sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Camarate

Faz hoje 29 anos que o primeiro-ministro Francisco de Sá Carneiro e o ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa, bem como várias outras pessoas que os acompanhavam, pereceram num desastre aéreo em Camarate, nos arredores de Lisboa.

Sá Carneiro era, há menos de um ano, primeiro-ministro de Portugal. Viviam-se tempos políticos de grande tensão, com eleições presidenciais a terem lugar  três dias depois.  As condições em que as mortes tiveram lugar deram origem, desde então, a uma interminada polémica - entre os que entendem que se tratou de um acidente e os que favorecem a tese de um atentado.

É sempre pena ver a análise de acontecimentos desta importância reconduzida e praticamente reduzida ao contraditório do debate político. A imagem dos países sai sempre engrandecida quando questões com esta gravidade ficam totalmente clarificadas, com a verdade a emergir por si própria e de forma indisputada. Infelizmente, no caso do desastre de Camarate, a história política portuguesa terá de viver, para sempre, com o peso do enigma.

7 comentários:

Julia Macias-Valet disse...

Era um sabado.
Ouvi a noticia numa loja de televisores e candeeiros da Estrada de Benfica, onde fazia compras de Natal com os meus pais.
E todos os anos nesta data me recordo desse dia.
Bem como sempre que olho o candeeiro que os meus pais compraram.
Talvez porque o assunto nunca foi esclarecido...

Helena Sacadura Cabral disse...

Se foi ou não atentado não saberemos nunca. E o que é lamentável é que tenham existido várias comissões de inquérito e todas tenham tido o mesmo fim...
Mas concordo consigo. A morte de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa representaram para o país, infelizmente,bem mais do que isso.
Morreram dois democratas que Portugal, pelo menos num dos casos, tratou bem mal!

Correia de Araújo disse...

Sá Carneiro, sem dúvida uma referência para mim... (e, por que não dizê-lo?) para o país também!
À data, como militante do CDS que era, senti particularmente a morte de Adelino Amaro da Costa que conheci pessoalmente e de quem guardo uma imagem de aptidão política notável.

Jose Martins disse...

Lisboa, apesar no principio do mês de Dezembro, o dia apresentava-se agradável.
Durante o dia procurei conseguir lugar num avião da TAP , Lisboa, Funchal e Las Palmas onde despenderia uns dias, na praia, antes de partir para deserto da Árabia Saudita.
Os dois lugares que havia vagos foram destinados a um casal em lua de mel.
Deambulei pela baixa de Lisboa e fiquei hospedado numa pensão junto à estação do Rossio.
Em frente ao teatro de D.Maria II, um estrado estava erguido para uma manifestação política de apoio à candidatura de um político que não me lembro qual.
Deitei-me cedo, pois teria que embarcar às seis da manhã da Portela em direcção a Madrid e dali para Las Palmas.
Durante a noite não ouvi discursos ou palmas que fossem.
Às 4,30 da manhã tomei um táxi para me levar à Portela.
Lisboa ainda dormia e pouco movimento se notava nas ruas.
Depois de colocada a mala na bagageira do táxi, sentei-me ao lado do condutor.
Guiou pela Avenidade da Liberdade em direcção ao aeroporto.
O motorista e eu seguíamos mudos.
Entretanto o motorista abriu-se: “então o Sá Carneiro lá foi...!!! Retorqui: o que aconteceu?
A avioneta que o transportava, mais os seus companheiros, para o Porto, caiu depois de levantar voo.
Pouco mais falamos sobre o acidente até me deixar na Portela e partir para Madrid.
Mais não viria a saber sobre o acidente e os motivos.
Voltei a Portugal no ano de 1997.
José Martins

Correia de Araújo disse...

Não é relevante o pormenor mas, para maior precisão do acontecimento, a morte deu-se numa quinta-feira e o funeral realizou-se, esse sim, num sábado.

Helena Oneto disse...

Porque será que a Justiça em Portugal, desde o "antigamente" até agora, é tão ineficaz ? Porque será que os inquéritos nunca chegam ao fim ? e quando chegam terminam em "aguas de bacalhau"?
Porque será ? por incompetência ?
A verdade é que a lentidão ou ausência de Justiça "minam" a imagem que uma grande maioria dos portuguêses têm do seu país.

Julia Macias-Valet disse...

"Autant pour moi" caro Correia de Araujo.
E obrigada pela precisao.
Foi entao o funeral que eu vi na loja dos candeeiros.
E apesar de na altura estar ainda a um par de anos de poder votar, o acontecimento marcou-me.