio e do Estado Novo, pelo que o seu ato de rebeldia cívica se torna ainda mais valioso e notório, por não ter nenhumas conotações ideológicas."

Não sabia que os diplomatas tinham um sindicato! foi uma boa surpresa! Li com atenção as entrevistas aos Embaixadores Seixas da Costa, Monteiro, Lobo Antunes e à Eurodeputada Ana Gomes.

Muito interessantes, sobretudo a do nosso Embaixador que, num belissimo português, nos dá conta que eles, diplomatas, também têm que se bater para salvaguardar a aplicação das leis em vigor...

Anônimo disse...

Cara Helena Oneto,
Permita-me uma pequena correcção. Os diplomatas não têm um Sindicato, mas uma “Associação Sindical”, uma pequena “nuance” na designação…
Talvez a palavra Sindicato tivesse uma conotação excessivamente reivindicativa e Associação Sindical fosse, no então contexto, mais consensual. Não sei, não “assisti” ao nascimento da “criança”, mas “sou seu familiar”, já que sou seu membro.
Que eu saiba, julgo que só os diplomatas italianos terão um Sindicato, mas o Embaixador Seixas da Costa se estiver melhor informado, não hesite em corrigir-me.
Cumprimentos cordiais por este seu excelente Blogue.
“Adido de Embaixada”

Helena Oneto disse...

Senhor Adido de Embaixada,
Muito obrigada pela correcção. Mas a minha surpresa foi tanta que a palavra "sindical" pesou mais que "associação". Nuance, diplomática, sem duvida!