domingo, 29 de novembro de 2009

Cerimónia


Já em tempos, tinha lido Eusébio afirmar que, aquando da sua vinda para o Benfica, o respeito era tal face a figuras consagradas da sua nova equipa que os tratava por sr. Coluna e sr. Costa Pereira.

Francamente, pensava que os tempos tinham mudado e que o ambiente, no seio dos clubes ou da selecção nacional, havia perdido esse tipo de cerimónias.

Por essa razão, foi com grande surpresa que li a confissão de Petit ao Jornal "i", sobre os seus primeiros dias na selecção: "Nos treinos, eu nem pedia a bola e quando a roubava entregava-a logo a eles, porque tinha vergonha de dizer 'ó Figo', 'ó Rui', 'ó Pauleta!'".

Pelos vistos, há um mundo por detrás desta timidez que joga mal com a sem-cerimónia agressiva que Petit assume em campo.

Será que isto também é válido para outras actividades, como a política ou a diplomacia?

5 comentários:

Santiago Macias disse...

Para a política a nível local, que conheço das minhas funções de vereador, não é bem assim. No Alentejo, o tratamento por "tu" entre autarcas é comum, e quase obrigatório dentro de cada partido. O que não inibe muitos colegas de entrarem em jogo com um vigor que faz o Petit parecer a Branca de Neve...

Helena Sacadura Cabral disse...

Tem alguma dúvida Senhor Embaixador? Não tenha.
Basta ligar o canal Parlamento - proibido a menores aqui em casa - para confirmar o que lhe digo!

Fernando Correia de Oliveira disse...

Senhor Embaixador:

Também li a entrevista, que achei muito interessante. A candura das declarações do Petit (tão rara hoje em dia)contrasta, na verdade, com a sua dureza em campo. Já na política, não tenho visto nos últimos tempos nem candura, nem sequer dureza em campo (barulho, sim, mas dureza acutilante, nada). Talvez faltem pequenos-Petits para darem alguma grandeza à luta política.

Anónimo disse...

Só hoje tive tempo de ler a entrevista do "Sr.Petit" com todo o respeito e admiração, fi-lo com o meu Marido que documentou algumas das afirmações, achei interessantíssima a história de vida a baixa auto-estima sem razão sustentada dado o valor de quem persegue objectivos de melhoria da qualidade de vida mesmo filho de Deus Menor...
Sou apologista que os troféus de glória deveriam ter subjacente a intensidade do empenhamento, e os critérios de mensuração deveriam contemplar o sacrifício despendido nomeadamente a falta de recursos económicos deveria ser apresentada como factor determinante a ostentar com orgulho...

Correndo o risco de ser conotada como romântica, atribuo o doutoramento Honor is Causa ao Sr. Doutor jogador Petit pela autenticidade relatada no seu testemunho, através da creditação idónea da prática que o converte em teórico fundamentado.Aguerrido...
Isabel Seixas

José Ricardo Costa disse...

Com a política e a diplomacia não sei. No entanto, para a actual escola pública portuguesa, não é certamente.

JR