segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Línguas

O bom conhecimento de línguas estrangeiras era um requisito que, no passado, nos habituámos a esperar do pessoal de bordo, nos voos internacionais. Se bem me lembro, a TAP era nisso um bom exemplo. Verifico agora que tais hábitos se foram perdendo...

Numa deslocação a Portugal, no passado fim de semana, fui confrontado com uma intervenção em francês, através dos altifalantes do avião, que me deixou estupefacto, pela pobreza da pronúncia daquilo que estava a ser lido e pela inenarrável construção lexical das frases que penosamente eram improvisadas. Já não é a primeira vez que testemunho cenas idênticas, razão por que entendi dever referir o caso aqui.  

Não seria possível haver uma horas (mais) de formação em língua francesa do pessoal de bordo da TAP que presta serviço nos voos para este país? 

Havia um antigo ministro do Estado Novo que, para justificar a sua escassa apetência para as línguas estrangeiras afirmava que elas se deviam falar "patrioticamente mal"*. Alguns dos seus colegas no período democrático, que muitos conhecemos, seguiram com zelo as pisadas deste governante.

A TAP, contudo, é um negócio e é pena vê-lo "poluído" por deficiências de formação de recursos humanos, que se tornam ainda mais chocantes num mercado que a companhia pretende e deve seduzir.

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15 comentários:

sara disse...

Bom a TAP ainda tenta falar o francês. E que tal deixar a lingua mal falada como fizeram as companhias não francofonas? Quando encontro ementas em França escritas em inglês ...
O português não é actualmente m
ais falado no mundo que o francês? E reparou como falam mal o português em muitos voos da TAP?

Helena Oneto disse...

E bem verdade nos voos da TAP e não só. Salvo raras excepções, ainda fala francês quem o aprendeu no liceu como primeira lingua antes do inglês. Tambem é verdade que os jovens portuguêses falam muito melhor inglês que a maioria dos francêses (que falam inglês só compreensível por outros francêses!

Julia Macias-Valet disse...

Parece que o mal nao é so na TAP :

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2010/01/air-france-ou-ar-franca.html

Tintin disse...

O seu a seu dono: "Falemos nobremente mal, patrioticamente mal, as línguas dos outros!" - Eça de Queiroz (in "A Correspondência de Fradique Mendes")

Francisco Seixas da Costa disse...

Tintin: obrigado pela correção. Afinal, havia ministros do salazarismo que liam o Fradique. Pensei que o seu livro de cabeçeira não passava do Abranhos.

José Barros disse...

As companhias não podem pensar em tudo! Ou então seria por isso, por não terem pessoal bem-falante, que há uns anos atrás, no aeroporto Sá Carneiro, ouvi uns anúncios a advertirem os utentes que iriam acabar naquele aeroporto com os “anúncios falados” e passariam única e exclusivamente aos anúncios legíveis no quadro electrónico. Pensei imediatamente nas pessoas com dificuldade de leitura e, de entre estas, as pessoas com vista reduzida.

Helena Sacadura Cabral disse...

Se tivessem lido o Conde de Abranhos, já não era mau...

DL disse...

Estou completamente de acordo consigo em que a formação linguística do pessoal da TAP é muito má. E não só no francês, já que muitas vezes os anúncios em inglês são igualmente maus.

Anónimo disse...

Numa “linha aérea” de um país da Ásia Central, onde viajei em tempos, o pessoal de bordo só se exprimia em 3 línguas: russa, a do país de origem e “o gesto é tudo”. Acabei por optar por esta última, com algum português à mistura, numa tentativa (inútil, constatei depois) de pretender “reforçar” o meu “diálogo” com as hospedeiras. É que, quando me vejo em aflições para que me entendam, não falando a língua local (já me sucedeu também num país do sudeste asiático) – no caso vertente, da linha aérea em questão – não sei porque diabo, vem-me sempre esta cabotina ideia de que para resolver a situação, o melhor é “adicionar” algum português. Nunca resulta e fico em palpos de aranha para me conseguir explicar depois. Naquele voo, dei-me conta que a dita “língua universal do gesto é tudo” também é muito limitada, podendo por isso dar origem a mais confusão. Por exemplo: como explicar que se prefere uma cerveja a vinho, ou um sumo a água? Como as raparigas (com ar de muito poucas amigas) só nos perguntavam, na língua delas, o que queríamos (só depois trazendo “os petiscos”), não tive outro remédio senão estar “atento” ao que era servido aos outros passageiros e como bebiam coisas diferentes, explicar aquilo que me apetecia foi um sarilho. De início, ainda me enchi de paciência e até algum humor para imitar copos e líquidos que, de algum modo, identificassem a bebida que eu pretendia. Não resultou. E como a paciência da “raparigona” (um trambolho de muito peso) se esgotou antes da minha, acabei resignado ao que puseram na frente, tipo: “ou bebes isto, ou não levas nada!”Uma chatice.
Já falar uma língua com determinado sotaque do país de origem dessa pessoa pode ser por vezes engraçado e até divertido. Gosto de ouvir, particularmente, um francês, ou alemão, a falar inglês: “ze weather iz alwayz like zis in Portugal?” (era caso para perguntar, nas circunstâncias actuais!).
Já aprecio menos a pronúncia de um espanhol quando articula a língua de Shakespeare.
P.Rufino

João Forjaz disse...

Desde que se perceba, penso que o "working knowledge" é absolutamente suficiente e julgo um preciosismo querer que todos os portugueses (menos Mário Soares) falem françês de Paris.

Helena Sacadura Cabral disse...

Ai! P. Rufino só mesmo a sua história para me fazer rir nesta hora de tristeza.
Mas olhe que, em Tóquio, ao contrário, o gesto foi tudo. Estafada da viagem - a primeira de várias que lá fiz - achei a temperatura do quarto muito elevada e quiz abrir a janela. Como não consegui liguei para a recepção. Era tarde e mandaram-me um paquete que não teria mais que 13 anitos - ou que, pelo menos, parecia tê-los - que, para me explicar que não podia abrir a janela. se viu em palpos de aranha. De facto o seu inglês era pior que o de Zapatero. Então num gesto de desespero subiu para a janela e fingiu atirar-se. Assustada mandei o miudo embora logo.
Percebi mais tarde que ele tentava dizer-me que era por causa dos suicídios que as janelas não abriam!
Poderiamos dizer, com propriedade que só a mim e ao P. Rufino é que estas coisas acontecem!

Gil disse...

Julgo que, sendo verdade que a qualidade do francês debitado nos aviões da TAP é fracota,a do inglês não é melhor, mesmo que debitado com uma velocidade digna de Usain Bolt e um sotaque saído direitinho dassessõesde "shopping" em Nova Iorque.
Mas o grande problema é o do português (?) dos funcionários da companhia, em linha com o aspecto, textura e sabor das inenarráveis sandes dadas como forragem aos passageiros, com pontualidade dos seus aviões e com comodidade dos assentos.

manelserra disse...

Já algum dos comentadores apanhou avião de Atlanta, para Phoenix no Arizona ? Se tiverem a sorte de ter o steward que me calhou, que num inglês do "deep heart of Texas" saído de uma boca bem ornamentada por sete piercings de diferentes formas, tamanhos e localizações me serviu uma garrafa de meio litro de um refrigerante com sabor a lixívia para satisfazer o meu pedido de "orange juice", então ...queixem-se ! No entanto era um personagem assaz sorridente, já que dois ou três daqueles objectos decorativos não lhe permitiam fechar completamente a boca. Na TAP pelo menos, ainda vamos tendo um pessoal relativamente apresentável...

Guilherme disse...

O Clem é simultanemanet meu colega, sócio e muito amigo. Irlandês de origem mas desde sempre a viver em Derby, trabalha com artigos portugueses, fala diariamente com as empresas portuguesas e visita Portugal cerca de vinte vezes por ano.
Ao longo destes treze anos, já diz meia dúzia de coisas em português, que me lembre: "ishtou sim", "Bome dia", "shculpe lá", "ca'rago" e "super bock".
- Aprender a falar mais português? Para quê? Nunca precisei!
Um abraço

papoila disse...

Mas, se se fala tão mal português....