segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Not so Big Mac

Aqui há uns anos, numa praia balcânica, uma amiga sérvia contava-me, com um triste sorriso, que, em 1999, ao tempo em que Belgrado sofria noites de pesados bombardeamentos aéreos americanos, logo que o dia raiava os operários regressavam ao trabalho para a construção da primeira loja do McDonald's na cidade. Era o retrato de uma trágica ironia, que dizia bem do mundo em que vivíamos.

Recordei isto ao ler, ontem, que a McDonald's fechou em Reykjavik, na Islândia, pelo facto da desvalorização da moeda local ter tornado caros e não competitivos os produtos que vendia.

Longe vai o tempo em que, para um país, ter uma loja de McDonald's era uma espécie de cartão de identidade de moderna sociedade de consumo. Por todo o mundo, deu-se cabo de edifícios lindíssimos para alojar essas fábricas de colesterol. Alguma patetice liberal, cuja autoria me escapa mas que deve estar próxima dos "neocons", chegou mesmo ao ponto de afirmar que, no plano dos conflitos armados, era muito improvável que países onde existissem McDonald's gerassem guerras entre si.

Tudo mudou. O capitalismo, de facto, já não é o que era. Até o McDonald's já fecha por força do mercado. Confesso que não verto uma lágrima.

3 comentários:

Anónimo disse...

Dizem-me que o "MAC" nos Açores é um sucesso!!!
Albano

Helena Sacadura Cabral disse...

Também eu nem uma lágrima de crocodilo verto!
Prezado Albano passei férias em Vila Franca do Campo na casa da família.
Fomos várias vezes a Ponta Delgada, mas o Burger King tinha mais saída do que o MAC. A menos que seja noutra Ilha.

José Barros disse...

Um dia, logo a seguir à abertura do Mac Donald da Covilhã, entrei no estabelecimento e pedi se me podiam servir um prato de batatas com bacalhau...