quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Aletria e periferia


A notícia correu célere por Vila Real: a aletria estava esgotada e um carregamento que viria do Porto, através do Marão, não podia passar por causa do gelo. Na pastelaria Gomes, centro virtual da cidade, o tema dominava conversas, à hora do café. Natal sem aletria? Até numa visita ao oftalmologista o assunto foi visto como relevante. Ao final da tarde, chega uma informação preciosa, com a revelação de um local da cidade onde o produto se vendia. Lá se foi, lá se comprou, não havia cliente sem um pacote.

Como podem observar, neste Portugal de periferia, há mais vida para além das escutas...

11 comentários:

Margarida disse...

LOL!
Inaudito!
Delicioso!
(e não é do doce!)
LOL!

Alcipe disse...

"O incrível país da minha tia,
trémulo de bondade e de aletria"

(Alexandre O'Neill)

(dedicado aos heróicos transmontanos, bloqueados pela neve e armadilhados pelo gelo)

Julia Macias-Valet disse...

Ummm....Miam ! Miam !

Julia Macias-Valet disse...

Mensagem par Isabel Seixas :

Seria simpatico se nos desse a sua receita da Aletria.

Feliz Natal para si Isabel e Bom Ano 2010.

Anónimo disse...

Oh! Júlia...
Simpático é o Seu reforço positivo
Eu
Depois do sentimento de culpa
Infligido
Pelos
Padrões de qualidade literária do(a) IM
Estava Inibida
Com Receio
Confesso
De que a minha espontaneidade/Poesia
Pimba
Conspurcasse Este Blog

O meu maior Espaço, Provavelmente único,De evasão...Sincera, não sei, não aprendi, nem me ensinaram a Ser de outro modo.
Imagine o meu susto
Quando me apercebi que alguma profusão de espírito Natalício
Causasse algum constrangimento à
Pessoa de Bem
Pai deste Blogue...


Por isso Júlia Ia agora sair para comprar no pingo doce os últimos ingredientes Para os sonhos que a minha Mãe faz... agora manda fazer ou seja sou eu e o meu filho Francisco que vamos bater a massa

E depois deste postal de boas festas moção de confiança...
Aí Vai

Um abraço
Isabel Seixas

Anónimo disse...

Aletria
6 pessoas

Panela ao lume com sensivelmente um litro de água, com uma casca fininha de limão( exige alguma perícia a ser cortada, sem parte branca) água a ferver 5 minutos.

Desfaz-se a meada da Aletria 250 gr. preservando a massa e evitando que se parta aquando do desembaraçar da meada.(Cá em Chaves Também Se pode dizer Letria em respeito a quem não pôde ter instrução em língua Portuguesa convencionada)


Adiciona-se a aletria e deixa-se cozer, sempre tendo em atenção se a quantidade de liquido água é suficiente e permite a cozedura da aletria sem se agarrar ao fundo
da panela.

Adiciona-se o açúcar quantidade sempre igual à da Aletria;
O leite pré aquecido metade da quantidade de água 1/2 litro .

Nesta fase já deve estar cozidinha, mas vai-se provando ( lavando sempre a colher da prova por razões óbvias) Mas fundamentalmente para assegurar que fica ao nosso gosto e da maioria da nossa família, a Júlia estabelecerá o consenso...
Preparam-se as 4 gemas ( de preferência de ovos caseiros que são mais amarelinhas)assim no recipiente das gemas vai-se deitando umas colheres de sopa da aletria quentinha para adequar a temperatura das gemas á da aletria e não cozer os ovos quando finalmente se deitarem bem mexidinhos na aletria recém saída do lume a arrefecer para receber as gemas .

Coloca-se numa travessa (Bonita com uma moldura de cor bem visivel)
E decora-se com canela e dizeres personalizados de família e espírito natalício Tipo...

Da Júlia
Com Amor
Para Todos
UM Afrodisíaco

Não lhe quis tirar a criatividade...
Isabel Seixas

PS Tenho que fazer a minha consoada, mas se quiser, e o pai do duas ou três coisas não se reservar um direito de admissão sugerido... E convenhamos ... Justo e com sentido.

Dou-lhe a receita dos sonhos
Uma perdição
Um atentado ao autocontrole
Isabel Seixas

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
Estes post´s são um atentado gastronómico. O senhor refere a aletria, as minhas cunhadas queixam-se dos sonhos, que não crescem.
E eu, escaldada de anos anteriores ser a cozinheira da família, gargalho e digo que se os sonhos não crescem a culpa é do PM...
Lembre-se de todos nós quando chegar à aletria.
Eu lembrar-me-ei de todos que por aqui passam, quando chegar ao arroz doce!
Porque sou sábia...e não vou em sonhos minguados!

Margarida disse...

Andava eu à procura de uma receita...
Ena!
:))

Julia Macias-Valet disse...

Obrigada Isabel pela receita.
Nao a fiz para a Consoada mas vou fazê-la para o Ano Novo.
E tenho a certeza que esta receita transmontana vai fazer sucesso.
O nome, "Cheveux d'Ange", é bem mais "in the mood" nesta época do ano, do que as minhas receitas de docaria alentejana : Bolo Podre, Bolo Rançoso, ... gostava de saber quem tera sido o autor/a de nomes tao "apetitosos".
Anyway, os nomes dos meus bolos sao intraduziveis em francês, pais onde como deve saber os pratos têm nomes proximos da prosa poética.
E isto ja para nao falar da composiçao. A ultima moda francesa é a Cuisine Moléculaire. O seu "inventor" é Hervé This um fisico-quimico.
Agora diga-me... o Podre e o Rançoso por mais voltas que eu lhe queira dar...

Julia Macias-Valet disse...

Ah, ja me esquecia...quanto à receita dos Sonhos, dispenso. Dao-me azia. Preferio as Realidades apesar dessas serem por vezes amargas e de dificil digestao...

Anónimo disse...

Ora bem a Sua sugestão de Debate gastronómico...

Podre E rançoso...

Submeter os vícios privados à apreciação, das ousadas porque falíveis, virtudes públicas...Apelidando com nomes pseudosinistros bolos deliciosos...

Pois pela minha parte estou receptiva a conhecer os segredos da receita que muitas vezes só os habitantes da região são depositários...Um segredo é uma coisa que se conta a uma pessoa de cada vez,,, O que aqui está salvaguardado por inerência...

Pois Ainda lhe posso dar também a receita do "Bolo Dissimulado"...
Um bolo oriundo das brincadeiras feitas a pensar na supremacia da Esperteza Saloia obtida no empirismo da vida em competição franca com a inteligência potenciada e obtida nos meios académicos com direito a grau... Académico claro.

Era confeccionado pela minha Mãe Tias e Primas, numa diversão indescritível, partilhada por nós crianças, pois deixava antever o embaraço que ia causar pelo enigma latente de um ingrediente encapotado tipo gato por lebre,

Era infligido em Lanches de personalidades que adoravam confraternizar com Os Primos do Pereiro, e o Enigma reside na massa de base do bolo mais que no recheio E cobertura.

De qualquer forma só lha dou, a receita, quando os sonhos não lhe provocarem azia, sob pena de ficar demasiado pragmática e triste...Décalage na expressão da sua Foto, não expressa azia,Mas sim resposta a lesões por queimadura, não se podem comer os sonhos a escaldar têm que se deixar repousar... Fez mal o Diagnóstico...A sério confie em mim
Nem pense que desisto à primeira de lhe dar a receita dos sonhos, que até já me palpita que a origem seja da sua área de proveniência...
Velhoses Diz-lhe Alguma coisa?...
Isabel Seixas