sábado, 16 de janeiro de 2010

Eleições

Uma nova pré-campanha eleitoral vai ter início em Portugal. Ainda parece que foi ontem que terminou o annus electoralis de 2009 (europeias, legislativas, municipais) e lá vamos nós para mais um ritual de sufrágio, que vai voltar encher os jornais e as televisões, desta vez de uma forma ainda mais fulanizada. Regressam as sondagens, as suas contradições e as dúvidas quanto à sua fiabilidade. Com os nomes do costume e alguns "realinhamentos" para provocar surpresa, listas de personalidades alinharão por detrás dos candidatos. Regressarão os "blogues da política" aos seus dias gloriosos, uns mais independentes, outros farouchement sectários, uns com linguagem marcada por uma saudável urbanidade, outros roçando a boçalidade insultuosa. Enfim, um déjà vu.

Este é o preço da nossa democracia, que tem a superior vantagem de colocar nas mãos dos cidadãos as múltiplas escolhas possíveis, nos variados níveis institucionais em que elas se podem objectivar. Um preço que, não obstante poder ser considerado pesado, por virtude das dispersão de atenções em temáticas muitas vezes mais adjectivas do que substantivas, deveria ter como contrapartida a geração de uma maior consciência pública e o lançamento de um debate mais aprofundado sobre as grandes opções que estão por detrás das escolhas de natureza política que são propostas.

Interrogo-me, contudo, se será possível detectar, como resultante desta cumulação de debates eleitorais, a decantação de uma opinião pública cada vez melhor informada para fazer face às propostas com que se vai confrontar no momento do sufrágio, a quem as campanhas eleitorais tenham proporcionado instrumentos de formação de vontade, assentes em verdadeiras alternativas objectivas de natureza programática. Nunca poderemos ter certezas sobre isto, mas sinto, de forma um tanto impressionista, que o debate político português mantém um superávite de "espuma dos dias" e um défice de racionalidade.

Esta constatação, a ser verdadeira, pode justificar algum desencanto com a "coisa pública" que se pressente em sectores mais jovens do eleitorado e, num contexto completamente diferente, o alheamento que se verifica em áreas das Comunidades portuguesas no exterior, que acabam por reflectir na abstenção a distância que sentem face à realidade política que observam.

Mas, enfim, sejamos optimistas. Pode ser que a próxima campanha eleitoral contribua para um muito melhor esclarecimento. Portugal e os portugueses merecem isso.

21 comentários:

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador,
Não posso estar mais de acordo com o seu post de hoje. Infelizmente!

Anónimo disse...

Bem ... lembrando que embora esta discussão seja precoce...
Ainda não estamos recuperados das anteriores...

Tudo vai depender dos candidatos...

Qual é mesmo o prazo de candidatura?
E as habilitações?...

Acho que está na altura ou seja mais que na altura... de se perfilar um candidato do género Feminino...

Sra. Doutora Helena Sacadura Cabral... Exactamente isso que está a pensar...

Obviamente que lhe confiro idoneidade...

Isabel Seixas

Helena Oneto disse...

..."por virtude da dispersão de atenções em temáticas muitas vezes mais adjectivas do que substantivas"...

"enfim, sejamos optimistas"!

Rien à ajouter.

Helena Sacadura Cabral disse...

Isabel, ó Isabel, fiquei de rastos com essa sugestão. Era a família toda levada para o manicómio...se é que nesta minha ainda há réstea de sanidade!
Mas para se rir um pouco digo-lhe que já fui "muito assediada" - ai a língua portuguesa é terrível - por dois partidos de esquerda. E era capaz de me não ter saído mal. Se revelasse quais foram...
Senhor Embaixador perdõe o uso deste espaço a favor das suas duas leitoras e, no meu caso, admiradora!

Francisco Seixas da Costa disse...

Dra Helena Sacadura Cabral: Este blogue é um espaço de diálogo entre os "clientes" e, aqui para nós, teria muita graça se acabasse de servir para um "lançamento"...

Anónimo disse...

Pois já que estamos tacitamente autorizadas continuemos...

Eu também admiro os Seus "Infantes"
Pela determinação, coragem, e vivacidade com que ambos defendem os Seus projectos alternativos para o governo do País, alguns deles dotados de grande humanidade e capacidade de resolução de problemas Reais desmistificadores dos supérfluos...

Mas... Apesar do meu estilo pseudobrincadeira perpétuo e constante estou a falar a sério...

Eles com o devido respeito que aguardem o Seu tempo...

Não lhe vou dizer que Chaves vai ser tarefa fácil... Antes pelo contrário ... muito menos o distrito, Mas... Somos Mulheres, um misto de Nossas Senhoras e Marias Madalenas... Tanto Parimos
Rousseau (Sonso pensa que eu não sei que meteu os filhos num orfanato), como Maquiavel... E isso dá-nos uma tarimba...

Mais a sua experiência Bipolar em tentativas presumo de gerir conflitos visando o consenso familiar é uma mais valia neste contexto.Até porque o voto é secreto e pensa o quê Os Seus Filhos deixe-os falar...Na hora da Verdade claro que votam em Si(Ai não dois votos)...

Até porque não se nega a evidência.

O País precisa de Alguém com sensibilidade especifica e Ar Maternal com perfil poético e jovial, difusora de todos os tipos de inteligência privilegiando a da maturidade emocional relacional espiritual estética ...

Bem continuemos no próximo capitulo...

Que tal? como preludio...

No Porto já tem se não mandataria pelo menos também quem arranje,por falar nisso onde anda a menina Margarida? Lisboa está por sua conta e o resto do País ... Calma Sabe melhor que Eu que Roma e Pavia não se Fez num Dia ... Temos tempo... Embora tenhamos de ser pro activas.

Senhor Embaixador... Obrigada pelo Acolhimento.

Isabel Seixas

Klatuu o embuçado disse...

«Este é o preço da nossa democracia, que tem a superior vantagem de colocar nas mãos dos cidadãos as múltiplas escolhas possíveis, nos variados níveis institucionais em que elas se podem objectivar.» Etc. Traduzido por miúdos: a democracia em Portugal é uma choldra, mas temos que levar com ela porque a democracia é boa em substância (politicamente correcto).

Pois olhe que não. É mais uma década nisto e os militares sairão dos quartéis...

Cumprimentos.

Francisco Seixas da Costa disse...

Olhe que não, Kalatuu, olhe que não: a Democracia é o único regime em que, não obstante os seus defeitos, se encontram todas - mas todas! - as condições para a respectiva regeneração.

Klatuu o embuçado disse...

Não discordo, mas isso não é nenhuma salvaguarda metafísica do regime que temos. E essa é a questão crucial. Dizer: tenhamos paciência porque este regime é uma democracia - não chega, e é politicamente insuficiente.

Este regime vai com 36 anos de afirmada democracia e o país está uma choldra. O actual regime não gerou democracia no sentido profundo. E mais: isto só ainda não virou porque não há contexto na Europa para tal e porque os portugueses ficaram fartos de fascismo... mas esses portugueses estão a caminho do cemitério... a miudagem não viu o antes do 25 de Abril, são o produto deste regime e uma cambada de desgraçados, sem instrução, etc, meros consumidores do MTV, de telemóveis, de internet, leitores de mp3 e TV.

Nenhum regime é eterno, como bem sabe. E este anda há muito a cavar a própria sepultura. Muito honestamente também gostaria que ainda houvesse uma solução democrática - mas já não acredito nela.

Cumprimentos.

P. S. Revolução republicana -» 1º República (choldra) -» Estado Novo.

25 de Abril -» mais choldra -» ?

Margarida disse...

A Margarida está decrente destas andanças, Isabel..., essa é que é a verdade...; das últimas vezes que se 'galvanizou' foi uma desilusão tal, que creio ter ficado imune.
Mas admiro imenso quem ainda encontra forças e tem fé.
Nos homens (e mulheres) que, sabemos, são de muita pouca vontade...
Mas, como emquase tudo na vida, não fecho a porta em definitivo a nenhma possibilidade.
:)
Acresce que 'a candidata' mora no meu coração.
Ponto (e voto!) a favor!
;)

Helena Sacadura Cabral disse...

E eu que não tinha voltado a este post, estava a perder um dos acontecimentos da temporada. Mas, um amigo de um dos tais dois partidos, que também é visita regular do nosso Embaixador, fez o favor de me avisar do que por aqui se andava a sugerir..
Isabel, a ideia até seria capaz de pegar neste país de alucinados, em que vivemos. Mas eu ainda mantenho a noção das realidades.
Senhor Embaixador rampas de lançamento só para Lua. Ou, então, para o ver ser lançado para algum projecto que eu muito gostaria de ver realizado.
Mas uma coisa lhe digo já. Seja o que for que o destino lhe reserve, se lhe agradar, tem o meu voto e os meus préstimos todos. Gratuitos. Para ter o gosto de trabalhar nas coisa em que acredito. E esta, Senhor Embaixador?! :))

Francisco Seixas da Costa disse...

Dra. Helena Sacadura Cabral: Não brinquemos com coisas sérias...

Julia Macias-Valet disse...

Senhor Embaixador tenho a certeza que a Helena nao esta a brincar. Eu estou com ela. Olhe que grao a grao...

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Julia
Volto a repetir: não brinquemos... e acabaram os comentários sobre isto, está bem?

Julia Macias-Valet disse...

Esta bem. E aceite as minhas desculpas se a brincadeira foi longe demais.

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Júlia: não é caso para isso, apenas procurei evitar o ridículo...

Anónimo disse...

Senhor Embaixador...
Venho aqui outra vez...

Agora pé ante pé...
Em pezinhos de lã...

Só para dizer que este tema não vai expirar... Já...a validade.

Que as nossas pelo menos as minhas opções não precisam ser reféns perpétuas de posicionamentos políticos hemiplégicos ou centralizados...
Que figuras independentes também são aglutinadoras, mostrando que sabem discernir e decidir...Sem a obrigatoriedade castradora da tendencial ancoragem de amputação de um braço...

Que os estilos parentais envolvem poder Maternal coexistindo com o poder parental, sendo que podem ser simultâneos em estrita competitividade saudável e de respeito mútuo ou até em guerra fria e coexistência pacifica...

Que os lugares cativos em candidaturas como se fossem direitos ou privilégios adquiridos...era o que Mais faltava...

Que a exposição ao ridículo simplesmente não existe...
É uma tentativa estratégica ás vezes descarada de quem usa o narcisismo dissimulado e totalitário para refrear ou exonerar direitos de oportunidades de Tentar, a outros, ás vezes vontades de Muitos.

Que receio tanto as Suas reprimendas subtis como acredito nas Suas objecções de consciência subsequentes...

Que conjecturo uma segunda volta Ambivalente para os Portugueses entre Si e a Doutora Helena, mas que conto com a compreensão da "Helena"por obviamente apoiar os Dois...
Mas em ambas votar ...

Em Si...


Claro... Qual é o espanto...
Isabel Seixas

PS
"Portugal e os Portugueses merecem"...

Helena Oneto disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Francisco Seixas da Costa disse...

Que Helena Oneto me perdoe, mas, por razões que já deixei expressas, não vou poder publicar o seu último comentário. Lembro-me de ter escrito: "e acabaram os comentários sobre isto, está bem?"

Anónimo disse...

Posso falar na janela de Johari?

É uma Espécie de teoria explicativa condensada numa janela de quatro quadrantes concebida por dois psicólogos Joseph Luft e Harrington Ingham em 1955 para desvendar e erigir o auto conhecimento.

Pressupõe que o 1º quadrante aglutine todo o conhecimento existente sobre Nós próprios e partilhado pelos Outros... O designado Quadrante Aberto .

O 2º quadrante envolve o conhecimento que só os outros sabem e detêm de Nós... O designado quadrante Cego...

O 3º quadrante constitui-se com o conhecimento que Só e Só... Nós sabemos de Nós próprios O designado quadrante Oculto...

O 4º quadrante assume-se como o do conhecimento que nem Nós nem os outros Sabemos de nós O designado quadrante Desconhecido...

Ora então!!!...

Tomando como referência o 2ºquadrante que no Seu caso se Me Permite É... É...È.

O Sr. Mesmo Sendo Assertivo, Não é de Açaimes...
Depois Não aguento a curiosidade de Saber o Que Sua Ex.a A Helena Oneto escreveu...
Oh!!! A sério ... Claro que Ela já lhe Perdoou ... Mas mesmo assim...
Pela Janela de Johari O Sr. Não é Totalmente Dono de si Próprio... Eu Sei que não é fácil...
Isabel Seixas

Anónimo disse...

Estes retiros de silêncios... simplesmente assustam-me porque não fomentam a mudança, encerram espaços que se constituíam de Ilusão sóbria e racional da possibilidade de participação...Nossa... A bem da Nação.

Sem a obsessão da vitória mas sim da glória do reconhecimento de competências transversais mútuas e que ganhe quem o povo/população ditar...Depois do consentimento bem informado das alternativas...

Para mim também a maior derrota é desistir antes da oportunidade do começo...


Bem, posso pelo menos sugerir uma estratégia...

Acho que numa primeira instância os candidatos a presidente da Republica de Todos os Portugueses?

Deveriam encetar um estágio obrigatório de integração à vida profissional no terreno, de forma a conhecer as condições de vida do eleitorado , onde as competências técnicas a desenvolver seriam as relacionais e humanas enfatizando a comunicação como instrumento básico...

O jogo sem Fronteiras como fazer malabarismo vital com uma reforma exígua mas com plasticidade para fazer face à poli medicação e outros nutrientes...

A premissa juramento e compromisso de honra o poema reflexão...

Vós que lá do vosso império
Vós que lá do vosso império

Prometeis um Mundo Novo

Calaivos(Cuidaivos)que pode o Povo
Querer um mundo novo a sério...


(To be continued)
Isabel Seixas