domingo, 24 de janeiro de 2010

Exportação


Termina amanhã, perto de Paris, a "Maison & Object," uma das mais importantes feiras profissionais de produtos de mobiliário e decoração, realizadas em todo o mundo. Portugal é o 7º país com mais expositores (acreditem!), tendo aumentado substancialmente a sua presença, face a anos anteriores. A direção da feira, que é conhecida por fazer uma exigente e quase cruel seleção dos candidatos, disse-me estar altamente surpreendida com o crescente nível da oferta portuguesa.

Também a mim me impressionou muito a qualidade dos stands e dos produtos portugueses, bem como a atitude profissional dos empresário presentes. Há um novo ou renovado Portugal industrial que é preciso continuar a ajudar a promover, como hoje o faz a AICEP, em aliança com as associações sectoriais. Até porque esse mesmo Portugal, pelo prestígio externo de que já disfruta, constitui parte da nossa própria nova "cara" no mundo.

Sei que vou em contra-corrente ao vento de tragédia que alimenta algum colunismo luso, mas quero dizer que encontrei por lá, nas cerca de 30 empresas cujos stands visitei, dentre as quase 60 que aqui vieram representar a indústria portuguesa, um espírito de saudável otimismo. Com certeza que não é exemplo que se possa generalizar, mas um dos industriais com quem falei, ao ter-lhe perguntado como via as expectativas de saídas para a crise, disse-me, com o sotaque nortenho da maioria, apenas isto: "Que se fale menos e se trabalhe mais". Apeteceu-me vê-lo no "Prós e Contras".

7 comentários:

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador,
Ora aí está uma belíssima sugestão para a Fátima Campos Ferreira. Pode ser que, então, passe a vê-la!
Quanto " vento de tragédia de um certo colunismo luso" ele é, apenas, o reverso da medalha desse otimismo, também luso, que acompanha os discursos oficiais de que já "estamos a sair da crise".
Qual crise, pergunto eu?!

Anónimo disse...

Adoro Decoração...
E o Sr. é um Felizardo...Bafejado pelos ossos do ofício...

Sempre quis já fui(em Valencia/Espanha, e obviamente em Portugal Exponor sempre que posso) a exposições desse género...Tive durante bastantes anos uma actividade de decoração de interiores e uma loja que se designava Psyché Boutique...

Acho os móveis Portugueses um Must.

E a sua opção por um canapé azul marinho objecto decorativo que alude a pausas de descanso e relaxamento encontrando eco na mana espreguiçadeira e na congénere francesa chaise long , terá de ser adiada como recompensa de fim de tarde...

Adoro chifoniers e contadores com gavetas segredo...

Estão lá os Móveis Brasão de Mira?
E a Roche Bobois...
Isabel Seixas

Gil disse...

Eu creio que, apesar de tudo, as notícias da morte de Portugal continuam a ser muito exageradas.
De resto, se alguns dos arautos do "finis patriae" fossem competentes na sua actividade, há já uns vinte ou trinta anos que ela teria colapsado.

Bernardo Ivo Cruz disse...

Terei o prazer de os receber semana que vem na Feira de Birmingham.

Julia Macias-Valet disse...

Acabo de receber o catalogo primavera-verao 2010 da conhecida marca francesa Cirillus (passo a publicidade) que agora tem também o catalogo Cirillus Interieur. E fiquei "inchadissima" ao ver que no final da descriçao da maioria dos produtos (textêis, loiças e outros artigos de decoraçao) esta escrito : Fabrication portugaise.

Fada do bosque disse...

Sr. Embaixador, como sou conhecedora do ramo, (pode, se desejar confirmar no meu perfil ou blogue) deixo aqui o meu testemunho.
Qual crise? arautos da desgraça? serei um deles?
O capitalismo acaba de demonstrar a sua vertente mais hedionda e famigerada do consumismo. Temos é claro, da melhor manufactura e fabricação de móveis que conheço, a seguir à mais perfeita, a francesa. Para mim supera e sempre superou a italiana, em questão de gosto, de estilos e até qualidade perfeição de acabamentos.
O que está a acontecer na capital do móvel em Paços de Ferreira é constrangedor. A pobreza e a fome estão á vista e as pequenas oficinas que por todo o concelho eram porta sim porta sim, fecharam e deixaram no desemprego milhares de pessoas, famílias inteiras. A crise mundial não perdoou e quem sobreviveu? As grandes empresas, que podem até ter começado do nada mas que hoje têm o apoio incondicional dos capitalistas, dos conhecidos, das "luvas" e de todos outros parâmetros que não dependem da capacidade de trabalho ou qualidade. Dou-lhe o exemplo de uma firma portuguesa que começou em Inglaterra, o seu fundador, claro de nome sonante no meio social da capital portuguesa. Miguel Pires de Lima, tirou curso de arquitectura, mas resolveu dedicar-se à indústria do móvel. Com fundos de maneio já existentes, claro, apostou na gama de mobiliário branco. Abriu uma pequena fábrica em Vila da Feira e fez sucesso nesse país estrangeiro, a Inglaterra. A empresa devido ao seu nome inglês, Home in Heaven, passa por ser inglesa... poucos sabem que á nacional... é um luxo artigo inglês! Sediou-se em Portugal já depois de ter aberto em Inglaterra, França e EUA, sendo que a última loja foi na Harrods de Londres. Aqui no Norte, alugou uma loja mesmo ao lado da gigante Ikea, no centro comercial MAR. Claro que se está mesmo a ver o que está a acontecer e eu comprovo. A classe alta, compra artigos topo de gama, a classe média compra no Ikea e os pobres, que são a sua maioria deixaram de comprar, pois antes eram a classe média baixa e faliram.
Vou dar-lhe um exemplo, a nossa oficina trabalha com uma marcenaria que faz móveis de madeiras maciças recuperadas de demolições, desde riga até castanho e carvalho. Madeiras curtidas da melhor qualidade. De quinze empregados, restam apenas 5. Para ajudar a manter esses empregados o dono recorre á venda de madeira em bruto para as lareiras! Em contra posição a Home In Heaven usa madeiras asiáticas sem qualidade, nem sei se são certificadas, legais. Uma coisa é certa, os móveis não têm peso, parecem plumas, a lacagem é feita a compressor e vem com um documento de que a cor se alterar não é da responsabilidade deles, bem como as fendas ou rachas que possam abrir na madeira. Os estofos, para alguém até que pouco perceba do assunto, não têm acabamento de qualidade. Mas o artigo vende-se e super inflaccionado.

Fada do bosque disse...

Tenho clientes que me trazem o catálogo, pedem uma cópia e ficam fascinados com os acabamentos, tanto de talha, como de estofo pintura, em madeiras maciças como castanho e lacagem manual, com acabamentos personalizados e ficamos responsáveis pelas peças... têm garantia, por quase metade do preço. Como não somos conhecidos na "society" portuguesa, nem temos conta bancária, pois o nosso melhor momento depois de doze anos de trabalho árduo e de muitos mais a aprender técnicas de pintura e restauro (autodidactas), foi antes da crise de 2008. A partir daí acabou... nunca mais tivemos encomendas... apenas uma coisita ou outra e como nós, milhares de empresários de nome individual ou pequenas empresas familiares, a quem não basta o trabalho e esforço. Entretanto estão famílias inteiras de marceneiros, entalhadores, estofadores, torneiros e especialistas em palhinha manual, á fome! Ou seja a indústria horizontal, feita por variados artistas que aprenderam o métier, de geração em geração, está em extinção.

São precisos capitais e "luvas", boa publicidade, nome na praça e principalmente conseguir entrar no "sistema". Em Portugal não conheço nenhuma empresa de mobiliário de renome. Francesas? De Tonge, Roche Bobois, Grange entre centenas de outros.
Já agora deixo a pergunta, porquê uma fábrica da Ikea em Paços de Ferreira? Se a grande superfície do Porto, já eliminou quase toda a concorrência aqui no norte e Galiza? Acham que ao criarem 200 e poucos empregos, eliminando toda uma cadeia industrial de milhares de empregados é benéfico para o País? É sinal de que a crise não existe?
Quero ver de que se vão alimentando os tubarões ,quando o peixe miúdo se extinguir... serão os tubarões de médio porte a alimentar os outros?
Chegamos à Era da Marca... ou pela moda, ou pela qualidade e tudo o resto é para extinguir.
Resumindo Paços de Ferreira é uma cidade fantasma e eu sou arauto da desgraça...
Portugal alcançou a horizonte da "felicidade" económica. Esse senhor que disse que se calem e trabalhem, se calhar só mandou... nunca deu no duro.
Sabe o que nos disse uma famosa decoradora quando fomos oferecer os nossos srviços? Que somos uns assassinos! foram as suas palavras! "Os móveis são para ter um look bonito, mas não para durar uma vida! tem de se manter o mercado!"