domingo, 3 de janeiro de 2010

Seminário diplomático

Hoje é dia de Seminário Diplomático. Desde há vários anos, e sob vários modelos, a maioria dos embaixadores e altos funcionários do ministério dos Negócios Estrangeiros, que coincidem em Portugal neste período de festas, junta-se num encontro anual, onde reflectem sobre o trabalho feito e recebem orientações do ministro e de outros dirigentes políticos e da "casa".

Para além deste objectivo, torna-se extremamente interessante, para quem trabalha em postos diferentes e distantes, poder cruzar-se com amigos antigos, convivendo com eles, ainda que por um período muito curto. Durante o ano, trocamos e-mails, alguns telefonam-se, às vezes visitamo-nos nos postos ou encontramo-nos por Portugal. De quando em quando, lemos o que os outros escrevem nas comunicações oficiais para Lisboa. Mas, por mais esforços que façamos, vamo-nos "perdendo" um pouco uns dos outros, deixando de nos ver com a regularidade que a "alimentação" da amizade requer. Esse é um dos "preços" desta profissão.

A carreira diplomática é, em todo o mundo, uma actividade muito exigente, que obriga a mudanças cíclicas de vida, ao afastamento das famílias e a testes constantes sobre a nossa capacidade para trabalharmos em novas realidades. Acarreta, além disso, custos insuperáveis para a vida profissional dos cônjuges e sérias instabilidades para os filhos.

Mas esta foi a carreira que escolhemos e, sem a menor dúvida, os problemas que suscita são - em muito! - suplantados pelos seus imensos aspectos positivos. Ser diplomata constitui um enorme privilégio, não apenas pelas experiências e oportunidades que este tipo de vida proporciona, mas, principalmente, pelo facto de podermos ter o singular orgulho de ser a cara do nosso país em vários lugares do mundo. Gostava que as novas gerações de diplomatas percebessem bem essa honrosa responsabilidade e a fantástica possibilidade que a carreira diplomática lhes concede para servir Portugal.

5 comentários:

Helena Oneto disse...

Portugal pode e deve orgulhar-se dos embaixadores e outros Diplomatas que no passado e no presente souberam honrar e dignificar o País que representa(ra)m.

Anónimo disse...

Pois Eu descobri...Por Seu intermédio... que quando For Grande também quero ser Diplomata...
Quer dizer ou pelo Menos... Na próxima reencarnação...Obviamente que não estou a subestimar a complexidade...Longe de Mim, até pelo contrário...Por isso Mesmo, Não acha as Senhoras com competências transversais?...E especificas?...
Está Bem estou conformada... Não Acredite...
Isabel Seixas

João de Deus disse...

Senhor Embaixador, quero crer que a maioria dos novos diplomatas, alguns dos quais tanto têm aprendido com o seu exemplo (ouso, modestamente, incluir-me nesse grupo privilegiado), estão conscientes da "dimensão" da profissão que escolheram como sua, das responsabilidades que lhe estão conexas e do orgulho, como bem diz, de ser a "cara do nosso país".

Outra questão será saber se é essa a imagem que "passa" junto da opinião pública (relembro o episódio mediático da "diplomacia do croquete", ao qual soube responder à altura).

Mas aí a culpa será também da própria carreira, onde exemplos como o seu, de partilha e abertura daquilo que são as especificidades do "nosso mundo", são casos muito escassos. É um trabalho que beneficia quem lê habitualmente o seu blog mas, também, em larga medida, em prol da própria classe e da sua imagem pública. Esse trabalho por si só mereceria um tlg. da SE com um "muito obrigado" em letra 80, a bold e sublinhado!

Um saudoso abraço alpino com votos de um grande 2010!

Jose Martins disse...

Acrescento ao comentário da Srª. D. Helena Oneto,

Evidente que Portugal teve grandes vulgos inseridos na Diploma Portuguesa.
Não vou aqui referir o nome de nenhum do passado e no presente.
Mas não há bela sem senão... Portugal teve alguns embaixadores e diplomatas que erraram a profissão, porque não estavam vocacionados para a assumirem.
Para ser um diplomata a “tempo inteiro”, terá que pelo menos possuir umas duas ou três personalidades.
Incluo aqui: generoso, diligente, fazer das tripas coração, porque vai destruindo a figadeira nas constantes reuniões; comer pouco e conversar mais nas mesmas; um psicólogo por intuição conhecendo as pessoas ao primeiro contacto; um certo estilo para forjar uma mentira (contador de histórias) e os que o ouvem acreditarem; sentido constante de colocar no mercado os produtos portugueses.
E, claro, um bom dirigente do pessoal sob as suas ordens e não ir em “paleios” de intriga e nunca por nunca usar o “tráfico de influências” a favor dos deuses e dos diabos.
Adoro a diplomacia e a experiência que tive entre ela.
Dei-me ao luxo, face to face, de criticar um dos meus embaixadores, ao outro dia de quando na noite anterior proferiu umas palavras numa reunão: dizendo-lhe o senhor embaixador ontem engasgou-se... Agradeceu-me o meu reparo.
E também me agradecia quando as palavras tiveram êxito: O senhor embaixador ontem portou-se muito bem... Gostei!
Mas um embaixador, não gostou mesmo nada quando antes de proferir o discurso do Dia de Portugal, quando se dirigia para o palco, com o papel na mão, de um hotel de cinco estrelas lhe disse-lhe, em surdina: “senhor embaixador porte-se bem...!!!
Ainda hoje, passado anos, tenho na memória a ruim cara que me mostrou...
E para terminar num mesmo dia de Portugal, um embaixador ( por quem tenho a maior estima), tendo pela frente a sociedade mais fina da cidade; tocou a campainha de mão para o ouvir.
Mas quando levantou a taça para o brinde em vez do nome de Portugal, saiu-lhe o nome do Rei!

Anónimo disse...
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