quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Belém


... e lá fui, com Américo Tomás, conduzido até Belém.

O leitor não deve esperar deste post uma insólita historieta que envolva o antigo presidente da República, afastado pela Revolução de Abril. Trata-se, muito simplesmente, do facto de ontem ter sido levado pelo motorista do MNE, sr. Américo Tomás, à Torre de Belém, para assistir, como convidado, à cerimónia da entrada em vigor do Tratado de Lisboa.

Como a imagem que captei com telemóvel pobremente documenta, foi uma bela festa, organizada por Portugal, para comemorar, simultaneamente, o início da aplicação do novo Tratado que leva o nome da capital portuguesa e para recordar, uma vez mais, o facto da presidência portuguesa da União Europeia, em 2007, ter conseguido garantir os difíceis consensos que viriam a permitir o fecho dessa longa negociação institucional.

Muita gente na Europa tem esperança que o Tratado de Lisboa represente a "pacificação" da conflitualidade institucional que se instalou na vida comunitária desde há muitos anos, bem patente nas efémeras revisões do Tratado de Maastricht - Amesterdão e Nice -, seguida pelo fracasso do Tratado Constitucional. O Tratado de Lisboa, precisamente porque muito dificilmente parece ser possível opor-lhe uma alternativa consensual a 27 ou mais países, pode ter garantida uma longa vida. E, com ele, o nome de Lisboa ganhará um merecido lugar no imaginário europeu.

13 comentários:

Julia Macias-Valet disse...

Afinal 369 anos depois encontrou-se outro motivo para festejar o 1° de Dezembro. E este é bem mais simpatico e "pacifista".

PS. Havia Representaçao Castelhana em Belém ? Y sin rencor ?

PS. 2- O Senhor Américo Tomas (o que acompanhou o Senhor Embaixador, evidentemente) nunca fez nada para tentar mudar de nome ?

Francisco Seixas da Costa disse...

1.O PM Zapatero falou na sessão.
2.O Sr. Américo Tomás vive, julgo, perfeitamente confortável com o seu nome.

Anónimo disse...

Para além do PM Zapatero ter falado na sessão, é de recordar a participação dos Reis de Espanha...

Pitucha disse...

Senhor Embaixador
Permito-me uma pequena precisão: o Tratado não se chama de Lisboa. De Lisboa é o texto que revê o Tratado da União Europeia e o Tratado da Comunidade Europeia agora denominado Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. Mas compreendo (e partilho) do entusiamo luso.

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Pitucha: nenhum tratado tem o nome de nenhuma cidade. Mas, não obstante, "existiram" os tratados de Roma, Maastricht, Amesterdão e Nice. A vida europeia é feita destes registos patronímicos. Quanto ao "entusiasmo" luso, trata-se apenas do facto de ver o nome de Lisboa mais referido, creio.

Abel Cohen disse...

Senhor Embaixador,
Apesar do orgulho patriótico que possamos sentir pelo Tratado de Lisboa, não estou ainda persuadido de que este Tratado seja o melhor para Portugal.
Vemos os nossos interesses salvaguardados? O que ganha Portugal com o Tratado (além da notoriedade de ser de Lisboa)?
Espero que não pense que sou anti-patriótico, mas são estas as questões que julgo importantes.
Cumprimentos,
A.C.

Anónimo disse...

Espero que nem o sr AM nem o "patrão" dele (sabia?) sejam leitores deste blog.

Vizinho ex-Marxista

Helena Sacadura Cabral disse...

Julgo poder dizer que amo profundamente o meu País.
Por isso,não entenda as minhas dúvidas como falta de patriotismo.
Mas como portuguesa e, sobretudo como economista que continua atenta ao que se passa aqui e no mundo,partilho das dúvidas de Abel Cohen.
E, infelizmente para mim, não tenho a bondade do Senhor Embaixador quanto à eventual longevidade do Tratado, não tanto por ele, mas pelas consequências que para a Europa vão ter os défices orçamentais que estão à vista!

Francisco Seixas da Costa disse...

Ao vizinho ex-marxista: que fique claro que se tratou de uma "boleia", obviamente em viatura pessoal (e só de ida), a que o senhor AM apenas emprestou, em hora vaga e num feriado, os seus "skills" como condutor. Nada que lhe afecte a exclusividade oficial, bien entendu.

Francisco Seixas da Costa disse...

A quem se referiu à substância do Tratado de Lisboa, gostava de deixar claro que, em nenhuma parte do meu post, ela é qualificada.

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador a sua diplomacia fez-me dar uma sonora gargalhada.
De facto, "et pour cause", em nenhum ponto do seu post a substância do Tratado é qualificada!

Francisco Seixas da Costa disse...

Dra. Helena Sacadura Cabral: nem para o bem, nem para o mal, note-se!

Helena Sacadura Cabral disse...

Foi por ter notado, Senhor Embaixador, que falei em diplomacia.
Não se zangue comigo. É que tenho um sentido do humor muito ácido em relação a certas questões. Mal de família!