quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Camões

Ao final da tarde de ontem, o centro cultural Gulbenkian proporcionou-nos uma conferência de António Coimbra Martins sobre temática literária, ligada a Lorenzo di Medici e a Luiz de Camões.

Intelectual e académico, António Coimbra Martins viveu grande parte da sua vida em França, onde teve ação destacada nas fileiras da oposição à ditadura portuguesa. A partir de 1965, criou e dirigiu a biblioteca do centro cultural Calouste Gulbenkian - a maior e mais importante existente fora de Portugal, depois da biblioteca do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro. Dirigiu, depois, o próprio centro cultural Gulbenkian (1997-98). Anos antes, havia exercido funções como embaixador português em França (1974-79) e, mais tarde, como ministro da Cultura em Portugal (1983-85).

Ontem, ouvimo-lo, no "seu" centro Gulbenkian, enquanto académico, especular de forma brilhante sobre curiosas coincidências entre aspetos de obras de Médici e de Camões. A quem não é do "ramo", fez imensamente bem ouvir argumentos inteligentes situados em temáticas distantes do nosso quotidiano.

4 comentários:

José Barros disse...

Coimbra Martins pode ficar na história dos Embaixadores de Portugal em Paris de entre os primeiros que se preocupou, com o devido respeito e muita consideração, da falta de apoios ao movimento associativo dos emigrantes.
É verdade que a emigração queria, e merecia, ver muitas reivindicações satisfeitas e não o conseguiu. Mas houve sempre, pela parte do Embaixador de Portugal, enquanto ele se chamou Coimbra Martins, um cuidado em olhar os emigrantes com respeito e ao dirigir-se a eles no momento da cessação das suas funções de Embaixador, no programa de televisão “Mosaique” acentuou: “Por meu lado, não deixarei de dizer, nem de escrever quanto é insuficiente o que têm feito pelos emigrantes portugueses os nossos governos sucessivos.
Ninguém contribui tanto como vós – como vós especialmente, imigrantes de França – para desagravar as finanças do país; e o que vos é dado, quer em assistência sociocultural, quer em consideração social, é pouco ou nada. Nem sequer podeis estar certos de que, na escola, os vossos filhos aprendam português”.
Quanto ao ensino do português aquelas frases eram premonitórias: o insuficiente ensino básico que a Sra. Coordenadora coordenava foi-se extinguindo, de facto, até ao quase nada.

Helena Sacadura Cabral disse...

Como tem razão, José Barros!

Anónimo disse...

“Por meu lado, não deixarei de dizer, nem de escrever quanto é insuficiente o que têm feito pelos emigrantes portugueses os nossos governos sucessivos."

Mais uma Personalidade que gostei de conhecer...
Um tributo...
Isabel Seixas Martins

patricio branco disse...

Como embaixador em Paris, ACM protagonizou e conduziu uma grande e importante parte das negociações iniciais entre Portugal e a China sobre a passagem de Macau para a China.
As suas memórias diplomáticas, causticas e interessantes, falam disso e doutros aspectos da sua missão em França, nos anos 70, creio.
Depois, foi deputado europeu.
Como historiador e estudioso da literatura portuguesa destacam se os seus "ensaios queirozianos"