segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Migrações


Foi muito oportuna a iniciativa que o International Herald Tribune e a Académie Diplomatique Internationale organizou hoje em Paris, juntando o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, e a jornalista Judy Dempsey. O tema central foi o mesmo que, há dias, aqui referi: "Fleeing the storm: the human cost of climate change".

A questão das migrações é um tema de imensa actualidade, até pelo paradoxo que António Guterres sublinhou: cada vez há mais pessoas forçadas a migrar (por razões económicas, de segurança, climáticas ou outras, muitas vezes conjugadas) e cada vez os Estados fecham mais as suas fronteiras. Para o Alto-Comissário, que se mostrou favorável a uma regulação das migrações à escala global - perspectiva até agora recusada pela Comunidade internacional -, verifica-se uma profunda hipocrisia e irracionalidade por parte dos decisores políticos do mundo desenvolvido. Estes, limitados pelo medo que afecta as suas populações, teimam em não enfrentar as necessidades de mão-de-obra dos seus operadores económicos, as quais, na ausência de uma política de imigração regular, acabam por ser supridas pelo "contrabando" de imigrantes, muitas vezes através de formas de tráfico com ligações criminosas.

Como me dizia um observador atento a estas questões, sentado a meu lado na conferência, tudo tenderá a ser ainda pior com o disparar dos índices de desemprego, por virtude da crise.

Em tempo: ler o que o New York Times traz hoje sobre esta conferência. Aqui.

2 comentários:

Bocados de nós disse...

O problema Senhor Embaixador é quem tenta abordar, entre nós, essa questão, facilmente é rotulado de conservador ou reaccionário, que é uma forma de marginalizar quem, com coragem, fala do assunto.
Eu própria já passei por isso. Portanto, fico muitíssimo satisfeita que António Guterres tenha ousado fazê-lo!

José Barros disse...

Erik Orsenna, no seu trabalho de pesquisa sobre o futuro da água (“L’avenir de l’eau”), aponta uma série de transformações planetárias previsíveis com o aquecimento global e, em consequência, se nada for feito para o evitar, conjectura importantes inundações em certas regiões, enquanto noutras a falta de água não permitirá qualquer forma de vida obrigando as populações destes territórios, empurradas pela natureza, a procurarem novos horizontes.
Assim, as vagas de emigração que hoje se conhecem são um prelúdio daquilo que muitos cientistas prevêem em maior escala e não serão os muros erigidos ao longo das fronteiras ou o arame farpado que poderão proteger aquilo que aparece aos olhos destas populações como oásis em desertos...